terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Astrofotografia , Cotidiano , Probabilidades e Van Gogh

            

     Astrofotografia também é conhecida como "A Arte Difícil". Sei a razão do título. Alinhamento polar e outros procedimentos hermêneuticos são necessários.
            Mês passado foi tempo de muito trabalho. E ao contrário do que isso possa parecer foi tempo de muita astronomia.
            A astronomia esta presente em quase todos os atos de nosso cotidiano.
            Cotidiano é um substantivo. O cotidiano. Um ser . Ele existe,
 Cotidiano: O termo cotidiano ou quotidiano significa aquilo que é habitual ao ser humano, ou seja, está presente na vivência do dia-a-dia. Cotidiano também pode indicar o tempo no qual se dá a vivência de um ser humano; também pode indicar a relação espaço-temporal na qual se dá essa vivência.
            Percebo a astronomia no meu cotidiano.
            Mesmo com muito trabalho ela se faz presente quase todo o tempo.
           Semana passada foi bem intensa. E por isso mesmo astronômica. Por mais improvável que isto possa soar.
            Em um Domingo comecei a jornada. Uma "van" passaria em minha cassa. 3:10 da manhã.
            Neste dia o máximo de astronomia que consegui perceber foi  que o Sol é realmente uma fornalha nuclear. Isto foi fácil filmando um comercial ao redor de um carro no meio do Canteiro central do Aterro do Flamengo. Rio 40o graus...
            Mas como já falei o senso comum costuma nos enganar e assim a semana super ocupada foi cheia de astronomia.
            Na véspera deste memorável dia estava  lendo o interessante "O Andar do Bêbado" de Leonard Mlodinow que discorre sobre o acaso em nossas vidas me deparei com três leis que devem  ter algo  haver com aquelas coincidências que de tão improváveis devem ter algo com as leis mais fundamentais do universo que o Nuncius Australis sempre busca e nunca consegue identificar. 
            A primeira :
" A probabilidade de que dois eventos ocorram nunca pode ser maior que a probabilidade de que cada evento ocorra individualmente."
            Esta é aritmética simples: chance de  que evento A  ocorra = chance de que evento A e B ocorram+ chance de que evento A ocorra e evento B não ocorra.
            A Segunda:
"Se dois eventos possíveis, A e B,  forem independentes a probabilidade de que A e B ocorram é igual ao produto de suas probabilidades individuais.
            Nesta situação entendemos que para combinarmos possibilidades não devemos somá-las, e sim multiplicá-las.
            A Terceira:
"Se um evento pode ter diferentes resultados possíveis, A, B, e C e assim por diante, a possibilidade de que A ou B ocorram é igual a soma das probabilidades individuais de A e B , a  a soma das probabilidades de todos os resultados possíveis ( A, B, C e assim por diante) é igual a 1.
            Trabalhando como um louco saí para realizar o tal comercial no domingo muito cedo. No meu ramo muito cedo signfiica muito cedo mesmo. As 3:10 am um carro passou para me pegar. E como sairia direto desta filmagem rumo a Paquetá para filmar mais um curta da serie que vai compor o Longa Metragem " Rio Eu te Amo" eu fiquei na duvida se deveria levar minha câmera fotográfica para tentar fazer algumas fotos dos céus mais escuros que encontraria ( ou achava que iria encontrar...) na Ilha nos fundos da Baia de Guanabara.
            Aplicando as novas leis fundamentais do universo que tinha colecionado na recente leitura começo a fazer contas. As 3:15 am estou neste pé:
            A- O diretor seria um louco e eu filmaria 20 horas por dia. A mochila da câmera seria apenas mais um trambolho para eu carregar e não tiraria foto alguma
            B- O céu estaria nublado e a câmera seria só mais um trambolho para eu carregar e eu não tiraria foto alguma.
            C- O céu estaria nublado e o diretor seria um louco e a câmera seria apenas mais um trambolho para eu carregar e não tiraria foto alguma.
            D- Eu não levaria a câmera , o diretor seria um cara sensato , o tempo estaria aberto e eu não tiraria foto alguma.
            Depois de somar , subtrair, multiplicar e outras operações básicas decido levar a câmera.
            De volta a "arte difícil" eu decidira que faria de astro fotografia algo mais simples desta vez. E cotidiana.
            Pretendia utilizar o equipamento que estaria a disposição na filmagem. Afinal o cinema é a sétima arte. E não me faltariam recursos pra realizar fotos do céu sem acompanhamento. E por isto utilizaria apenas minha lente 18-55 mm. E o  "drift" das estrelas ficaria na seara do suportável...
            Apresento aqui uma invenção maravilhosa. Se chama cabeça de efeito. De posse de uma desta e de um tripé de pino acredito ser possível apontar uma câmera para qualquer posição no céu. Mesmo o Zênite sempre tão incomodo se torna fácil.
           

Certa vez tive um pequeno bate boca com uma colega minha que defendia que as fotos astronômicas não seriam mais que pinturas. Com falsas cores e o uso de muita imaginação. Como aqui no Nuncius Australis em geral o que se observa na ocular é aproximadamente o que se busca nos registros fotográficos fiquei um pouco ofendido e defendi que não era bem assim.
            Dentro da lógica da Astronomia do Cotidiano eu me pego vendo astronomia nos atos mais corriqueiros de meu trabalho.
            A vejo quando utilizo o  "Sun seeker" para dizer a um fotografo quando e aonde o sol vai estar incidindo diretamente em uma cena.
            A vejo nos equipamentos que uso e posso adaptar para realizar minhas astrofotos.
            E fico pensando como outras pessoas a percebem em seus ofícios.
            Por mais uma daquelas obras do acaso o resultado de algumas fotos acabam dando suporte a ideia de minha amiga de que astrofotos são como pinturas. Mas de uma forma completamente diferente do que eu ou ela pensamos. E de como a astronomia é holística. As imagens que obtive me recordaram imediatamente de algumas das pinturas que mais gosto. Todas elas com "Noites Estreladas"...

            E assim eu percebo que um cidadão chamado Vicent van Gogh também tinha a astronomia presente em seu cotidiano. E de como a astrofotgrafia pode se relacionar como uma forma de arte que passa ao largo de descrições fiéis da realidade. E ainda assim ser astronomia.

            Só para constar . As fotos aqui tem como "Estrelas Principais" Jupiter e a constelação de Gemeos. As outras se concentram sobre as Areas de Eta Carina, cauda do Cão Maior e Orion...
Nebulosa de Carina , Plêiades do Sul e Cia.

             Um outro fator me ocorre quando vejo as fotos de Paquetá . Embora a Ilha seja mais escura que o "Stonehenge dos Pobres" e assim eu consiga perceber mais estrelas a olho nu  ela se encontra cercada de poluição luminosa em todas as direções de seu horizonte. Já no " Stonehenge" o horizonte sul se encontra livre de iluminação. E assim a duvida:  Seira possível que embora percebendo mais estrelas a olho nu eu tenha um Deep Sky mais apagado em Paquetá que no Leblon?  As mambembes fotos de Carina me levam a suspeitar que sim....

Algum lugar em Cão Maior

            Depois da temporada em Paquetá e os sonhos de Van Gogh eu retornei ao Rio . Deixando de lado a sétima arte em companhia de um diretor que é um grrande ator ( John Turturo)  e voltando aos mais mundanos campos da publicidade tenho uma ultima surpresa.       
 
            Em um novo amanhecer muito amanhecendo chego ao Mirante do Dona Marta ainda de noite. E posso perceber diversas constelações. Conforme o céu vai azulando um evento astronômico comum , mas belíssimo, me lembra de como a astronomia esta presente no meu dia-a-dia. O nascer do sol com a conjunção de Vênus e a Lua sobre o Pão de Açucar  encerra este post. E mostrar como se pode realizar a Arte Difícil de uma forma nem tão difícil enquanto se realiza o seu trabalho.
            Astrofotografia é a melhor diversão.

            

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