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domingo, 1 de abril de 2018

Astrofotografia, a Pascoa , uma Tamaron 70-210 mm e Softwares


              


             Semana Santa é sempre lua cheia... A Pascoa acontece no primeiro domingo depois da primeira lua cheia após o equinócio. Forte caráter astronômico e um mal momento para se observar. Não bastasse isto minha querida cunhada montou um bar de frente para o local onde sempre observo em Búzios. Para piorar isto colocou luzinhas de natal para decorar a fachada. E uma “mirror ball” na varanda dos fundos. Gosto não se discute. Se lamenta.  Nenhum governo ainda se dignou a promover uma “Bolsa Observatório”.
                Sem saber da radicalidade da reforma fui para Búzios na vã esperança de conseguir ao menos capturar M 68 e 53. Assim ficaria faltando fotografar M 72 para completar minha coleção de Globulares Messier.
                Na quinta feira  santa chego ao meio dia na Armação com os pés sujos. Pego uma praia com meu menor e volto no fim de tarde cheio de esperança. Quase acreditando em ressureição. Quero realizar um alinhamento polar “a sério”. Utilizando a técnica fotográfica.
Alinhamento Polar

                Esta consiste em com a câmera já montada no Newton (e com o eixo polar apontando grosseiramente para o sul celeste) realizar exposições de trinta segundos com telescópio apontando para o equador celeste. Durante os primeiros 5 segundos de exposição você nada faz. Depois desloca este para o oeste pelos próximos 15 segundos e para o leste os segundos restantes. Caso seu alinhamento esteja correto o resultado será uma linha. Caso contrário um “V”. Sendo um “V” ajuste a cabeça nos parafusos de Azimute até que o “V” se transforme em linha... É bem mais preciso que o método “preguiçoso” e menos chato que o drift. Para ajustar a altitude se faz o mesmo procedimento apontando-se para o horizonte leste ou oeste o mais baixo possível. E evidentemente se ajusta a cabeça no parafuso responsável pela altura. Quem quiser entender melhor o processo pode procurar por um vídeo do Compassi no You Tube. Nesta época do ano implica em apontar-se o telescópio para uma região com poucas e tênues estrelas. A Pascoa é um saco. Só salva o feriado prolongado.  A Aporema de outono vai ter que esperar. Tenho um trabalho começando dia 5 e que deve ir até 15. Há possibilidades de que este aconteça em Paraty. Será perfeito.

                Logo de cara a montagem não funciona com a câmera sendo operada pelo APT. Vai ser manualmente mesmo. Quando estou quase lá as nuvens entram rasgando e deixo a precisão para lá. Já fotografei com alinhamentos bem mais toscos. E com a lua cheia, o novo bar e as nuvens rondando não tenho motivos para grandes esperanças. Já tinha voltado ao estado de descrença que me é normal...
                M 53 é um sonho impensável. Não consigo sequer ver Alpha Coma a olho nu. A lua cheia é a maior inimiga que um DSO pode encontrar. Nem mesmo a iluminação das pedras do Arpoador chega a ser um inimigo tão figadal.
                Para dizer que nada aconteceu nesta noite observei Castor. Esta eu nunca tinha dividido tão facilmente. Com apenas 45 X de aumento percebia ambos os componentes nos momentos de seeing estável. Com a Barlow era fácil. Outra dupla que compareceu foi Cor Caroli. Com e sem Barlow . Muito baixa no horizonte sofreu bastante com a instabilidade da atmosfera.
                Segue a noite e como dizem por aí “Tá no inferno abraça o Diabo”. Faço fotos da lua cheia de todas as formas possíveis. Com o telescópio e utilizando a minha Barlow OMNI da Celestron. Esta é uma “2X”. Curiosamente amplia mais que a minha “2X” da Skywatcher que veio junto com o Newton. Atualmente uso a carcaça da Skywatcher com a lente da Celestron. (a OMNI não tem rosca apara o adaptador da câmera...).  Faço também sem Barlow. Depois com a minha lente 300 mm da Pentax e com uma 70- 210 mm da Tamaron. Com nuvem e sem nuvem. superexposto e sub exposto. Etc., etc. e etc....



                Para não dizerem que não falei de flores faço algumas imagens da Caixinha de Joias de Herschel (Ngc 4755) e de Ômega Centauro.  
Caixa de Jóias (Ngc 4755) 7 x 30 Seg. + 4 darks (Raw) -DSS 2X Drizzle+Fits+Photoshop

Sem drizzle

Omega Cen- 10X30Seg- DSS 2 drizzle+PixInSight+PS+Noiseware. Esta foto foi submetida a varios processos em todos os softs citados. 

                A primeira noite se encerra junto com a   garrafa de Wiborowa. Não poderia deixar de comentar que houve um show da Anita na Armação para coroar o fracasso. Felizmente longe o suficiente da casa para não ter que escutar nada...
                Vai começar a segunda noite. Sexta da Paixão. Ao contrario de Cristo continuo vivo apesar da vodka. Tudo no lugar e a cabeça quase alinhada. O projeto da noite é modesto. Quero refinar o alinhamento polar pela técnica nova e só. O resto será lucro. Observar (e fotografar) na lua cheia é apenas um exercício. Mas como já dizia o poeta “homem é o exercício que faz.”
                A realizar o teste para o alinhamento para o azimute eu não poderia ser mais feliz. Estava cravado. (Aqui em Búzios eu sei aonde esta o sul de cor e salteado...). O topografo da região foi pai do caseiro e os lotes tem os muros alinhados no sentido Leste-Oeste com uma precisão de segundos. Pelo menos na Rua da Linguiça...
                Depois de alinhar o Synscan utilizando Acrux e Sirius e este se revelar bem preciso começo a observar em uma das piores condições que já o fiz. O Bar todo aceso, a cunhada fazendo bacalhau, a lua com 99.5% do disco iluminado, a pequeno febril e uma cachorrinha Chihuahua histérica infernizando a todos.  Mesmo assim aponto para Ngc 2516 no intuito de revisitar o maior número possível de “Lacailles” possíveis durante a noite. Com “O Sul Profundo: o Catalogo Lacaille” aberto sobre a bancada do bar planejo uma minimaratona para a clara noite. Os DSO´s descobertos pelo Abbe (em sua maioria) são dos poucos capazes de sobreviver a tanta agressão. Faço poucas exposições e percebo que o acompanhamento está muito bom. Apesar das “full conditions” (um termo inglês utilizado no montanhismo e que se refere a escaladas realizadas com muito frio, neblina, neve e sobre terreno desconhecido, mal protegido e pouco confiável) Ngc 2516 apresenta estrelas redondas e alguma cor. É um dos mais ricos aglomerados abertos dos céus.  Possui diversos apelidos: O Aglomerado do Corredor ( Sprinter cluster) e o Presépio Austral são os mais famosos.
Ngc 2516- 6X30 seg -DSS+Fits +PS. Pouquíssimo tratamento aplicado.

                Dedicarei boa parte da noite me dedicando a caça de estrelas duplas. Afinal é Lua mais que cheia... E estas são resilientes. Conheço uma nova e muito interessante. 24 Coma.  Esta com sua componente primaria sendo uma gigante amarelada e sua parceira uma estrela de um pálido branco azulado. Belo contraste mesmo muito próxima a lua. Se separou com uma Barlow 2x e uma ocular de 17 mm. Separação 20.3´´.
                Depois tento 35 Coma.  É uma binaria visual. Os membros foram resolvidos com ótica adaptativa.
                Algieba é outra divertida. Também com a Barlow e a 17 mm. Com uma separação de 4´´ não a consigo fotografar. Ela se apresenta como uma estrela alongada. Não se separando de fato. Bem no limite de Dawes do meu conjunto óptico.

Cor Caroli com uso de Barlow 2X -Frame unico

Sem Barlow


                Não poderia faltar Cor Caroli. No limite do conjunto ótico sem o uso de Barlow.
                De volta aos DSO´s visito um apagado M 35. Este me prepara para o que me espera. Mesmo aglomerados bem claros serão discretos visualmente durante esta noite. Com o Synscan (sistema de localização da cabeça equatorial. Também chamado de “go-to”.) um pouco errante é bom manter o nível de expectativa baixo.
IC 2488- 9 X 30 Seg- DSS+PixIn Sight 1.0+PS(varios processos)+Noiseware. 

                Retorna a Lacaille e visito IC 2488 e IC2391. O primeiro bem discreto visualmente. Com a ocular de 40 mm parece apenas um agrupamento casual. Mas como é velho conhecido apelo para a 17 onde este se apresenta descolorido, porem mantendo seu caráter de aglomerado evidente. Faço pouco mais de 10 fotos. Murphy é um babaca. Em noite de Lua o acompanhamento se apresenta muito bom e consigo exposições de 45 segundos com excelente aproveitamento. IC 2391, A pequena Cassiopéia, é muito claro e evidente. Faço apenas uma exposição com este já cruzando o meridiano e com o Newton (um newtoniano 150 mm f8) quase tropeçando no tripé.
IC 2391- Frame unico. Apenas convertido de Raw para Jpeg no PS. 

                Quando visito Ômega Centauro perco qualquer esperança com relação a M 53 e M 68. O gigante é pouco mais que um fantasma. Mas faço pouco mais de uma dezena de exposições deste e com um foco raro para meu focalizador de pinhão e cremalheira.
Ngc 5460- 10X30 seg- DSS+Fits+PS

                Resolvo passear por Centaurus e acabo conhecendo um belo e discreto (em noite de lua cheia...) aberto pouco visitado. Ngc 5460. Muito apagado visualmente requereu uma navegação um pouco mais elaborada para se render.  Faço muitas fotos. Este merece uma nova visita em noite mais digna. Muito delicado e totalmente fora do circuito. Um clássico do “Projeto Tudo que Existe”. Este foi fruto da melhoria da qualidade de vida no Observatório. Com todos na Armação fiquei eu e meu pequeno em casa. E assim a vizinhança baixou um ponto na Escala Bortle. Fechei o Bar, apaguei tudo que dava e coloquei o APT (software para astrofotografia) para funcionar. Deixei o computador fazer o trabalho sujo da captura e fiquei um pouco com meu filho levemente febril. Definitivamente preciso fazer mais isto. Com um alinhamento polar bom consigo 45 segundos de exposição sem acompanhamento. Por cerca de 10 fotos. Depois um leve ajuste e mais um round agora apenas com 30 segundos de exposição.
M 7 -6 X 30seg -DSS Pix+PS

                Para finalizar uma rápida captura de M 7 que vai brotando por trás da aroeira. E claro, a lua com 99.6 % do disco iluminado.
                Sábado de Aleluia chega a outra cunhada com o marido francês e mais duas crianças. Churrasco. Não é motivo para entoar-se o Gloria. Para não aproveitar nada da temporada Eustaquiana monto Mlle. Herschel (minha montagem equatorial HEQ 5 pro) com a Canon e sua 18-55 mm “de fábrica". Em meio as carnes e os vinhos farei algumas fotos de caráter mais artístico. Uma espécie de Fairnbarns dos miseráveis. (Espero que ele me perdoe algum dia por isto.) Uma pena que com a lua cheia exposições muito longas sejam inviáveis. Com o alinhamento polar bom conseguiria exposições de 2 minutos facilmente com uma distância focal tão curta. Não sou muito de fazer composites. Mas tenho algum material para treino.
1 Frame 30 seg . Cruzeiro -PS - Percebam que a arvore é iluminada por uma luz fluorescente verde por baixo. Astrofotografia com luz de compensação de filme do Zé do Caixão... É dura a vida de um astrônomo amador.
                Acabo encurtando as exposições devido a uma noite mais nublada. E acabo aproveitando para testar as potencialidades de uma Tamaron 70-210 mm f4 que herdei. Faço varias fotos com a mesma e ela se revela bem superior a Vivitar 70-150 mm f3.8 que reformei recentemente. Não é uma lente Zeiss mas vai dar para o gasto. Meu sensor está precisando passar por nova faxina.  Infelizmente com o churrasco e com a casa muito cheia a casa se encontra muito clara. Luzes de todas as cores acesas e descubro que meu irmão e minha cunhada tem medo de escuro... Em uma varanda com pouco mais de 25 metros quadrados existem 10 lâmpadas e todas sempre acesas. Vergonhoso.
Tamaron Single frame- PS.-O sensor esta imundo...

Mimosa e Ngc 4755 -Tamaron @ 210 mm - 6X 30 seg- DSS+Pix+PS
Rubiacea.

                Mas a Tamaron localiza Ômega Centauro e a Caixa de Joias e faz interessantes composições. É bom fotografar em f4. Mas com ela toda aberta percebo algum cromatismo ao redor da Mimosa (Beta Crux). A lente mantém o foco conforme mudo a distância focal. Ponto para ela. Usando o APT faço varias brincadeira com um plano de captura para 10 fotos com 40 e depois 30 segundos de exposição. Apesar de nuvens passageiras muitas fotos são aproveitáveis. Infelizmente as fotos com a Tamaron esta noite foram capturadas apenas em Jpeg. Uma distração minha atribuída ao vinho. 
                Para encerrar a temporada apresenta-se um enorme halo lunar que vai se formando aos poucos. Minha 18 mm é pouco para abarcar sua imensidão com todas as honras necessárias para tamanho espetáculo.  Mas consigo o registro. Um halo enevoado e diferente.

                Resta empacotar as coisas e aguardar a manhã seguinte para esconder os ovos e depois voltar para Rio. Infelizmente as crianças estão em aula e a maior não pode mais faltar por razões tão mundanas. E o halo e o vento me dizem que o tempo vai nublar.
                Depois disto ainda é necessário “revelar” as fotos. Especialmente quando sua captura acontece em RAW (e deve acontecer) são muitas as possibilidades. As vezes penso em primeiro “brincar” com as imagens a serem empilhadas uma a uma no Camera Raw do Photoshop e depois empilhar estas “pré-tratadas”. Mas sempre me dá uma enorme preguiça e nunca o fiz...  Seguindo o curso normal todas as imagens de cada um dos alvos vão passar pelo DSS para serem “stackeadas” (adoro poder assassinar duas línguas simultaneamente com uma única palavra...) e posteriormente visitar ou o Fitswork ou o PixInSight para a remoção dos gradientes de fundo.  Reparei que o Fits, embora mais rápido e fácil, adiciona ruído as fotos após a remoção deste. O Pix, que possui uma interface mais complexa e é mais trabalhoso, apresenta   resultados melhores. Depois disto tudo ainda visitarão o Photoshop para os ajustes finais. E poderão ainda ir ao forno no Noiseware, mas este é um versão para lá de genérica e não chega a mudar muito as coisas. Geralmente eu realizo um stacking inicial no DSS com os frames integrais. E depois um segundo Stacking onde utilizo o drizzle para conseguir imagens mais detalhadas e ampliadas. Evidentemente que alguns DSO´s não nasceram para o processo de drizzle (Ngc 2516 é um exemplo clássico) pois ocupam uma região maior do frame do que a área admitida para o drizzle.   Abertos, em geral, (uma opinião pessoal) se descaracterizam um pouco no procedimento. Já Nebulosas Planetárias se beneficiam do mesmo.
                Ao longo do post vocês puderam observar algumas destas diferenças. O workflow das fotos finais está descrito sob cada foto.
                Que venha a lua nova. Estou louco para poder atacar o aglomerado de Virgem na Aporema adiada de Outono.  E capturar logo M 53 e M 68.

sexta-feira, 9 de março de 2018

Vivitar 70-150 mm f 3.8: Não façam o que eu faço e nem façam que eu digo



         A astronomia é uma ciência de muitas ciências. Na busca pelo entendimento do comportamento do céu a humanidade acabou por desenvolver a geografia, todos os ramos da física, da química e arrisco dizer que todas as ciências ditas humanas tem um pé no céu. Na verdade, não gosto muito desta dicotomia. Ao contrário de vários colegas, que dividem as ciências em exatas e em humanas, eu acredito que todas estas sejam humanas. Até que me apresentem alguma outra espécie capaz de fazer ciência e buscar entender leis universais ou não continua a Ciência sendo uma tarefa humana.  Estou junto com Humboldt ...   
Como nos disse Serviss em seu “Round the Year with the Stars”: Certamente não há nenhum outro campo da contemplação humana tão maravilhosamente rico como a astronomia! É tão fácil de ser alcançada, tão sensível a cada humor, tão estimulante, inspiradora, divertida e infinitamente consoladora. Nem todo mundo pode ser um químico, geólogo, um matemático, mas todos podem ser e devem ser, de uma forma modesta e pessoal, um astrônomo. Já que olhar as estrelas (star-gazing) é o grande remédio da alma”.
Mas o mais divertido na pratica astronômica é que você aprende muitas coisas sobre muitas coisas... Meu avô, que era advogado, advogava (sem medo da redundância...) que seu trabalho era estimulante pois a cada caso ele era obrigado a aprender sobre outros saberes. Em um famoso desmoronamento, que levou a muitas mortes, seu cliente foi responsabilizado pelo infortúnio. Depois de muito estudo e de praticamente tornar-se um engenheiro (segundo conta a lenda) ele descobriu que seu cliente (que era o calculista) havia sido levado ao erro pela geotécnica. Substrato errado, conta errada... Cliente absolvido.
A astronomia é muito desta forma para mim. Me faz torneiro, ótico, marceneiro... Apesar de admitir que o neófito deva procurar por outros astrônomos, buscar por um clube de astronomia (em tempos pré internet isto era ainda mais valido...) e etc... eu mesmo nunca o fiz. Sempre fui muito autodidata em meus hobbies. E mesmo em meu trabalho. Me formei em geografia e trabalho com elétrica móvel. Aprendi trabalhando e tomando muito choque. Felizmente sobrevivi. Nunca fui muito afeito a nada que cheirasse a escotismo (embora tenha chegado a escalar bem na juventude. Sobrevivi a isso também.)
O mar de ruido é fruto dos fungos. A imagem lavada idem. A foto foi uma unica exposição de 30 seg em ASA 1600. M 42 merece melhor sorte...

Embora as luzes do Vidigal não sejam um adversário a altura percebo  uma melhora evidente. A foto tremida é culpa minha e não da lente...


Desta forma quando ganhei diversas lentes de “herança” e descobri que uma delas se encontrava coberta de fungos achei que deveria procurar por um técnico para limpa-la. A forma como descobri que a mesma estava coberta de fungos já foi atípica. Bastaria olhar através da mesma contra uma lâmpada e a “teia” densa e branca seria mais do que obvia. Afinal todo o obvio é ululante.  Mas não foi assim.  Primeiro fiz uma montagem de carpinteiro para minha câmera. O jeito mais tosco que conheço para se montar uma câmera em Pigback em um telescópio. Este o Galileo. Que por sua vez é o telescópio com o bridge plate mais tosco que conheço. Apesar de tudo a foto abaixo prova que uma esquadria e pedaços de sarrafo permitem a pratica da observação e da astrofotografia. Para a montagem da câmera em Pigback foi acrescentado ao “embrulho” um nível de carpinteiro, um parafuso e duas porcas. Ao testar as lentes em uma noite maravilhosa percebi que a Vivitar 70-150 mm que havia ganho deixara muito a desejar. Aí então a apontei para uma lâmpada...

A lente que esta montada na foto não é a Vivitar. É uma Pentax 300 ED . Felizmente veio em excelente estado e sem fungos.. Não teria a coragem de fazer o mesmo que fiz com a Vivitar...  

Como já disse sou um autodidata. Além disto um autodidata “duro”. E pior... Um autodidata duro e pão duro.
Desta forma ao fazer uma rápida consulta a um amigo e este imaginar que a limpeza da lente não sairia por menos de R$ 300,00 eu comecei a pensar se não era hora de aprender como limpar lentes. Ou jogar ela fora. Você a vai encontrar por aí a venda por menos que isto... Na Amazon encontrei por 20 dólares e no Mercado Livre tem gente pedindo entre 165 e 500 reais. É uma lente “pé de boi”. Foi feita pela Vivitar entre 1976 e 1979. Foi um sucesso comercial. Com um multiplicador ela vira uma 300mm e mantém f 3.8. Apresenta bastante cromatismo. Especialmente em f 3.8. Se você busca por uma lente deste tamanho ela terá excelente custo-beneficio. A minha veio com uma baioneta para Pentax K. Mas é fácil conseguir adaptadores para Nikon e Canon. Ela vai ser uma lente totalmente manual. 
A grande maioria das pessoas vai lhe dizer que você não deve limpar suas lentes, espelhos ou qualquer coisa de seu equipamento astronômico. A menos que seja realmente muito necessário.  Pode ser verdade..., mas já limpei meu espelho primário e secundário. Continuam tão bons quanto novos e definitivamente melhores do que quando estavam sujos. Já descobri que na astronomia, assim como na vida, muitas pessoas dão conselhos sobre o que nunca fizeram E não fazendo nunca erraram.   E com uma lente condenada nas mãos era uma excelente oportunidade para se errar...

Camera Wrench

Em uma rápida pesquisa descubro que preciso de uma “câmera wrench” para abrir a minha Vivitar. Lógico que não a possuo e pesquisando descubro que não é tão fácil obter uma no Brasil. Teria que apelar para o Ali Express e este nada tem de expresso. Pesquiso mais um pouco e descubro que um cartão de crédito velho, devidamente cortado pode servir para o serviço. Não é verdade...

1a lente

2a lente

A observação é o começo do método... E assim fico olhando para a lente, de vários ângulos. Percebo que há uma (na verdade duas) ranhuras no que só poderia ser o anel de fixação da lente. Finalmente concluo que um compasso poderia ser utilizado para abrir a lente. Não funciona. Muito fraco. Penso mais um pouco e tento com uma caneta (que posteriormente se transforma em um clip de papel) ... E voilá.  A lente vai se abrindo. Retiro a primeira lente. Percebo as mesmas ranhuras no anel em torno da 2ª lente. Com jeito ela se deixa levar também. A 3ª não vai. Esta possui dois furinhos em vez de ranhuras... Preciso de uma ferramenta mais apropriada. Mais uma rápida inspeção pela casa e me deparo com uma “câmera wrench” muito mais eficiente que  o clip... Uma tesourinha de unha.   Apesar de não ser a projetada para tal ela é a “ferramenta certa”.  Faz o serviço sem danificar as superfícies óticas (embora arranhando um pouco o anel...).
3a lente

Leve arranhada... Esta é dificil de se recolocar no lugar... 

De posse das lentes é só remover os fungos...  Mas como?
 Igual a prato sujo. Agua e sabão...
 Limpo as três objetivas que tinha retirado bem com uma mistura de água e sabão neutro e seco e “esfrego” bem com Rosco paper (a ferramenta certa sendo usada pela primeira vez nesta missão...) Limpo as superfícies expostas que restaram na câmera. (Há mais um conjunto de  lentes Uma delas  teve a superfície externa limpa e a lente mais próxima ao obturador eu que não retirei e limpei também somente uma das superfícies a externa. Suas retiradas ( e de mais duas) implicariam em ter que retirar o anel de abertura e definitivamente preciso das ferramentas certas “mesmo” para tal.




A 2ª lente era, disparada, a mais coberta de fungos. Diria que 98 % dos fungos no conjunto se encontravam na mesma. Especialmente na superfície mais “externa” desta.
Deixo tudo secar bem e remonto. Reinstalar a 3ª lente não é tão fácil. Tem que entrar muito no esquadro ou a rosca fina acaba engripando pelo caminho e utilizar WD 40 não é uma opção.  Tudo de volta a lugar e não sobrou nenhum parafuso ou lente ou o que seja...
Olho com a lente montada para luz e não vejo mais nenhum fungo.   Tudo bem!!! Sobraram cerca de 1% destes que aguardam as ferramentas certas aparecerem para poder limpar a superfícies das lentes mais próximas ao obturador. Não sei se o farei. O ótimo é inimigo do bom ( mas me conhecendo é capaz que eu insista no erro...) . A lente já ganhou um  folego admirável.  




Este caso é um daqueles onde não recomendo nem que façam o que eu faço nem que façam o que eu digo. Mas a lente esta “quase” como nova... Se ela sobreviver as ferramentas certas que estou esperando talvez tenha 100% dos fungos removidos. Talvez fique como está.

quarta-feira, 7 de março de 2018

Ngc 3496, John Herschel e Tudo que Existe


             

             Ngc 3496 é um aglomerado padrão para o “Projeto Tudo que Existe”. Neste pretende-se registrar, seja visualmente seja fotograficamente, todo o Catalogo Ngc ao alcance de observadores nas proximidades do Trópico de Capricórnio. Não se espera nenhum tipo de qualidade nos registros e sendo possível diferenciar o DSO de uma roda de fusca 68 o registro é aceito.

                Ngc 3496 foi descoberto por John Herschel. Este, talvez, o único astrônomo que realizou um completo levantamento de nebulosas em ambos os hemisférios terrestres. Primeiramente re-observando todo o trabalho realizado por seu pai, William Herschel juntamente com sua tia Caroline e posteriormente realizando seu grande levantamento a partir de Cape Town.  O trabalho de John é uma versão 2.0 do que se propõe o “Projeto Tudo que Existe”. Em primeiro lugar por este ter observado em ambos os hemisférios. Segundo por ele ter descoberto e não apenas observado quase todas as entradas austrais do catalogo Ngc. E terceiro porque ele, de fato o fez...
                Agnes Clerk foi uma das maiores historiadoras da astronomia e em seu legado nos deixou um livro que quase todo apaixonado por Urania deveria ler. “The Herschels and the Modern Astronomy” de 1895.  Neste, depois de ter detalhado a vida e a obra de William e Caroline, aborda os trabalhos de John. Ela abre assim o primeiro capítulo da parte dedicada a este em seu lindo trabalho
                “O pequeno menino é divertido, cômico e promissor” Dr. Bruney escreveu depois sua visita a Slough em 1797. John Frederick Herschel era então um garoto de 5 anos o qual nascera “na sombra de um grande telescópio”. De pois de flertar com várias ciências ele se decidiu pela observação dos céus e um de seus primeiros feitos foi reexaminar as estrelas duplas descobertas por seu pai. Este mediu 380 das entradas originais de seu pai e fez diversas correções. Sua pesquisa com estrelas duplas foi parte importante de seus estudos durante toda a vida. Neste trabalho ele desenvolveu o conceito de “Astronomia do Invisível” ao descobrir que em muitos dos pares algumas destas estrelas já conhecidas possuía outra companheira e que a perturbação de suas orbitas indicavam revelavam massas obscuras- planetas de escalas colossais e possivelmente regiões para inimagináveis formas de vida.
                Com a morte do pai este resolveu organizar todos os papéis deste e re-observou todas as 2500 nébulas descobertas por este. Sendo que a metade destas era invisível para quase qualquer instrumento com exceção do seu.  Ele iniciou este projeto em 1825 e o concluiu em 1833. Neste processo ele ainda descobriu 3.347 estrelas duplas. Muita das quais extremamente afastadas para poderem ser consideradas dignas de nota...
                Em 1835 ele sentou praça em Cape Town e iniciou seu gigantesco levantamento de Nebulosas do céu austral. Ele vai se tornar o maior conhecedor destes e completar em grande estilo a trindade austral composta por Ele mesmo, Dunlop e Lacaille.
                A partir de seu observatório em Feldhausen John vai fazer uma colheita celestial que jamais será repetida por nenhum outro observador por meios puramente visuais na história da humanidade.  1.202 estrelas duplas e 1708 nebulosas e aglomerados dos quais apenas 439 já teriam sido observados. Seu estudo sobre as Nuvens de Magalhães vai constituir base para uma mudança de paradigma que só será encerrado por Hubble já no século XX.
                Não era uma das características mais marcantes de John uma prosa concisa. Podemos perceber isto pelo título de seu grande trabalho: “RESULTS OF ASTRONOMICAL OBSERVATIONS MADE DURING THE YEARS 1834, 5, 6, 7, 8, AT THE GAPE OF GOOD HOPE; BEING THE COMPLETION OF A TELESCOPIC SURVEY OF THE WHOLE SURFACE OF, THE VISIBLE HEAVENS, COMMENCED IN 1825.”
                Foi este o cara que descobriu o discreto e tímido aglomerado aberto aqui apresentado. Sua descrição não é exatamente apaixonada. " e, F, S, R, gb M". Ou seja : extremelly Faint , Small, Round, gradually brighter  Middle".  É classificado com III 1 M na classificação Trumpler. Como trata-se de um aglomerado do Projeto Tudo que Existe suponho que os que aqui estão lendo isto sabem o que significa. Senão olhem aqui...
                   A foto que aqui ilustra o elemento é fruto de um drizzle de 3 X feito no Deep Sky Stacker a partir de uma foto realizada com uma Lente Pentax ED 300 mm. Posteriormente revisitei o aglomerado com o Newton (meu refletor 150 mm f8). Com 240 vezes é um pequeno e delicado aglomerado que se apresenta de forma bem evidente embora pequeno. Resolvem-se pequenas estrelas bem concentradas e de algum colorido. Saber onde ele esta ajuda muito. É uma região bastante contaminada e rica e este poderia passar desapercebido por um observador desavisado.   Eu mesmo, certamente, já passara por aquelas bandas e não percebi nada. Céus escuros vão ajudar muito. Tenho minhas duvidas de ter percebido algo a partir da Stonehenge dos Pobres. É alvo para céus mais generosos. Quero testar o mesmo na próxima ida a Búzios. De Lumiar é modesto, porém presente.
Escondido no meio de tanta beleza. No canto direito da foto habita Ngc 3496...


                Não é um aglomerado muito estudado. Mas localizei um trabalho realizado por L. A. Balona e C. D. Laney (1995) "CCD Strömgren photometry of NGC 3496 and Melotte 105."
                Segundo estes no campo de nosso aglomerado podemos distinguir pelo menos duas populações: um grupo de idade intermediaria que inclui um pequeno número de estrelas tardias do tipo B ou jovens estrelas do tipo A e um grupo mais conspícuo representado por um ajuntamento de gigantes vermelhas. De um se deriva uma idade de 400 milhões de anos e do outro algo em torno de 640 milhões de anos. Cabe a dúvida a de serem fruto de eventos distintos que levaram a surtos de nascimento estelar ou de não se tratarem de   um aglomerado de fato.  Sua distância é de mais de 990 mil anos luz.  O trabalho se aprofunda na utilização de variáveis pulsantes como uma técnica mais eficiente e precisa para a determinação do estado evolucionário de aglomerados galácticos.


                Localizar Ngc 3496 não é difícil. Se encontra bem próximo a leste  da Grande Nebulosa de Eta Carina.  Mas lembre-se que ele demanda algum aumento para ser realmente percebido. Não espere perceber este pela buscadora. Será, na melhor das hipóteses estelar e não será uma das estrelas mais brilhantes na região.
                Os americanos têm um termo bom para quem irá atrás de um alvo como Ngc 3496. “DSO die-hard”.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

M 38 e o "Capitão Fantástico".


             

              Finalizando a saga dos aglomerados abertos Messier de Auriga cheguei até M 38. Foi uma longa espera... A foto que aqui apresento foi realizada em janeiro de 2016. Portanto passaram-se mais de dois anos entre a captura e a apresentação. Uma injustiça.
                M 38 termina a trilogia em grande estilo. Embora M 37 seja considerado o aberto mais interessante da constelação o meu favorito é M 38. Ele é mais dado e se resolve com menos aumento. O que me garante uma ocular maior e mais comodidade na hora de observar. E “favorito” é muito melhor que “interessante”. Recentemente vi um daqueles filmes que chegam a parecer ter uma lição de vida. E neste um pai, que pratica uma forma bem radical de homescholling e seus filhos educados pelo seu método, “crucificam “uma das irmãs mais velhas quando esta é chamada a descrever seus sentimentos pelo livro “Lolita”, de Nabokov, e declara que este é -Interessante. Esta é considerada uma palavra proibida. Uma “não-palavra”.  O dialogo no filme transcorre da seguinte forma (como sabem defendo que todo aquele que pretender se interessar mais a fundo em astronomia deve aprender inglês. Não há literatura sobre o assunto suficiente na língua de Camões e assim aqui será sem legendas.):
Kielyr: It's interesting.

Rellian: Interesting!

Bo: Illegal word!

Zaja: Dad, Kielyr said interesting!

Ben: Interesting is a non-word. You know you're supposed to avoid it... Be specific.

Kielyr: It's disturbing.

Ben: More specific.

Kielyr: Can I just read?

Ben: After you give us your analysis thus far.

Kielyr: There's this old man who loves this girl, and she's only 12 years old.

Ben: That's the plot.

Kielyr: Because it's written from his perspective, you sort of understand and sympathize with him. Which is kind of amazing because he's essentially a child molester. But his love for her is beautiful. But it's also sort of a trick because it's so wrong. You know, he's old, and he basically rapes her. So it makes me feel... I hate him. And somehow I feel sorry for him at the same time.

Ben: Well done.
                O filme chama-se “Capitão Fantastico” ( é o Ben do diálogo) . Creio já estar disponível para assinantes da Net now. Excelente programa para uma noite nublada.
                De volta a M 38 vou tentar ser o mais especifico possível.
                Como já foi dito trata-se de um aglomerado aberto residente em Auriga e a entrada numero 38 do catalogo Messier.  Esta é a trama ( the plot).
                Aprofundando a "parada" podemos começar dizendo que M 38 é um aglomerado aberto que foi descoberto por Hodierna antes de 1654 e posteriormente redescoberto por la Gentil em 1749. Messier o inclui em seu catalogo em 25 de setembro de 1764. Sua distancia da terra é de 3480 anos luz e sua magnitude aparente é de 7.2.  Segundo  a classificação Trumpler ele é um aglomerado tipo II, 2, r. Ou seja: apresenta um grau de concentração II ( destacado do fundo e com uma pequena concentração central), amplitude de brilho de suas estrelas 2 (moderada amplitude entre o brilho de seus membros) e r implica tratar-se de um aglomerado rico  (com mais de 100 membros).
                Messier o descreve assim: “ Aglomerado de pequenas estrelas em Auriga , próximo a estrela Sigma, pouco distante dos dois aglomerados precedentes ( M36, M37); este é de um formato quadrado e não contém nenhuma nebulosidade, se examinado com um bom instrumento. Sua extensão chega a 15´de arco.”
                Smyth em seu Bedford catalogue ( o segundo volume do clássico “Cycles of the  Celestial Objects”) nos apresenta um descrição bem mais rica e que eu adoraria ter sido capaz de elaborar: “ Um rico aglomerado de pequenas estrelas na coxa esquerda do “Carroceiro”, com um notável par ( nos tempos e Smyth estrelas duplas faziam muito mais sucesso que aglomerados) com uma primaria amarela de 7amag e  B 9 , amarelo pálida; possuindo uma pequena companheira a cerca de 25´´ a sudoeste. Messier  o descreve como uma massa de estrelas de formato quadrangular , sem nenhuma nebulosidade.  Mas é singular que o formato cruciforme palpável não tenha atraído sua atenção .  É uma cruz obliqua com um par de brilhantes estrelas em cada braço e uma mais conspícua junto ao centro; está seguida de uma mais fraca a seguir. O incomum formato do deste aglomerado lembra a sagacidade das especulações de Sir William Herschel sobre o assunto e favorece em muito a ideia de um poder atrativo localizado nas partes mais brilhantes. Apesar de seu formato não ser globular é claro perceber sua tendência a esfericidade...”

                Walter Houston, um século mais tarde, nos diz que “fotografias mostram um início de circularidade, uma característica bastante evidente para observadores visuais. Descrições mais antigas quase sempre mencionam um formato de cruz, a qual parece ser mais evidente em pequenos telescópios. Observando com um refletor de 24 polegadas, em uma noite seca no Arizona, mostrou-me ser o aglomerado de um formato irregular, e o posicionamento das estrelas fez inútil qualquer esforço para se achar uma figura geométrica”.
                Observando com o Newton (meu refletor de 150 mm f8) com 120 X de aumento e mesmo menos sempre me levam a pensar , vagamente, na letra grega Pi (p). Diversos outros observadores parecem ter a mesma impressão.

                Sendo localizado a 3500 anos luz podemos derivar um tamanho de 15 anos luz para M 38. Ele é um parceiro próximo de M 36. Sua estrela mais brilhante (Mag. 7.9) é uma gigante do tipo GO com uma luminosidade de 900 sóis. Víssemos o Sol de lá ele seria uma estrela de 14a magnitude. A gigante já queimou todo seu hidrogênio e deixou a sequencia principal. Isto no aponta uma idade entre 150 e 200 milhões de anos. Ele se encontra cerca de 1000 anos luz mais próximo que seus antecessores no catalogo Messier (M 36 e  M 37).

                Para localizar M 38 calcule o centro do pentágono que caracteriza Auriga. Você vai estar perto tanto de M 36 como de M 38. Com calma e tranquilidade escaneie a região com sua buscadora. Ambos se apresentarão para esta. Com atenção e algum dever de casa você vai saber quem é um quem é o outro.  M 38 é muito mais chamativo e charmoso. E, apesar do nosso Capitão Fantástico, observar os dois em série é um interessante programa para uma noite estrelada.  
 Assim como eu Stoyan defende que M 38 é o mais belo aglomerado da constelação. Vamos contra diversos autores que defendem M 37 como o galã de Auriga.  É uma questão de opinião.  

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

M 45: As Plêiades Reloaded

             
                     É evidente que já falei da Plêiades aqui no Nuncius Australis. É, provavelmente, o aglomerado aberto mais famoso do todo o firmamento. No post anterior foram apresentadas a diversas das lendas que surgiram da observação desta maravilha celestial e que encantaram quase todas as civilizações que já caminharam sobre a terra. Qualquer um que já tenha percebido o conjunto que habita na constelação de Touro não terá dificuldade para entender o porque de tanta fascinação. Eu sei que não será a última vez que falarei delas por aqui.
                Mas como o post anterior aconteceu em tempos imemoriais e minha biblioteca cresceu bastante desde então resolvi que seria de bom tom apresentar a opinião de autores mais recentes que os historiadores da Babilônia, da Grécia clássica, da China dos vasos Ming e etc...

Esticadas no PI...

                Mas antes disto preciso, em uma crise ufanista, apresentar uma lenda faltante. Justamente o registro das Plêiades pelos habitantes originais do Brasil.
                A constelação do Homem Velho (Tuya em tupi) é composta de três sub-constelações. Uma delas é M 45.  (As outra são as Hiades e as “Três Marias”). O Velho engloba em si estrelas pertencentes as constelações de Touro e Orion e Eridanus.
                Nossas convidadas são chamadas de Eixu. O Ninho de Abelha ou Vespeiro. Bem apropriado para aqueles, que com a vista apurada, como o nosso legendário cacique Aporema (Patrono e sócio do Nuncius Australis) conseguem resolver mais de 7 estrelas no aglomerado.
Como em diversas das antigas civilizações as Plêiades têm papel importante no calendário das etnias indígenas tanto no Sul como no Norte do Brasil. Seu nascer helíaco marca o início do ano e os Tupinambás o conheciam muito bem. Segundo d´Abbeville eles afirmavam que as chuvas iam chegar. Como a meteorologia na época era ainda mais incerta que atualmente eles sempre acertavam. Podia demorar um pouco mais ou um pouco menos, mas as chuvas acabavam chegando. E como Eixu aparecia antes das chuvas e desaparecia no fim para retornar em igual época, eles reconheciam o intervalo de tempo decorrido entre um ano e outro com relativa precisão.
Sem drizzle. Gradiente "removido" no Fitswork. Pouquíssimo pós. processamento.

                Tendo ratificado esta injustiça com nossos antepassados mais próximos posso dizer que este post vai ter um caráter astrofotogáfico mais completo. Afinal assim como minha biblioteca meu equipamento fotográfico também cresceu.  E se no primeiro consegui obter um esboço da nebulosa que parece envelopar nossas estrelas desta vez o registro foi bem melhor. Vejam que falei “melhor”. Nunca serei um bom astro fotógrafo. É uma arte que demanda muito capricho e como já ganho meu pão às custas de fotografia dificilmente quero investir o suor do meu rosto nos meus momentos de lazer. E assim astrofotografia para mim é a melhor diversão.  Embora existam diversos objetivos fotográficos que me são auto impostos e que parecem me inspirar e obrigar a capturas mais caprichadas do que a média. Foi assim com a “Cabeça de Cavalo”, M45 e espero ainda este ano conseguir registrar tanto a Roseta como pelo menos um pedaço da Nebulosa do Véu.  No mais geralmente a qualidade por mim imposta é a do “Projeto tudo que Existe”. Neste pretendo observar (o que for possível) e fotografar até o que não conseguir observar visualmente dos DSO´s listados por Dreyer no New General Catalog (todas os aglomerados, nebulosas e galáxias registradas até 1888). Mas sem nenhuma pretensão artística. Registrou e é possível diferenciar de um carro passando em alta velocidade esta valendo. Eu tinha por princípio só fotografar o que eu conseguisse perceber (ainda que de forma tímida) visualmente. Mas vendi minha alma na encruzilhada e atualmente me conformei que certos DSO´s só se entregarão para o Newton (meu refletor 150 mm f8) com auxílio de um sensor digital em vez de minha velha retina...
                E pulando alguns milênios de história desde o post anterior vamos ver o que Messier, autor do mais famoso e um dos primeiros catálogos clássicos (e ainda antes da revolução francesa), tem a nos dizer. É importante lembrar que as Plêiades ganharam seu nome mais atual graças a ele. M 45. Ou Messier 45.
                “Aglomerado de estrelas conhecido como as Plêiades. A posição dada é da estrela Alcyone”
2 Drizzle e Luminancia do DSS.



                Seguindo a cronologia de minha biblioteca vamos ver o que Smith nos conta no Volume II do “Cycles of Celestial Objects “(The Bedford Catalogue, 1881). Curiosamente este não apresenta uma entrada exclusiva para M 45. Mas ele dedica varias páginas a história ao redor destas em sua entrada sobre Alcyone. Na verdade, diversas das estrelas principais (as sete irmãs) tem entradas individuais em seu guia.  Ele ressalta que as “Plêiades são um celebrado grupo de estrelas, ou uma mini constelação, no ombro (?) de Touro.” E apresenta todos os nomes como estas são popularmente conhecidas pelos diversos europeus.
                A seguir teremos o Rev. Webb. Este logo na abertura de sua apresentação sobre a constelação de Touro em seu magnifico “Celestial Objeccts for a Common Telescopes” (1893) nos diz que esta é marcada grupos lindos e familiares de estrela. São estes as Hyades e as Plêiades. Mas destaca que nenhum dos dois agrupamentos é concentrado o suficiente para faze-los bons alvos telescópicos exceto com grandes campos. Ainda nos diz que 6 de suas estrelas são facilmente percebidas. E conta que Kepler (antes do telescópio) teria contado 14 estrelas e localizado com admirável precisão 11 destas.  Conta também que Von Littrow fala em 16 estrelas e garante que 11 destas são percebidas frequentemente.
                Dando um pulo temporal de mais de um século estes valores parecem concordar com as observações descritas por O´Meara em seu “Deep Sky Companion: The Messier Objects” (1998).
                Nenhum destes guias mais antigos fala na Nebulosidade que envolve o aglomerado e que é bastante evidente em volta de Merope. Isto serve para botar lenha na fogueira sobre a discussão se a nebulosidade em torno das Plêiades perceptível a olho nu. Mas Scot Houston (que escreveu a coluna Deep sky Wonders por décadas) garante que este feito não só é factível como tarefa simples... Tennynson em seu famoso poema Locksley Hall parece ter a mesma opinião já que fala em uma “trança prateada” ("Many a night from yonder ivied casement, ere I went to rest, /Did I look on great Orion, sloping slowly to the west. /Many a night I saw the Pleiads, rising thro' the mellow shade, / Glitter like a swarm of fireflies tangled in a silver braid.")  Eu com meu astigmatismo e sem óculos percebo só nebulosidade... Estrelas que é bom quando muito 4. Com os óculos chego ao conservador valor de 6.

1 exposição 30 seg.

                Mas a razão deste post é contar como consegui fotografar a Nebulosidade que envolve o aglomerado. Então vamos visitar o meu Guia observacional favorito. The Burnham´s Celestial Handbook” (1978). O Volume 3 para ser mais exato.
                Burnham dedica 21 paginas de seu tratado com M 45 e é o primeiro dos guias observacionais que possuo que aborda especificamente a nebulosa ou nebulosas em torno das Plêiades.  Em debate recente em um grupo de Astronomia! que participo em uma mídia social e que teve suas origens no pré-histórico ORKUT chegamos a conclusão que esta é a nebulosa mais próxima da terra. Embora seja discutível se esta é realmente associada as estrelas do aglomerado ou apenas uma nebulosa de primeiro plano ela ainda assim será muito mais próxima (400 anos luz) que M 42 (1500 AL) ...  Atualmente a nebulosa é por muitos considerada um alinhamento casual e a velocidade radial da nebulosa e das estrelas parece corroborar a tese. Mas há controvérsias. E imagens falam muito e o que se observa parece só permitir que não haja nenhuma relação entre a nebulosa e as Plêiades em si em uma grande armadilha das leis fundamentais do universo.
                Burnham acredita que estas são relacionadas. Lá pela 15 ou 16 pagina de sua apresentação ele cria um tópico específica para falar da nebulosidade envolvida. Ele começa chamando atenção para o fato do “aglomerado inteiro ser envelopado em uma tênue e difusa nebulosidade de uma grande extensão (a trança prateada de Tennynson) que parece brilhar por uma luz refletida. Esta nuvem cósmica pode ser elusiva visualmente apresenta muito detalhes peculiares com fotografias de longa exposição”. Fico muito feliz em perceber que minhas fotos não chegam a deixar muito a desejar quando comparadas com uma foto por ele apresentada como impressionante e feita com o astrográfo de 13 polegadas do Observatório Lowell. Na verdade, das fotos apresentadas no Handbook, a única que realmente deixa minhas experiências com mais de uma volta atrás foi feita pelo telescópio de 100 polegadas do Monte Palomar.  Em defesa da tese que a nebulosidade e o aglomerado são companheiro de fato ele apresenta que Slipher, em 1912, obteve espectros idênticos para a nebulosidade e para as estrelas do aglomerado.  
3 drizzle + Fitswork+ Photoshop. 

                Burnham ainda nos conta que a porção mais brilhante da nebulosidade envelopa a estrela Merope e se estende por cerca de 20´para o sul; ela foi primeiramente percebida por Tempel com um refrator de 100 mm observando de Venice em 19 de outubro de 1859 (portanto antes de Smith escrever seu livro.) Ele descreve esta como o efeito de ”um bafo sobre um espelho”. Lewis Swift também a achou detectável com um modesto telescópio de 50 mm com 25X. T.W. Backhouse confirmou sua realidade com um refrator de 114 mm,” ainda que para percebe-la tivesse que manter Merope fora de campo”. Por outro lado S.W. Burnham não achou nem sinal desta com o grande (18 polegadas) refrator Dearborn em Illinois. Desta forma a nebulosa foi considerada variável por um curto período. Com o advento da fotografia esta hipótese foi descartada e desde seu primeiro registro fotográfico (Paul and Prosper Henry, Paris 1885) nada parece ter mudado. Agnes Clerk, uma de minhas autoras favoritas e um dos motores da divulgação cientifica no início do século passado nos fala de uma impressão de que “as massas das nebulosas em vários instantes, parecem se estivessem sendo puxadas para fora da forma e sendo atraídas para guirlandas pela atração das estrelas vizinhas...”
                Depois de muito pesquisar achei que deveria me preparar para fotografar as Plêiades a contento. Ha alguns anos tinha feito uma foto onde se ensaiei perceber a nebulosidade, mas confesso que não ficara completamente satisfeito. A impressão que me dava é que a lente estava um pouco embaçada e não havia, de fato, o efeito e o registro desejado.
                Seguindo o conselho do Reverendo Webb e sabendo que o alvo é muito grande para o campo de meu telescópio escolho como arma mina zoom 75- 300 mm @ 300 mm f 5.6; assim garantiria cobrir todo o campo e ainda assim ter ampliação suficiente para com o recurso de drizzle oferecido conseguir destacar bem a nebulosa. Outro fator é que com apenas 300 mm o acompanhamento fica mais generoso e mesmo um alinhamento polar abaixo do perfeito consegue ser menos miserável para as fotos finais. Fotografando de Friburgo e sempre com pouco tempo as vezes as coisas têm que ser feitas com dá e não como deveriam ser feitas...
                Realizei 80 exposições de 30 segundos cada com ISSO 1600. Posteriormente reduzi estas a 71 apenas descartando as piores. Canon T3 montada em pigback em uma cabeça HEQ 5 pro. Sem darks, Flats ou Bias frames.
                As fotos foram empilhadas utilizando o Deep Sky Stacker. A primeira versão foi realizada sem drizzle. Ao sair do DSS percebi que havia capturado boa parte da nebulosidade embora a imagem não apresentasse a ampliação necessária para destaca-la. Ainda seria necessário também aplicar diversos processos no Photoshop para conseguir realçar a nebulosidade.  As imagens foram capturadas em RAW e o DSS me gera um arquivo TIFF. Acho que as imagens estão bastante cinzentas. Quase em escala de cinza. Como vou realizar vários tratamentos deixo a matriz assim e no Photoshop dou uma puxada no azul que costuma caracterizar as fotos da Plêiades e que são característica de suas nebulosidades. Não sei até que ponto isto é resultado do pós-processamento utilizado. Nas fotos do Celestial Handbook as coisas são P&B.
                Nas diversas imagens aqui apresentadas apresento o tratamento a que cada uma foi submetida nas  legendas abaio das mesmas.


                Como as Plêiades habitam muito próximas da eclíptica um sonho que tenho é fotografa-las de novo durante uma ocultação planetária.  Como disse no começo eu devo falar de M 45 de novo...
                   Por fim uma curiosidade: M 45 não possui numero Ngc. Nem IC. Mas a nebulosas em torno de Merope e  Maia possuem entradas no New General Catalog ( Ngc) . São Ngc 1435 e 1432 respectivamente. 

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Ngc 3324: A Nebulosa Gabriela Mistral


             Ngc 3324 possui a alcunha de Nebulosa Gabriela Mistral. É DSO dos mais charmosos. E é um alvo do meu “Projeto Tudo que Existe”. Apesar do nome ele é mais modesto do que se supõe. O existir é um conceito filosófico bastante amplo. Como sou simpático a Spinoza posso considerar que o existir é uma substancia. E a Substancia não pode ser sem existir. No caso existir é possuir um numero no New General Catalog. Um catalogo de nebulosa que cobre todos os aglomerados e nebulosa conhecidos até 1888.  Levando a filosofia mais a sério Spinoza nos diz (ou diz a um filosofo que não é amigo meu) que o desejo é a mola mestra do existir. Então quando olho pela ocular e quero (desejo) estar percebendo algo com substancia eu vou lá e tiro uma foto (geralmente mais que uma).
                Para ser considerado algo que existe eu devo conseguir fotografar a substancia que confere existência a um DSO. Existem entradas no Catalogo NGC que não existem. Não tem substancia e muito menos matéria. Para a entrada ser considerada basta haver algo registrado. Nada de fotos bonitas ou algo semelhante a arte. Deu pinta, valeu.
                Existem fotos lindas de Ngc 3324. Não é o caso.
           Observar a Nebulosa Gabriela Mistral é fácil. Percebe-la é outra coisa. É um apêndice a grande Nebulosa de Carina. E se perde na paisagem. Algo tipo M43.
O pequeno anexo no meio e abaixo é nosso alvo. 

                Há anos a conhecia, mas nunca a tinha percebido. Um belo dia levei uma foto Da nebulosa de Eta Carina feita com uma lente 300 mm para visitar o “Astrometry” e lá estava ela. Mais uma para o “Projeto Tudo que Existe”.  Na verdade, acho que ela vai merecer uma nova visita e uma foto com o Newton.  Ou não. Se pretendo registrar todo o catalogo Ngc não poderei ser Caxias e possivelmente preciso de um telescópio maior do que o que possuo.
                Ngc 3324 foi capturada durante uma sessão de fotos de sua mais atrativa e famosa vizinha ( Ngc 3372).  Depois disto foi apenas necessário realizar um drizzle de 3X no Deep Sky Stacker e a moça é menos um alvo na auto imposta missão de observar e/ou fotografar todo o catalogo Ngc.
                Gabriela Mistral foi o pseudônimo escolhido por Lucila de Maria del Perpetuo Socorro Godoy Alcayaga.  A escolha foi uma homenagem a seus poetas favoritos: o italiano Gabrielle D´annunzio e o provençal Frédéric Mistral.  Além de poetisa de mão cheia foi também uma educadora, diplomata e feminista extremamente ativa em seu Chile natal. São temas recorrentes em sua obra o amor pelos humildes e sempre demonstrou um amplo interesse por toda a humanidade. Em tempos obscurantistas como o que vivemos poderia ser confundida com uma comunista. Não era. Foi o primeiro escritor latino americano a ganhar o Nobel de Literatura em 1945. Não era, de fato, uma mulher de beleza marcante. Seu perfil realmente recorda ao formato da nebulosa. Um nariz pronunciado e uma testa grande são traços bem característicos...


                Ngc 3324 sendo um objeto extremamente austral não foi incluído em nenhum dos guias observacionais clássicos.  Foi registrado pela primeira vez em 1 de maio de 1826 por Dunlop. É um dos “100 de Dunlop” (Um dos 100 objetos mais interessantes do catalogo de mais de 600 entradas realizado por James Dunlop em 1826 a partir de Paramatta, Austrália). Curiosamente não foi incluída como uma entrada no Guia “Deep Sky companions; The Southern Gems” de O´Meara. Neste ele presentes uma seleção de objetos descobertos pelo “Astrônomo Cavalheiro de Paramatta”. Ngc 3324 é apenas citado rapidamente quando ele trata de Ngc 3293, um belo aberto muito próximo. Acredito que a Nebulosa Gabriela Mistral realmente sofre da “Síndrome de Vizinhança”. Para o observador visual e desatento ela será sempre uma pequena parte da Nebulosa de Eta Carina e não possuirá vida própria.  Dunlop com seu refinado olhar a destaca e esta é a entrada 322 de seu catalogo (D 322). Nesta ele nos diz: “estrela de 7 magnitude envolta em tênue nebulosidade”.  No Ngc a descrição é um pouco mais elaborada: “Bem brilhante, bem grande, irregular brilho tênue. Estrela dupla envolvida.”  É interessante destacar que nenhum destes se refere a um aglomerado embora quase todas as fontes atuais e mapas se referem a Ngc 3324 como um aglomerado. Mesmo em nossa modesta foto pode-se perceber um humilde aglomerado.
Catalogo Dunlop  


                Atualmente Ngc 3324 se confunde com IC  2599. A entrada o Index Catalog é a parte mais sul do aglomerado. Ou talvez como é muito comum no Ngc e no IC antes de sua revisão estes são o mesmo objeto. Um atende pelo aglomerado e o outro pela nebulosidade.  Trata-se de uma região HII localizada a 7200 anos luz de nós a noroeste de Ngc 3372 (A Grande Nebulosa de Eta Carina. É local de intensa formação estelar.
                Achei em varias fontes que Ngc 3324 é também a nebulosa da Fechadura. Mas não são o mesmo o objeto de forma algum. A fechadura se encontra muito mais próxima de Eta Carina ( Uma estrela variável eruptiva e muito temperamental)  e reside quase no centro de Ngc 3372. Já 3324 se encontra vários campos telescópico a noroeste desta. E apesar de parecer ser apenas um apêndice da grande nebulosa Ngc 3324 se encontra quase 2000 anos luz mais distante. Ela é um ente distinto embora no mesmo braço galáctico.


                Espero revisitar Gabriela o mais rapidamente possível e fazer imagens com maior aumento utilizando meu telescópio. Mesmo porque além de ser membro do Projeto Tudo que existe é também membro do 100 de Dunlop e, portanto, parte do material para o novo livro que quero organizar sobre estes objetos e sobre um dos Astrônomos mais injustiçados que conheço. 
                   As fotos que ilustram o post foram realizadas com uma Canon T3 e uma lente Pentax 30 mm ED montadas sobre uma cabeça equatorial HEQ 5 pro. São resultado do empilhamento de 12 fotos com 30 seg. de exposição ISO 1600+ 6 dark frames. Ngc 3324 é um Drizzle 3x sobre uma foto que engloba toda a região de Eta Carina. Após o processo de empilhamento e drizzle foi ainda tratada no Fitswork e no Photoshop.