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terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Fotografando a Cabeça do Cavalo

              


            Ritos de passagem são celebrações  que marcam a mudança de status  de um individuo perante sua comunidade e /ou ele mesmo . São eles que marcam momentos significativamente importantes na vida de uma pessoa.  
                Geralmente são associados a praticas religiosa e/ou culturais. Entre alguns povos os jovens , ao atingirem a puberdade, devem inserir sua mão em uma luva feita de palha e recheada de formigas de fogo.
                São ritos de passagem  comuns para um carioca nascido no  seculo XX:
Ø  A primeira comunhão
Ø  A primeira cerveja
Ø  A Primeira transa.

                Depois disto vem mais mais cerveja , mais sexo e finalmente o casamento  e os filhos. O casamento e os filhos são ritos de passagem que só terminam com o passamento do cidadão.
                Assim como nas ditas culturas "mais primitivas" a astronomia também tem seus ritos de passagem . Quem já viu um astrônomo de joelhos tentando chegar até a ocular para observar uma obscura galaxia próxima ao zênite vai entender  bem que a religião e a ciência podem ter um parentesco remoto  evidente.
                Alguns ritos de passagem para o Astrônomo Amador :
Ø  Identificar o Cruzeiro do Sul ( astrônomos abaixo do equador...)
Ø  Observar a Lua com Telescópio.
Ø  Observar Júpiter , Saturno e os planetas em geral...
Ø  Observar a Grande Mancha em Júpiter
Ø  Observar a Caixinha de Joias
Ø  Observar Omega Centauro
Ø  Observar a galaxia de Andrômeda
Ø  Aprender a realizar o alinhamento polar de uma cabeça equatorial

             O alinhamento polar é algo como meter a mão na luva cheia de formigas. Você já esta  autorizado a pensar em astrofotografia. Assim como a astronomia a astrofotografia é como um teatro da vida.  E assim têm seus próprios ritos de passagem.
             Na astrofotografia existe   um importante rito de passagem: a compra do equipamento. Sem este não tem  brincadeira .  Hoje em dia com um investimento modesto você vai conseguir fazer fotos da Lua. Um pouco mais dos planetas. Mais ainda vai poder fazer da Lua , dos planetas e de DSos mais brilhantes. Mais grana  vai conseguir fotografar quase qualquer coisa.

             Com o dolar a R$ 4,00  um pacote completo para astrofotografia vai estar saindo por algo em torno de R$ 10.000,00. Talvez você consiga gastar um pouco menos . Comprando tudo separadamente e declinando de um sistema de acompanhamento... De uma olhada neste pacote oferecido por uma tradicional loja brasileira. http://www.armazemdotelescopio.com.br/loja/index.php/telescopios/ed80azeq5asi120mc-detail   .  É sempre bom lembrar que uma boa montagem é sempre uma boa montagem...
             Acrescente aí o preço de uma câmera DSLR low end e você estará apto a fotografar todos os ritos de passagem acima citados ( O Cruzeiro do Sul , a Lua ( com detalhes...) Os planetas, a Caixinha de Joias ( Ngc 4755)  Omega Centauro , A Galaxia de Andrômeda , todo o catalogo Messier e muito mais...) .
             Depois disto você pode novamente tentar meter a mão na luva de formigas .
             Você vai querer  fotografar a Nebulosa cabeça de Cavalo em Órion.  O São Jorge extra-lunar . B33 e/ou IC 434.
             Este foi um rito que durou anos para mim. Uma espécie de vestibular onde levei pau diversas vezes.

Esta foto foi realizada a partir do autosave ( com drizzle) original feito no DSS e que gerou diversas das demais fotos aqui apresentadas. Porém anos depois da captura inicial e foi trabalhada no PixINSight.  Percebe-se muito aberração cromática. O maior poder de processamento mostra mais detalhes mais também ressalta defeitos. As Lentes da Serie EF da Canon são de qualidade mais baixa... 

             Sendo uma foto que você vê em diversas revistas , fóruns e paginas da web é possível que você acredite ser uma tarefa simples.  Mas conseguir fazer esta foto é a culminância de uma longa curva de aprendizado.  Um rito de passagem.
            
              A tal curva de aprendizado a que me referi acima se inicia no momento em que você começa ao observar frequentemente os céus utilizando algum tipo de equipamento óptico. Ao longo desta curva você vai passar por dois momentos muito importantes. Um é entender como funciona uma cabeça equatorial e como funcionam os céus. Depois disto você vai sintetizar isto em um rito de passagem chamado de alinhamento polar. Neste momento sua cabeça equatorial , seja ela qual for , será capaz de acompanhar ( em tese) o movimento dos astros sendo corrigida apenas em um eixo. Acho importante lembrar que quanto melhor for sua cabeça equatorial mais fácil será realizar o alinhamento polar e melhor será o acompanhamento das estrelas pela cabeça.  Sei que é possível conseguir resultados muito bons mesmo com uma cabeça equatorial Eq1. Especialmente em fotos com grandes campos e utilizando-se lentes e/ou telescópios de pequena distância focal. No meu caminho eu só comecei a obter resultados com um minimo de dignidade utilizando uma Eq 3-2. A exceção são fotos da lua. estas podem ser realizadas mesmo com tripés fotográficos utilizando-se até  telescópios de grande distancia focal com barlows ( Uma lente que "dobra" a distancia focal destes) .
             Na minha batalha para fotografar a Nebulosa Cabeça de Cavalo eu descobri que objetos tênues e de caráter mais fotográfico que observacional implicam em tempos de captura muito maiores do que utilizamos em DSO´s brilhantes e facilmente visíveis de forma visual. Desta forma aprendi que uma cabeça com Go-to realmente ajuda muito a realização de tais projetos. Importante dizer que o iniciante deve evitar iniciar seu caminho utilizando-se de tal recurso. Ele deve aprender a navegar entre as estrelas ( o prazer da caça..) antes de utilizar a tecnologia para fazer o trabalho por ele.
             Sempre que imagino a foto da cabeça de cavalo me vem a mente uma imagem muito maior . Imagino sempre um quadro que engloba a banda sul da constelação de Órion. Nesta foto se apresentam diversos DSO´s. M 42, Running Man nebula, A nebulosa da chama e diversos abertos compõem a cena.  Destas a mais difícil de "imprimir" é a Cabeça de Cavalo. também conhecida por B 33. O primeiro a perceber esta nebulosa escura foi E. Barnard.
             É atrás desta foto que vou desde o começo.
             Desta forma determino a escolha do equipamento. Minha Cabeça de cavalo será fotografada utilizando minha zoom 70-300 mm. Assim poderei ter um caampo bem maior que com meus telescópios e uma razão focal mais veloz.
             Minha primeira tentativa foi ha alguns anos atrás e o resultado abaixo demonstra claramente que falhei. Compareceram diversos dos DSO´s citados mas nada da cabeça. Na verdade apenas M42 ( e 43) e os abertos da região se apresentaram de fato. Posso suspeitar a presença da Nebulosa da Chama.  A foto foi feita com minha Eq 3-2 com motorização em ambos os eixos.  Algumas dezenas de fotos com 30 segundos de exposição em 1600 ASA.


             Depois deste fracasso minha Cabeça de Cavalo foi para pasta de projetos futuros por um bom tempo.
             Com a chegada de Mme. herschel e com uma fatura de mais de R$ 3000,00 a ser paga achei que era hora de justificar o investimento. Era hora de começar a fotografar as coisas que nunca tinha fotografado.
             Quando iniciei na astrofotografia tinha estabelecido uma meta. Fotografar todo o Catalogo Lacaille.  Com este "na lata" ( na verdade falta M 83...) . Era a hora de partir para outro projeto. Desarquivei a Cabeça de Cavalo.
             No fim do ano de 2015 parti para Búzios com tudo que precisava para tal projeto. Inclusive uma lua nova no céu.
             Na noite da primeira tentativa eu, ingenuamente, acreditei que a nova cabeça e sua maior capacidade de acompanhamento fariam o truque quase sozinhas . Para garantir  eu realizei 90 fotos com trinta segundos de exposição. ASA 1600. 45 minutos de exposição total. Metade de um jogo de futebol.   Foi pouco!!   Muito para o que sempre faço!!! 
              A preguiça é um pecado capital na astronomia  também...
             A noite não estava com uma boa transparência e o tempo total de exposição não foi sequer próximo do que eu necessitava. Mesmo a Nebulosa da Chama compareceu timidamente.

             Na verdade capturar a Nebulosa da Cabeça de Cavalo é capturar IC 434. Esta é a Nebulosa de Emissão contra a qual B33 aparece estampada. Na Verdade a Cabeça de Cavalo é uma nebulosa escura que "apaga" IC 434 mais ao fundo. O nome é claro:  Nebulosa escura. IC 434 é bastante tênue e com uma grande área apresenta um brilho de superfície bem baixo...  
             Dois dias depois eu achei que a condição  de transparência havia melhorado. Para garantir o sucesso achei melhor realizar 200 exposições de 30 segundos . 


            Fiz 217 exposições de 30 segundos com ASA 3200.  Me ocorreu processar a Cânon caso não arrumasse nada desta vez. Afinal a tal da eficiência quântica de meu sensor deveria registrar até mesmo assombração desta forma.  
             Realizar centenas de exposições de um mesmo objeto com uma cabeça equatorial implica em um outro problema logístico e geografico.  Ou todas elas acontecem antes do objeto realizar seu trânsito naquela noite ou depois. Isto significa que ou todas as fotos acontecem antes ou depois do objeto cruzar o Meridiano. Ou ele esta "Nascendo" ou " se pondo".  Claro que você pode realizar a operação em dois ou mais dias. Não gosto da ideia...
             Ao se observar uma única exposição pode parecer que deu errado. Ou você fez exposições enormes que implicam em um alinhamento polar perfeito , uma montagem sem erro periódico e mesmo assim um sistema de acompanhamento que não possuo.


             Como trabalhava com uma lente de 70 mm o erro periódico passava disfarçado . Mas o alinhamento polar teria que ser digno. Ele foi! Não fui obrigado a corrigir o quadro  nenhum momento , as estrelas estão redondas e o DSS aceitou todos os frames.  
             O Plano foi começar cedo a fim de ter o máximo de tempo antes de B33 cruzar o meridiano. Começando assim que o céu se tornou escuro o suficiente para saber para onde olhava consegui ir de 20:50 até as 23:15. Entre capturas , intervalos e etc... foi possível realizar uma exposição total de 108 minutos e 30 segundos. Uma hora,  quarenta e oito minutos e trinta segundos.
             Aí vem a outra parte da astrofotografia e outros ritos de passagem... O pós processamento.
             Sempre achei que você deveria pegar leve no pós processamento  para evitar que sua foto virasse pintura. E como sempre registrei objetos bem claros isto me parecia uma verdade. Não é.
             Depois de realizar o processo de "stacking" ( empilhamento) das 217 fotos no Deep Sky Stacker ( DSS) percebi que havia capturado a Cabeça do Cavalo.  Mas estava assim . Não era exatamente uma brastemp.
             E assim fui me dignar a brincar de pós processamento com alguma seriedade.

             Começando com a resultado que obtive parti no DSS levei minha foto para o Photoshop onde um ajuste de Niveis melhorou um pouco as coisas . Mas ela continuava discreta. O cavalo estava mais para potro...  Então uma visita ao fitswork melhorou ainda mais o processo . Existe em um dos menus deste uma opçao chamada "Normalizar Nbulosas". Ajuda muito. 
             Mas ainda queria mais. Fui forçado a admitir que o pós processamento é importante e um mandamento:
                   "Só através deste conseguirei extrair detalhes de outra forma impossíveis."

             Um outro rito de passagem moderno é a especialização.  Acho importante lembrar que a astrofotografia é um ramo da astronomia. Eu sempre acreditei em um olhar amplo sobre as coisas . Holístico.  E assim preciso me lembrar sempre que dento de "minha" astronomia a fotografia não pode ser um fim.
             Mas me vejo obrigado a sempre lembrar de utilizar diversas oculares  e "ver" o que pretendo a observar.
             A Cabeça de Cavalo é algo que nunca observei. Mas ficará no HD o projetoi de vê-la visualmente.    A final a fotografia  um exercício fundamentalmente do  sentido da visão. Um sentimento.  Do verbo sentir.
             Para encerrar gostaria de dizer que depois de um rito de passagem sempre tem outro rito de passagem.  O ultimo é a morte.
             Então posso incluir mais dois mandamentos na astrofotografia:
Ø  Muito tempo de exposição . Não seja preguiçoso na captura.
Ø  Capturar bons frames subexpostos
Ø  Aprender a usar os softwres de pós proceessamento

                Realizar centenas de exposições sera o caminho. Depois garantir que estas foram realizadas com acompanhamento , no minimo , bom. Estudar e testar seu softwares .
                Quanto ao  ultimo rito eu ainda estou em observação., mas já aprendi algumas coisa que podem ser uteis :

Ø  Ao realizar o Stacking com  o DSS utilize  o metodo HDR. Especialmente se você possuir muitos frames.
Ø  Não são necessário milhares de dark frames. Bias e flats idem. ( Destes não fiz nenhum. - Já falei que a preguiça é um pecado?) 
Ø  Usar o Drizzle é importante. Ajuda muito com relação a problemas de acompanhamento e permite você obter resolução  utilizando distancias focais menores. 
Ø  Testar todas as possibilidades de pós processamento e procurar novas soluções. Conheça os softwares. E venho vivendo de uma dieta de DSS+ Fitswork ( outro Freeware)+ Photoshop CS 5  e  Noiseware.
               
                               
                E como não poderia deixar de ser:
                               -Fotografei a Horsehead.  Olalao oila!  Hoje é dia de festa!!  Dos tequilas, por favor.!!!
               
                               





quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

M 104- Uma Fotografia do Sombreiro

                  

                       M 104  pode ser chamada de a "primeira entrada da póstuma" do Catalogo Messier. O original , publicado no Conossaince dus Temps, termina em M 103. Sua entrada "oficial" só ocorreu em 1821 quando Flammarion , de posse da cópia pessoal de Messier, encontrou uma nota  escrita a mão.  A descoberta se deve a Mechain e foi feita em 11 de  maio de 1781. É a única entrada além de M 103 aceita por Burnham em seu " Celestiall Handbook" e a anotação de Messier na sua cópia pessoal justifica sua presença no catalogo acima de qualquer questão ética. Não ha duvida de que ele observou o objeto. Nesta anotação ele descreve a galaxia como " Uma nebulosa bem tênue." Herschel a descobriu de forma independente  em 9 de Maio de 1784. É possivelmente o primeiro a perceber a grande faixa de poeira que torna M 104 tão característica.

33 frames empilhados pelo método HDR no DSS 2X Drizzle + PS CS apenas para converter em Jpeg. Noiseware para melhorar o ruido. 

                Com um bojo central muito preponderante ela é um objeto de caráter quimérico na classificação Hubble de Galaxias já que o bojo dominante indica uma coisa mas a presença de poeira demonstra um grau mais evoluído no ramo das galaxias espirais.
                Foi ainda uma das primeiras galaxias a ter um grande  desvio para o vermelho medido e afastando-se de nós a 1120 km/s foi um dos pregos no caixão da tese  de que as nebulosas espirais fariam parte de nossa galaxia. Durante o seculo XIX sua aparência levou muitos astrônomos a acharem que tratava-se de uma grande estrela "arrodeada" de um disco proto-planetário. Foi ainda a primeira galaxia , alem da nossa, onde foi confirmado movimento de rotação. Vesto Slipher ao estudar seu espectro registrou que um lado dela se afastava de nós enquanto o outro se aproximava...
Esta ainda seguiu ao Fitswork onde foi reduzido o gradiente de fundo e teve o ruido mais tratado...

                Parecendo ser afeita a confusões sua distância já foi alvo de controvérsias. Enquanto encontrei tanto no "Messier Objects " do O´Meara quanto na pagina da SEDS distancias entre 50 e 70 milhões de anos luz fontes mais recentes ( Hubblesite. org e Wiki...) falam em algo ao redor de 30 milhões de anos luz. De qualquer forma é uma habitante das margens do Grande Aglomerado de Virgem.  Imagens do Hubble registraram um enorme sistema de Globulares . Cerca de dois mil . Dez vezes mais que em nossa galaxia. Possui seu próprio grupo e algumas pequenas galaxias a acompanham por aí .


Esta é igual a que abre o post mas ainda mais simples ; Não visitou sequer o Noiseware.Foi utilizado o DSS no método de proporção  e 3X Drizzle. Depois o nivel foi ajustado no PS CS5  e o arquivo convertido para Jpeg. 

                M 104 é uma das mais interessantes galaxias para possuidores de pequenos telescópios. Apesar da Wiki  nos dizer que  é necessário, no minimo, um telescópio de 250 mm para se perceber o disco de poeira da galaxia eu posso garantir que ele é visível com um modesto refrator de 70 mm f 10 com 90X de aumento. Eu vi e tenho outras testemunhas que viram também. Garanto mais testemunhos que nos casos do ET de Varginha e de Roswel somados... 
                Sendo tão brilhante e cheia de detalhes M 104 foi um alvo obvio para eu tentar realizar minha primeira foto de uma outra galaxia ( Andrômeda não conta...) .
                Fotografar outras galaxias ( e nebulosas mais discretas...)  exige um exercício de captura  um pouco mais refinado que os meus já conhecidos aglomerados . Abertos ou Globulares. Para se obter algum tipo de detalhe  descobri que é necessário um tempo bem maior de captura , condições atmosféricas no minimo aceitáveis e se possível pouca poluição luminosa...
                Na madrugada do dia 8 de janeiro de 2016 a maior partes destes pressupostos pareciam ter se reunido sobre a Armação dos Búzios.
                O equipamento utilizado foi uma câmera Canon 3T não modificada regulada para 3200 ASA, um telescópio Newtoniano de 150 mm f8 (conhecido como Newton) e uma montagem equatorial HEQ 5Pro da Skywatcher. Todo este equipamento pode ser considerado bastante modesto para  missão. Já fotografei muito com uma Montagem 3-2 com motor drive em ambos o eixos. A minha vida se tornou bem mais simples e as fotos melhores com a aquisição da nova cabeça ( batizada Mme. Herschel).
                M 104 é um bom alvo para se iniciar na astrofotografia de galaxias por um motivo bem simples . Ela é um bom alvo para você se iniciar na observação de galaxias. Com um brilho de superfície alto ela é facilmente percebida na ocular ( no caso uma plossl 17 mm) mesmo com visão direta. Com olhos treinados e com pouca luz você vai notar ela mesmo em sua buscadora.
               
                Depois de enquadra la e de refinar a máximo o foco eu começo a captura. Alguns truques podem ajudar nesta hora.
                O foco no Newton é bem difícil . Primeiro utilizo uma estrela bem brilhante e que eu consiga perceber no live view da câmera. Depois de fazer o foco por esta estrela ( neste dia foi Aldebarã) eu marco o tubo do focalizador com uma fita branca. Depois de localizar a galaxia com o uso do go-to de Mme. Herschel eu substituo a ocular pela câmera e movo o focalizador para a posição marcada. O focalizador do Newton é de cremalheira e bem tosco. O foco é difícil e de precisão bem aquém do que eu gostaria. Assim que tiver algum dinheiro sobrando ( se tiver...) comprarei um focalizador melhor.  Depois faço uma primeira foto e ajusto a diferença o melhor possível.
                Como não possuo um sistema de acompanhamento utilizo uma técnica simples mas eficiente para que se a precisão do acompanhamento não chegar na casa dos pixeis pelo menos sobreviva na região dos milímetros... Como vai-se capturar varias dezenas de frames não realizar nenhum sistema de correção levará a desastres como da foto abaixo.  

                   Então marco o núcleo da galaxia no LCD da câmera com auxilio de uma seta de papel ou fita e corrijo o desvio causado pelo erro periódico e/ou um alinhamento polar menos que perfeito a cada poucas exposições. Neste caso de 25 segundos cada uma.
Sistema de "acompanhamento" tabajara...
                Depois de tudo isto começa a função do pós processamento. Este é bem maior e mais delicado quando tratam-se de tênues galaxias ou nebulosas.
O Famoso "over processing". Visitou todos os programas e não sei bem ao certo o que foi feito em cada um deles. Depois sofreu um crop no PS... 

                Geralmente o processo começa no Deep Sky Stacker ( a menos em capturas bem descompromissadas que podem começar e terminar no Rot n Stack...).
                Foram feitas 48 imagens de M 104 ( Light Frames daqui para frente) . Depois capturei mais 8 Dark frames ( são fotos feitas com  telescópio fechado e com o meso tempo e ASA da captura utilizada nos light frames). Estes servem para calibrar a exposição e a eescala e cinza da foto final. Não utilizei nem Flats nem Bias. Estes também servem para calibrar a foto final...
                No DSS existem vários set ups possíveis. Utilizei tanto o método de Proporção como o HDR.  Com alguns set ups foram aceitas todas a fotos capturadas. Mas com um threshold um pouco mais alto foram aproveitadas apenas as 33 melhores. Com isto as exposições finais ficam em 12 minutos.
                Geralmente faço um pequeno ajuste nas saídas RGB ainda no DSS. Dai salvo um arquivo TIFF  16 bits .
                As fotos  seguiram  para o Photoshop CS 5 onde fiz um pequeno ajuste de níveis e curvas .
                Depois uma visita a o  Fitswork onde foram utilizadas diversos recursos. Algumas delas ainda visitaram em algum momento do processo o Noiseware.  
                     Utilizar ASA 3200 é uma faca de dois gumes . Diminuo o tempo de captura necessária e assim posso conviver com um tempo de captura mais modesto . Mas o ruído..,É muito ruído.
                     Os resultados são visíveis ao longo deste post. Embaixo de cada uma das fotos esta a legenda descrevendo os programas e técnicas que utilizei. Nunca sei ao certo qual é o melhor resultado final com certeza. Nem mesmo o   "menos ruim".

Astrofotografia, Galáxias, Nebulosas , Aglomerados e Champagne

      


        O fim de ano foi novamente nas terras de José Eustáquio , o mitológico  primeiro  astrônomo da Armação dos Búzios. Como não poderia deixar de ser neste período do ano a chegada foi regada mais a  champagne do que a  astronomia. 
                No dia 4 a casa já ia mais vazia e a lua mais minguante e finalmente me digno a montar Mme. Herschel e o Newton ( uma montagem equatorial HEQ5 Pro e um Refletor de 150 mm f8 respectivamente). Não que os primeiros dias do ano tenham passado em branco. Entre um copo e outro eu as vezes me esticava em uma cadeira de praia e brincava com a buscadora 8X50. Me sentia como José Eustáquio, Silvano Silva e o patrono de todos: Lacaille. Com minúsculos aumentos e uma ótica duvidável explorava pequenos esfuminhos pelo céu e me divertia nos grandes abertos que adoram buscadoras. E assim passava vários minutos passeando pelas Híades , Plêiades e outros aglomerado mais obscuros na cauda do Cão Maior. Me divertia em ver M 41 de forma discreta e M42 como um modesto borrão.
                De volta ao dia 4 me deparo com a triste realidade . Havia esquecido o pino que fixa a cabeça ao tripé. Gritos , xingamentos e culpas mais tarde me conformo e volto a buscadora. Na manhã seguinte vou até "O Parafusão" ( a melhor loja de ferragens em um raio de vários quilômetros...) e consigo resolver o problema. Um parafuso e uma arruela fariam o truque.
                Ao anoitecer as nuvens dominam todos os horizontes. Mas como sou teimoso vou em frente. Realizara o alinhamento polar de forma a deixar José Eustáquio orgulhoso. Simplesmente apontei o eixo polar para onde sabia que deveria estar o sul e com o auxilio do "Angle Meter" ( um app que agora habita meu celular) cravei 22 quase 23 graus. José embora tenha vivido no seculo XVII era um amante da tecnologia...  E voilá. Exposições de 25 segundos  por entre as nuvens com estrela "quase" sem rastro.
                Com o horizonte leste com alguns clarões entre as nuvens realizei o alinhamento da buscadora utilizando M 42. Pode parecer estranho utilizar um DSO para alinhar uma buscadora mas tenho feito isto frequentemente. É bem mais fácil navegar com a ocular 25 mm em campos conhecidos e ricos em estrelas do que em busca de uma estrela solitária. Para alinhar o go-to de Mme.Herschel utilizei Sirius e Alcyone. Em geral tenho utilizado Sirius e Aldebarã mas resolvi variar. A precisão do mesmo ficou bastante satisfatória. Conhecendo o backlash da mesma sempre conseguia ter meus alvos dentro do campo de minha ocular de 10 mm. Muito bom mesmo... Aproveito que já estou pela região e visito tanto as Plêiades como as Híades com mais aumento. Ambas são alvos que definitivamente ficam melhores na buscadora que no Newton.
                Com muitas nuvens no céu e com Órion em um buraco entre estas não poderia deixar de iniciar a primeira noite de observação deste verão com M 42. Fiquei um bom tempo namorado a Grande Nebulosa utilizando minha 25 mm. Depois parti para a 10 mm para imagens mais ginecológicas do Trapézio ( uma estrutura formada por 4 estrelas que reside no centro da nebulosidade...) . Chamei minha esposa para dar uma olhada nesta beleza e ela pareceu tão encantada como sempre. Não muito.


             

   Foi interessante fazer algumas fotos de M 42 lutando contra as nuvens. O resultados  demonstram bem quão nublada estava a noite.

                Provavelmente saudoso das histórias de José Eustáquio e com a Popa da finada constelação de Argos em boa posição entre as nuvens me deparo com Naos , a estrela que deveria ser Alpha Puppis mas que não é pois como a Constelação de Argos foi desmembrada por Lacaille a popa da navio dos Argonautas se tornou uma constelação inteira e que tem como estrela mais brilhante Zeta Puppis ( outrora Zeta Argus)... 
                Na popa do Barco que conduziu os Argonautas em sua busca pelo velocino e na Armação do Búzios só me restava lembrar do mitológico José Eustáquio , um pescador astrônomo e que que se referia a aglomerados abertos como cardumes de estrelas. E desta forma me lançar a uma pescaria de corrico celestial.
                Premiado pela minha insistência acabo por conseguir observar e fotografar  3 belos abertos nos arredores de Naos. Ngc 2477 era um dos últimos objetos do Catalogo Lacaille que me restava fotografar. Não é mais... Este forma com Ngc 2451 uma espécie de aglomerado duplo e que podem ser observados no mesmo campo com binóculos ,buscadoras e mesmo em telescópios .  E assim mais peixes na linha.
Ngc 2477 - 11X20seg 1600 ASA 




Ngc 2451


                Outro belo cardume é Cr 135. Dominado pela brilhante Pi Puppis ( uma estrela muito vermelha) é um daqueles abertos pouco falados mais que deveriam ser mais conhecidos . Um belo objeto do Catalogo J.E.S.S.  Já fotografei este aberto  em outro fim de ano. Nos tempos de minha falecida Canon antiga...
                Depois disto o tempo fecha de vez  e recolho o circo. Para aproveitar o alinhamento polar satisfatório embalo tudo com vários sacos plásticos e me retiro ainda a tempo de ver o jornal. Mas acabo vendo Masterchef com as crianças que já dominavam a televisão...
                O dia seguinte se apresenta sem uma única nuvem no céu. Fiquei impressionando como um céu de brigadeiro pode se tornar coberto de nuvens em tão pouco tempo. Por volta de 17:00 horas uns poucos rabos de galo surgem sobre a praia de Geribá. As 19:00 o céu esta totalmente encoberto. Mas com tudo no lugar fico sentado em uma cadeira de praia ao lado do telescópio. E assim entre as nuvens capturo alguns cardumes. M 37 em Auriga é provavelmente meu favorito entres os Messier´s de Auriga. Capturei os três. Não mais que 15 fotos de 20 segundos de nenhum deles . 1600 ASA.


M 35 acabou se apresentando...

M 36


M37


M38


                José Eustáquio , bom marinheiro, sempre defendeu que nas noites em que se conseguia perceber facilmente o aglomerado no pé de Gêmeos era sinal de sol de rachar no dia seguinte. É claro que se referia a M 35.  Sendo este o mensageiro do bom tempo deveria ser mau presságio sempre que eu pensava em apontar em sua direção  o horizonte norte fechava por inteiro quase instantaneamente.  E assim acabei me dirigindo a um interessante e menos manjado aberto em Touro. Ngc  1647. 


                Tento novamente M1 mas dentro do domo de Luz da Armação é um alvo difícil e que não rende nada....
                A observação aqui em Búzios é sempre melhor quando se almeja ou o Horizonte Leste ou Oeste.  O Horizonte Sul luta contra o domo de Cabo Frio. E o Norte contra a Armação. Cabo Frio embora mais distante é muito maior e seu domo embora menos intenso se espalha por uma grande área do céu. Já o domo da Armação é mais obvio mas menor.
                Finalmente se abre uma janela entre as nuvens liberando a região de Puppis , do falso Cruzeiro e mais um pouco. Namoro alguns abertos na região.  E revisito a Tarantula. É provavelmente a melhor foto que já fiz desta nebulosa extragaláctica.
Tarantula -Ngc 2070

                Meu irmão chega do Rio por volta de 2:00 da manhã. Com  a noite mais aberta e Júpiter no céu decido fazer uma visita ao maior dos planetas. Curiosamente em noite outrora tão enevoada a transparência se apresenta boa e o seeing idem... Nunca tinha visto Júpiter com tanto detalhe. As luas galileanas alinhadas e a grande mancha evidente. Utilizando minha 17 mm e um barlow 2X  fiquei horas observando Júpiter. Bem como os convivas... Meu irmão que não bebe nada ha mais de 20 anos  começa  a pagar o preço de tanta sobriedade e repete sem parar que Júpiter é o guardião da terra , nosso grande protetor  e toda a ladainha Halle -Bop da vida. Ele adora Blake  e todo aquele papo misticóide.
                Visito e capturo mais diversos abertos. Tento novamente capturar a Nebulosa da Roseta.
                Em noites muito enevoadas é difícil conseguir capturar tênues nebulosas. Vai sempre ocorrer muito ruído em suas fotos.  M 78 é um exemplo claro do que pode acontecer... E ainda vacilei no foco. 
M 78- Só ruído; Visualmente estava melhor... 
               A Roseta vai ter que aguardar outra chance ... Talvez aconteça algo se um dia eu tentar alinhar as mais de 70 fotos no Rot n´ Stack. No DSS não deu certo...
                 M 79  foi o único globular da temporada. Aproveito uma rápida janela e o capturo para posteridade.
M 79 
                Certamente a "estrela" da noite foi a  Tarantula na Grande Nuvem de Magalhães. (Ngc 2070). Uma eterna favorita e a primeira entrada do Catalogo Lacaille ( Lac 1 I)
                Irei adiar minha partida ao máximo... Mas não conto isto para ninguém.
                 Finalmente lua nova e uma noite sem nenhuma nuvem no céu...-Ohh , glória!!!
                 Na véspera eu percebera que Júpiter trafegava entre Leão e Virgem ( o convívio com o meu irmão começava a me afetar...) e assim penso : - O tripleto de Leo. M66 , M65 e uma Ngc que nunca lembro o numero.  Seria uma longa noite. Afinal meus alvos primários só seriam viáveis depois das 2:00.
                Começo a noite alinhando o go-to novamente utilizando Sirius e Alcyone. E como é cedo decido me dedicar novamente a M 42 enquanto  os DSO´s que realmente desejo não se chegam ao outside...
                Vai tudo correndo bem. A noite ainda vai se iniciando e em terra de cego quem tem telescópio só se f...  Todo mundo acende  luzes , velas , isqueiros e sempre resolvem se confraternizar onde você planeja observar.  Como eu tinha tudo planejado já tinha levado isto em conta e M 42 é capaz de sobreviver a tudo isto. Vou fazer varias fotos e tentar finalmente fazer uma foto a altura da vitima. Utilizando meu novo método de "Acompanhamento" tudo parece correr  bem. Até que minha cunhada decide tomar uma ducha e liga a bomba de agua. Pronto.. Um monte de rabiscos no LCD da câmera e eu apavorado tentando descobrir porque tudo parara de funcionar.  Descubro que quando a bomba é ligada a tomada de onde alimento a Mme. Herschel ( uma cabeça equatorial HEQ 5 pro da Skywatcher)  com energia se suicida e algum disjuntor desarma...
Revisitando o Aglomerado de Tau Canis Majoris  3X Drizzle
                Com tudo corrigido e com Mme. Herschel devidamente alimentada a partir de uma outra tomada refaço todo o alinhamento. Sirius e Alcyone novamente. Mas na hora que a cabeça se dirige para Alcyone percebo que esta cruzou o meridiano e não se presta mais a função. Você deve preferir utilizar duas estrelas do mesmo lado do meridiano quando alinhando o Goto de sua montagem. Esta escrito no manual...Começo de novo e Sirius e Aldebarã fazem o serviço.
                Nas próximas noites eu planejo levar a astrofotografia mais a sério. Geralmente a pratico como um complemento de minhas observações. Especialmente quando tratam´se de aglomerados abertos (que amo de paixão) me bastam uma ou duas dezenas de exposições; Na verdade não gosto de registros muito pirotécnicos que fazem dos registros mais arte que observação. Mas quando se tratam de alvos mais difíceis e que muitas vezes quase não são percebidos na ocular seria uma bobagem não  aproveitar o maior poder de fogo dos modernos sensores fotográficos. Mas isto implica em mais capricho , mais frames capturados , mais paciência e pós processamento.  E assim serei um pirata menos sanguinário neste final de temporada. Passarei mais tempo com os navios que irei saquear...
                Com tantas aventuras o alvo inicial já chegou em boa posição para o ataque. A Nebulosa do Esquimó em Gêmeos. Não é um alvo fácil pois com apenas 9´´  é dificil de se destacar na multidão. Mas Mme. Herschel , Sirius e Aldebarã combinaram me ajudar e consigo que a nebulosa planetária se apresente senão centralizada pelo menos no canto da ocular de 10 mm. Esta revela uma estrela levemente desfocada  e bem azul. Com aquela pinta de disco planetário que batiza as ditas nebulosas deste tipo de planetárias.  Com esta eu completo mais um capitulo de um de meus primeiros livros de Astronomia. Turn Left at Orion. Com o Eskimó completo o capitulo dedicado aos meses de Inverno .Os livros são sempre escritos com o hemisfério norte em mente. Falta ao brasileiros o que chamo de folclore astronômico. Não possuímos em nossa literatura clássicos devotados a astronomia observacional nem autores classicos como Putnam , Webb e mesmo os mais atuais Houston, O´meara , Harrigton , Consolmagno e cia. A astronomia se encastela e não temos tradição de fazer da ciência uma coisa do nosso dia a dia e do homem comum. É uma pena . Brasil...   
Ngc 2392

                Mas ainda em Turn Left at Orion eu tento M1 . Continua se recusando a comparecer dentro do domo de luz da Armação. Outro objeto do livro que me sacaneará esta noite é Castor . Não consigo separar as componentes desta dupla com nenhuma combinação de ocular e barlow. Mesmo com 240 X não arrumo nada...
                Depois de fazer mutas fotos de Ngc 2392 (  o Esquimó ou a nebulosa Cara de Palhaço) eu me preparo para a longa espera ate o nascer de Leão. Júpiter dará o alarme...
                Enquanto isto passeio por Câncer ( a derrota planejada para noite era altamente zodiacal... Touro , Gêmeos , Câncer e Leão eram as constelações por onde pretendia passear) .



                M 67 é um lindo aberto e bem mais delicado que M 44. Ambos são visitados. M44 possui varia duplas que me levam a lembrar que Câncer possui varia estrelas múltiplas dignas de nota e que nunca visitara. E Contando com o Auxilio luxuoso de Mme. Herschel e seu sistema de goto acabo conhecendo Iota Cancri. Vai ser uma nova favorita. Uma dupla sensacional. Do naipe de Albireo embora bem mais difícil de ser localizada. Na ocular ( 17 mm + Barlow 2X) o contraste entre a primaria amarela e a secundaria azul é lindo.
                Depois desta visito, por indicação do Synscan, Theta 2 Câncer. Uma dupla bem apertada e com um contraste menos acentuado mas bastante interessante . Uma graça.
                Júpiter surge o no horizonte leste. Curiosamente apesar da noite muito mais limpa e menos enevoada ele não apresenta metade dos detalhes que vi na véspera. É engraçado que na noite mais sem nuvens e teoricamente mais seca eu tenho mais condensação presente no tubo do telescópio. Nada que chega a comprometer mas é estranho que na noite sem nuvens eu tenha menos transparência e mais umidade...  Me preocupo com relação a próxima etapa. Transparência e Galaxias se gostam... 
                Digito M 66 no Synscan de Mm. Herschel e começo a procurar pela dupla de galaxias. Não as percebo imediatamente. Mas sei que elas estão no campo.
                Todas as pessoas tem um olho dominante. eu , por exemplo, só consigo piscar meu olho esquerdo e assim meu olho dominante é o direito. Sempre ,ou quase, observo com ele. Mas segundo meu oculista eu vejo melhor com o olho esquerdo. Acho que o convívio com meu irmão esta me influenciado mais do que supõe a vã filosofia. E assim inicio um exercício capaz de abrir as portas da consciência. Fechando o olho direito com auxilio de minha mão utilizo o esquerdo na ocular. É um recurso extremo em busca de meus alvos. Funciona. Percebo que duas tênues estrelas de campo são acompanhadas de leve nebulosidade. Uma mais evidente que a outra. São os núcleos das galaxias que caço. Instalo a câmera , aumento o ISO para 3200 e a exposição para 25 segundos.  É golllll!!!!.

M66 e M65

                Realizo mais de 80 exposições utilizando meu novo método de acompanhamento.

                O novo método de acompanhamento é na verdade mais um método de correção . Com a imagem no LCD da câmera eu marco a posição de uma estrela brilhante com auxilio de um papelzinho cortado como uma seta. E assim a cada x exposições corrijo o desvio entre as fotos . Desta forma consigo minimizar os danos de um alinhamento polar menos que perfeito. Com a velocidade de movimento do Synscan regulada em 2 eu dou pequenos toques no controle de direção ( descubra qual é a direção do desvio utilizando paciência0 e assim o drift a final de dezenas de exposições não leva a catástrofes como a da foto abaixo... Não chega a ser um acompanhamento feto com auxilio de uma câmera e um software dedicados mas ajuda bastante .
                Já vai alta madrugada é vejo Corvus no céu. Com o sucesso ainda me embriagando decido ajudar a embriaguez começo a dar pequenos shots de vodka enquanto me encaminho para M 104. A Galaxia do Sombreiro.
M 104 - O Sombreiro

                Esta se apresenta na ocular facilmente mesmo com visão direta. Faço mais de 50 fotos.
                A noite foi sensacional e uma das sessões de astrofotografias mais recompensantes que já tive. Me resta sentar na cadeira de praia  e testar os limites de minha visão a olho nu enquanto me embriago de céu e vodka...
                No dia seguinte fiquei em casa processando os resultados da véspera . Nem fui a praia... O Dia esta mais nublado mas não chega a me preocupar.     
                De noite desafiando as nuvens resolvo fazer uma brincadeira diferente. Utilizando apenas os anéis de montagem do Newton monto a Canon como em Pigback. Com a 70-300 mm  @ 70 mm f6.3 descido tentar a sorte e realizar a manjada e difícil foto de Órion que captura a Nebulosa Cabeça de Cavalo,  a Nebulosa da Chama , M42 e The Running Man  tudo ao mesmo tempo e agora.  Depois de mais de 100 exposições acho que tenho alguma chance.
                Na manhã seguinte seleciono as fotos e a grande presença de nuvens me permite escolher 91 fotos para o processo de empilhamento. Foi pouco. A transparência na noite anterior não era nem de longe suficiente para a missão.  M 42 da as caras mas mesmo a Nebulosa da Chama ( que não é exatamente dificil...) só é um apagado registro...
                Como acabei por conseguir adiar o retorno para o Rio por mais um dia aproveito que a Noite de Domingo se apresentou com condições excelentes e refaço todo o processo e além. Começando cedo consigo Capturar  217 frames antes de Orion cruzar o meridiano. Se não conseguir nada desta vez vou processar a Canon...
                Como já tinha percebido Mme. Herschel estranha trabalhar com pouco peso e depois de 3 horas acompanhando B 33 e cia. Ltda. ela trava ao pedir que se dirija para outro endereço. Aproveito para colocar o Newton de volta a batalha.
                Apesar de ter dito acima que não se deve utilizar estrelas de lados distintos do céu faço exatamente isso e curiosamente consigo um alinhamento do Go to bem aceitável.
                No cair dos panos e quase sem bateria na câmera tento um alvo que me iludiu a temporada inteira. M1. Ainda bem que insisti. A percebo visualmente com a ocular de 25 mm e acabo conseguindo 25 fotos da mesma  antes de a bateria abrir o bico... Ha anos M1 me envergonhava e nunca a conseguia fotografar.
M 1


                Para encerrar a temporada decido brincar mais de estrelas duplas.  A grande novidade foi 135 Canis Majoris. Conhecida como a "Albireo de inverno" pelos observadores boreais esta é uma versão miniatura da famosa dupla de Cisne. Sensacional.
                Estrelas duplas são um divertimento garantido para astrônomos urbanos e atormentados pela poluição luminosa. As "favoritas "assim o são chamadas por diferentes razões. O Contraste de cores de suas componentes , dificuldade em se separar pares muito "apertados" , a diferença de magnitude entre seus membros ou todos estes juntos   são as principais...
                Rigel é uma delas pela diferença de magnitude entre a primaria e a secundaria.
                Para encerrar uma longa e frutífera temporada visito uma bem apertada. h 375.
                Agora é desmontar tudo e voltar para o Rio. O ano já começou e tenho contas a pagar e preciso fazer dinheiro. Tenho milhares de fotos para processar e estou com saudade de casa.
M 93 também fez uma visita 

                Este ano não prometi que iria pra de fumar ou de beber. Pretendo apenas diminuir o Rock n´ Roll .Mas comprei uma camiseta dos Ramones e outra do Sex Pistols em uma promoção na "The House of  Rock and Roll" no Shopping da Armação.  Comprei também uma ocular Plossl de 40 mm que não chegou a tempo de acompanhar-me na viagem...


                Que venha 2016.