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sexta-feira, 25 de abril de 2014

Milagres na Pascoa e Astrofotografia

               
  
           
                 2014 começou  cinzento. O primeiro feriado grande do ano foi a semana santa. Este ano uma semana santa sem grandes razões para se comemorar. Minha sogra faleceu de uma forma bastante repentina e de um mal sem cura.
                Nunca fui um homem de muita fé e menos ainda de igreja. Somente fui em missa de  sétimo dia e olhe lá... Mas a vida nos reserva surpresas.  E assim fui pela primeira vez a uma missa de um mês de falecimento .  Por uma coincidência  calhou de ser na Quinta Feira Santa.   Percebi logo que era uma missa diferente. Havia mais padres que o previsto e uma mesa com varias cadeiras   próxima ao altar.
                Antes de começarem os trabalhos fui interpelado por um dos padres. O mais jovem deles. Como já disse haviam vários padres cercando o altar . Parecia até um conclave. O jovem de batina me perguntou se eu poderia ser um dos apóstolos  e percebendo que o rapaz estava com um problema de quorum ( havia muito poucos homens na igreja)aceitei o convite sem muita convicção.. Não  entedia bem o que aquilo significava  e achei de bom tom ajudar.    Não queria tumultuar a missa de  um mês do falecimento da mãe de minha esposa.
                Já havia percebido que a liturgia do evento  era bem diferente das missas que já fui. Mas como nunca tinha ido em uma missa de um mês achei que poderia ser assim.
                O padre inicia os trabalhos e explica que embora a missa fosse relembrar a sogra era também uma missa importante pois a partir daquele momento a igreja começa a celebrar Semana Santa. Aquele serviço era importante de alguma forma para religião católica e eu continuava inocente puro e besta. A missa era meio cantada apesar de eu achar que o padre não tinha nem ritmo e nem tom.  Depois de duas leituras ( o que já era bastante atípico para pagão aqui) o padre inicia a homilia. E pelas imagens que são projetadas em um monitor percebo que algo ia muito mal. Estava lá a imagem de Jesus lavando o pé de Paulo (ou seria Pedro...).
                Caiu a ficha. Era a tal missa do Lava-Pés. E o meu pé era um dos que ia ser lavados.
                Abateram-se terríveis duvidas teológicas sobre a minha pessoa.
                Estaria eu com muito chulé?
                Será que cortei as unhas no ultimo mês? 
                Minha meia seria apresentável?
                Em respeito a minha sogra prefiro calar sobre minha incertezas e vou em frente. Senti  uma certa pena do padre mas nada a fazer. Achei melhor também não contar a ninguém sobre o fato de  que nunca fiz a primeira comunhão.  Mas se entendera algo da Homilia  o padre disse  algo sobre jesus ter falado a   Simão Pedro ( ou seria Paulo?) que bastava   este já  ter molhado a cabeça e que por isso ele não era necessário uma lavagem completa...  Eu fora batizado pouco tempo depois de nascer. Reza a lenda que fazia tanto frio que o padre esquentou a agua benta... Fui batizado com chá .
                Devido a severa dieta que o meu médico me receitou me encontrava quase em jejum. Depois de ter os pés lavados me achava quase um santo...
                Na manhã seguinte  opero o meu primeiro milagre. Convenço minha esposa a ir até Búzios no Sábado de Aleluia
                Desta forma  terei a chance de fazer um ataque ao reino das galaxias em Virgem. E também dar uma olhada em Júpiter , Marte e Saturno aos quais ainda não havia visitado este ano.
                Lógico que não poderia ser tão fácil. O Carro vai abarrotado e não tenho a chance de levar o "Newton" comigo. E imbuído de muita fé resolvo realizar um ataque a mais difícil das sequências do Catalogo Messier levando apenas o  meu 15X70. Já tinha lido ( provavelmente em algum livro do Phill Harrington) que se não todas as galaxias do catalogo que residem em Virgem  são acessíveis a este equipamento pelo menos um grande numero se encontraria ao meu alcance.
                Claro que também quero fazer uma fotos. E assim resolvo levar um Set Up que coubesse no veiculo. A Cabeça EQ 2-3 com apenas o motor de RA. e a Câmera com sua lente normal ( 18-55 mm) e a tele (75- 300 mm) .. Descobri há algum tempo que é fácil adapta-la a cabeça equatorial usando o bridge plate de meu tripé fotográfico l.
                Como sempre a chegada em Búzios vira uma festa e eu acreditando que o céu seria limpo para sempre deixo para o dia seguinte qualquer tentativa  de observação... Afinal estou abençoado.
                 Pouco tempo depois  uma garrafa de Cousino Macul  e  uma zurrapa mais barata estou mais para possuído.   Nada de astrofografia. Os resultados da vinhaça são evidentes nas fotos abaixo...



                Domingo de Pascoa  amanhece bonito e tudo parece que vai dar certo. De manhã escondo os Ovos das crianças debaixo de um sol radiante. No fim da tarde nem tanto e a noite não se vê nem uma estrela no céu. Começo a achar que deveria ter contando a padre sobre a Primeira Comunhão...
                Segunda feira e acordo bem cedo. A cobertura de nuvens embora não tenha se dispersado parece que vai dar um alivio. Vamos todos para praia.
                Apesar de nuvens cercando todos os horizontes eu acredito ( momento de fé...) que conseguirei  fotografar algo e assim alinho a cabeça e monto o câmera sobre os badulaques. Um rápido alinhamento polar e tudo certo. O céu começa a escurecer e com este ainda bem claro Júpiter e Sirius se acendem quase simultaneamente.
Júpiter ainda de dia...
                 Betelgeuse logo após e pouco depois percebo Marte nascendo por entre as palmeiras do jardim.

                Existe muita nebulosidade onde não há nuvens. Percebo que as galaxias de Virgem se afastaram ainda mais. E olha que elas estão a mais de 15.000.000 AL de nós. Não vou ver nem M87...
                Mas começo a fazer  diversas fotos com a 18- 55 e apesar dos resultados mais artísticos do que astronômicos percebo que sera possível tirar leite de pedra...
                Brinco com Órion. Depois em algum lugar entre Virgem e o Corvo. 
Órion


Lost in Space.  Algum lugar entre Virgem e Corvo...

                Já com  céu mais escuro  pego o 15x70 e faço um tour pela via láctea e assim percebo diversos aglomerados abertos velhos conhecidos. Um amigo mais recente ( Ngc 4103) aparece para o "Pau de Dar em Doido" ( meu binóculo) de forma discreta e percebo que a transparência é muito pouca. Mas não me dobro. Troco a lente da câmera e parto para maiss fotos.
                Não posso deixar de registrar Marte e Spica dominando o Horizonte leste. E arrisco alguns tiros aleatórios pela região de Virgem . Vai que acontece um milagre e o sensor da Cânon registra uma das galaxias que tanto planejei... 
                Não acredito em milagres e nem em bruxas "mas que las hay las hay".
                Depois de processar algumas imagens feitas um pouco mais tarde   eu percebo (em todos os modos do Rot n´n Stack) uma nebulosidade abaixo de Marte. Parece uma galaxia. Depois de uma rápida pesquisa no Cartes du Ciel descubro que a posição é extremamente próxima de Ngc 4883. É uma galaxia bastante escura. Mas que em tese seria viável para uma série de exposições de 30 seg. com o diafragma em F4,5. Lentes fotográficas são muito claras.  Fosse eu mais crente sairia por aí gritando:
                 -É Ngc 4843!
                 Vou na onda pois afinal estamos na  Pascoa e existem registros históricos de gente voltando dos mortos durante o período. Uma obscura galaxia de 13a magnitude e nas bordas do aglomerado de Virgem  e a mais de 20.000.000  de anos-luz mostrar sua cara depois de muito pós processamento   não seria razão para minha canonização.   Nos modos mais discretos do Rot n´Stack a galaxia é apenas uma pequena condensação. Já no "Modo Pirotécnico" ( Sort Mode) do programa ela se apresenta claramente como uma galaxia em espiral. Depois de alguma pesquisa o formato dela bate com ao da Galaxia descoberta por William Herschel ( S0-a) . Sua posição parece um pouco fora de esquadro com o Cartes do Ciel . Mas isto acontece com uma certa frequência. Milagres são exercícios de fé. E assim me dou por satisfeito com a suposta captura.  


Modo Max do RnS e mais contraste com o PhotoShop CS5


                      De qualquer forma Marte e Spica formam uma bela imagem... ( Foto de Abertura do Post)
                Com  um velho refrator  sem buscadora e mirando com cuidado enquadro Saturno que vai nascendo. É sempre bom para apresentar algo para os incautos que ficam curiosos sobre o que você esta a fazer em vez de estar comendo churrasco.  Saturno sempre deixa os leigos de queixo caído e eles até acham você um cara legal .
                Descubro ainda que a Barlow Starwatch  mais a Cânon e o velho refrator Celestron não conseguem chegar a um acordo sobre o foco . E assim continuo frustrado como um astro fotografo planetário. Esta leva o dúbio título de   "A Pior Foto de Todas as Fotos Ruins que já Tirei do Senhor dos Anéis".
                Resolvo me voltar para o Sul e fazer fotos da Via Láctea . Algumas utilizei acompanhamento . Outras não. Os resultados foram os mais diversos.
As nuvens tomam um ar mais dramático no Rot n´ Stack. Não estava tão ruim assim... A região é uma das partes mais bonitas da Via Láctea. Entre o Cruzeiro e Carina. É possível perceber diversos DSO´s.  ( Modo Max do RnS)
11 exposições de 20 sec Lente 18-55 mm. Com acompanhamento.



                A grata surpresa é que brincando pelo Centauro consegui ( ainda que de forma bem discreta) registrar uma galaxia. Centauros A se apresenta discreta mas evidente para o C-Mos da Cânon. Acima de Omega Centauro. Apesar de nenhum acompanhamento acabei por registrar uma galaxia. É incrível o que câmeras digitais podem fazer. Mesmo com set ups bastante modestos.   Centauros A não é uma galaxia difícil de se localizar . Mesmo com o meu 10x50 mm ela se apresenta como uma pequenina condensação. Muito semelhante ao que percebo na fotografia.  Como 15X70 ela é bastante evidente embora ainda pequena.
10 exp. entre 20 e 30 seg. com Asa 3200.  Lente 75-300 mm . Sem acompanhamento.

                Centauros A ou Ngc 5128 são o mesmo ente cósmico. Dona de múltiplas personalidades é também C 77 no catalogo Caldwell. É uma das galaxia mais estudadas do hemisfério Sul. Ela esta passando por uma colisão e canibalizando uma outra galaxia em espiral. O resultado é que a mesma se torna uma galaxia lenticular. É a 5 galaxia mais brilhante do céu.  Possui um núcleo ativo fruto de um buraco negro super massivo que devido  a colisão tem muita comida a disposição...  Graças a  esta super alimentação ela se torna também uma radio galaxia arrotando em Raio X . Um objeto de grande valor cosmológico e ao alcance de quase qualquer instrumento ótico.   Com múltiplas exposições e uma moderna câmera digital seu registro não me classifica nem para coroinha...  

                Já bem mais tarde e com a luzes apagadas o horizonte sul dá uma" clareada". E em uma rápida inspeção com o "Pau de dar em Doido"  ainda sou recompensado pela minha fé e obstinação e consigo avistar M4 e fechando a noite M 83. A galaxia do Catavento Austral. Provavelmente o objeto mais difícil de meu querido catalogo Lacaille e também a primeira galaxia a ser avistada fora do grupo Local.
                Terça feira monto novamente o set up de viagem. A Canon com a 75-300 mm sobre a cabeça equatorial motorizada. A noite parece perfeita e a transparência melhor. Vou ao banheiro e quando volto Newgear  ( o do Paradoxo de Newgear...)resolveu me visitar. Finas nuvens se materializaram do nada e não há mais estrelas no céu. Insistente que sou  tento fazer algumas fotos por entre nuvens. Os resultados são mais artísticos que propriamente astro fotografia.  Acho que a terça feira foi mais para Andy Wharol que para "Starry Night".

Júpiter




Marte Anêmico.





                Foi uma Pascoa bem diferente e Astrofotos diferentes também.
                Astrofografia é a melhor diversão.



sexta-feira, 11 de abril de 2014

Ngc 4103 e o Elogio da Loucura

                
               Os últimos meses foram  conturbados. E assim a astronomia em geral e a astro fotografia em particular tiveram poucas chances.
                Em  ato impensado fui ao médico fazer um check up. Logicamente que fiquei adoentado. Com as taxas de colesterol e triglicerídios bastante alteradas descobri uma outra taxa bastante curiosa. Se chama Gama Glutamil. Ou Gama GT para os íntimos. É o bafômetro do figado.          
                Desnecessário dizer que fui posto de dieta e proibido de consumir qualquer tipo de psico ativo.  Astrofotografia parecia ser uma saída possível. Como já falei é a melhor diversão.
                Na semana seguinte fui ao mesmo Dr. Jekyll levar o resultado de meu teste ergométrico. Este, ao contrário das expectativas do meu querido açougueiro, não tinha apresentando nenhum problema. Eu posso dizer todo orgulhoso que minha condição cardio respiratória é boa. Na verdade não eu. O teste.
A Loucura 

                Mas depois de uma semana nas fileiras do exército espartano eu começo a delirar. Ao passar por uma banca de jornal noto entre aqueles pequenos pocket books da L&PM um que me chama atenção. "O Elogio da Loucura"  de Erasmo. Um clássico renascentista onde Mória ( a Deusa da Loucura) faz seu próprio elogio.  Juntamente com "Cândido" (esse uns 200 anos mais jovem) é um dos mais divertidos livros que já li.  
                A "Stonehenge dos Pobres"  tem estado ocupada pelo cercadinho de meu novo rebento . Mas em um ato conduzido por Mória eu resolvo que vou fotografar C 84 ou qualquer outro DSO que fosse emoldurado por minha janela.
                Em seu  auto-elogio a Loucura nos explica o que seria da raça dos homens se a insanidade não os impulsionasse ao casamento. 
                Evidentemente que a "Dona Patroa" acha que sou completamente maluco.  Eu a lembro que de Gênio e de louco todo mundo tem um pouco. Ela apresenta varias  exceções a regra  citando alguns   conhecidos meus. São completamente loucos  mas  levam  na cabeça as orelhas de  um Midas. 
                Lutando também contra o espaço que sempre foi pouco no "Observatório mais Urbano do Mundo"  consigo ali  instalar o "Newton". Sobre o olhar atento de meu filho.
                Apenas ao fazer isto já começo a lembrar de como a ciência é exata.  Arquimedes já dizia que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço ao mesmo tempo. Com a instalação do telescópio o princípio da impenetrabilidade fica provado acima de qualquer duvida. A cadeirinha tem que sair.
                 O progresso da ciência não pode ser impedido. E lá vou eu realizar o alinhamento polar de novo. Como já foi dito e redito aqui no Nuncius Australis o alinhamento polar  aqui é realizado "No chute" e com precisão quântica. Com o auxilio de uma bussola  identifico onde é o sul. Mas como neste experimento comprimentos como os de De Broglie podem fazer diferença  a bússola do I-Phone não é nem de perto exata o suficiente. Por isto eu começo o esquema "tentativa e erro". Escolho uma estrela e tiro uma foto. Muito "drift" dou um pequeno chute em uma das pernas do tripé e tiro outra foto.  E desta forma dou mais um passo na inexorável marcha da ciência. Comprovo experimentalmente o Princípio da Exclusão de Pauli. Ele é a versão quântica da descoberta de Arquimedes. Graças a ele o meu chute desloca o tripé e eu vou assim afinando o alinhamento polar. E  comprovando que  Pauli e seu antecessor  estão certos  meu pé não atravessa  a perna do tripé.  E espero que a onda gerada pelo meu chute colapse no ponto onde não haverá mais drift. .Quântico.
                 De volta a minha loucura faço uma reserva da sala junto aos outros membros do clã. Entre 9:30 e 10:30 ninguém entra nem acende luzes para eu poder realizar o meu projeto. Afinal como diz Erasmo: "Esta escrito no primeiro capitulo de Eclesiastes: 'O numero de loucos é infinito' Ora esse numero infinito compreende todos os homens com exceção de uns poucos, e duvido que alguma vez se tenha visto esses poucos."
                Como estou  sóbrio a mais de uma semana e a loucura não é tanta o meu projeto é bem realista. C 84 é um DSO bem fácil de se localizar. Na constelação de Centauros  ele vai se encontrar no mesmo campo ocular de M cen. E esta se encontra a meio campo de buscadora de Épsilon Centauros , que é visível mesmo em grandes centros.  M Centauros vai ser a estrela mais brilhante no ao redor de Épsilon.   
                Tenho como plano B visitar Ngc 4103. Ainda no Cruzeiro mas habitando também o Centauro.  Nestas cercanias.  Acrux  esquina  com "A Intrometida". Lambda Centauros é  uma vizinhança próxima que nos permite triangular  a posição deste modesto e obscuro aglomerado aberto..               .
                Voltando a realidade a minha reserva da sala foi solenemente ignorada e C84 ficou para o abraço. Quando me foi autorizado entrar no gramado este  já se encontrava em posição desfavorável para uma uma janela de observação cada vez mais estreita...
        
                 Depois de dar de mamar para a minha pequena cria já vão 1:30 da manhã. 
                A casa toda dorme.
                A mania é prima irmã da Loucura e dependendo da fonte são a mesma pessoa.
                Assombrando a madrugada parto para o plano B.   
               Guiado por uma Mória desvairada passeando nua pelos espaços de Hilbert  busco por Ngc 4103. Partindo de  Acrux faço uma aproximação contando campos oculares pela buscadora . Depois uso o controles lentos da valente montagem EQ 2-3 procurando randomicamente pelo aglomerado em vista.
                 Mais devido a teoria  das probabilidades do que ao colapso de ondas localizo a vitima.  
                 Parece que a teoria das probabilidades e a física quântica também tem  um parentesco...

               
           O aglomerado é pequeno e extremamente discreto pela buscadora. Eu diria algo como 8a magnitude.  Sou uma magnitude mais pessimista que o Stellarium. 
             Discreto e delicado. Surge  entre brilhantes estrelas de campo.  Percebe-se imediatamente duas estrelas que já vão avermelhadas. O aglomerado não deve ser tão jovem assim... Pequeno cobre o centro de minha 17 mm. Conto estrelas na casa das dezenas.  Experimento com a 10 mm e com mais contraste e aumento conto mais estrelas e percebo algumas que "flicam" contra o fundo.  Embora pequeno é cheio de detalhes. Algumas  duplas .
                
                 Seria um pingente nas jóias da Coroa Austral.
                
                 Agora é sério. Vamos fotografar o bicho.
                
                A realidade não parece quântica. Ela é o que é. E nem liga para você. Eu  como tenho que ser realista não tenho nem tempo nem espaço para tentar melhorar muito o alinhamento polar "quântico" que consegui.  Me resta colocar a câmera e ver qual é a maior exposição que consigo. Partindo para a ignorância cravo ASA 1600 na câmera e tento 20  segundos . A menor chance. Adoro minha câmera nova. Marco ASA 6400 e regulo  o obturador para 8 segundos de exposição.
                 
                 Como diz Mória logo no começo de seu discurso : " Se ninguém te louva , Louva-te a ti mesmo".
               
              Fiz varias fotos .  E processa daqui processa Dali obtive um minimo de dignidade no resultado final. As fotos serão referência perfeita para identificação do objeto. Continuo fiel a politica de obter imagens semelhantes ao que se observa pela ocular e totalmente consciente das limitações do set up e do próprio espaço onde este esta montado...  

Esta foto é resultado de um excesso de processamento. Visitou todos os programas de edição de imagem que possuo. Empilhada no Deep Sky Stacker...
11 exposições de 8 segundos ASA 6400 . Rot n´Stack modo Mean.

Mória visita o "Rot and Stack".  O programa tem surtos esporádicos. 

Uma unica exposição ASA 6400 x 10 segundos. Muito semelhante ao que se vai perceber na ocular de 25 mm
                Ngc 4103 foi descoberto por Dunlop em 1826. Foi utilizado um refletor com um espelho de  9 polegadas. Posteriormente John Herschel a descreveu assim: " Rica, Grande , aglomerado irregularmente arredondado; um pobre classe VI ou um rico VII.Estrelas de 10 a 14a magnitude. 5´de diâmetro.Presença de " stragllers."
                Ngc 4103 é  pouco visitado. Um   paper relativamente recente a respeito da mesmo se refere a ´próprio como "Remoto Aglomerado".  Este paper especificamente trata de como é difícil determinar a idade de aglomerados abertos. Eu achei que este não seria tão jovem devido a duas estrelas já avermelhadas. Mas o trabalho de A.E. Piskunof et al esclarece que é necessário determinar o "turning point" do aglomerado em relação a sequência principal para  assim saber quando a estrelas pré-sequência principal adentram na mesma.  Dos aglomerado citados pelos autores Ngc é um dos menos pesquisados e com pior amostragem.
                A idade do aglomerado é alvo de disputas. Os valores variam de um minimo de 6 milhões de anos ( o paper em questão) e 30 milhões de anos (Forbes 1996). Sou mais simpático a Forbes. As duas gigantes vermelhas são claramente visiveis na foto. Poderiam ser duas estrelas  como Fu Orionis. Jovens demais e avermelhadas. Mas ha muito pouca o nenhuma nebulosidade na região.
O DSS aceitou 7 das 11 fotos que mandei ele empilhar. Este é o resultado do empilhamento no Deep Sky Stacker sem nenhum processamento posterior.  6400 ASA x 8 seg.


Esta é resultado do empilhamento no DSS,  Depois fez duas visitas ao Noiseware e passou por alguns procedimentos no Photoshop. Todas as imagens apresetam mais contraste no original. Creio que a compressão do Blogger cause este efeito mais lavado e também um  aumento de ruido.

              Stephen O´Meara o inclui em seu livvro  " Deep Sky Companions : Southern Gems" . Neste ele nos diz que Ngc 4103 esta a aproximadamente 6.800 anos-luz de nós. Outra fonte me garante que seus  fótons viajaram  apenas 3000 anos até se encontrarem com o espelho do "Newton"...
                Mania de Astronomia é um  uma forma  Loucura.   
                Mória me garantiu que  ela não vende franquia..
                Assim   tem de ser a mesma Loucura que que move os risos e os atos de valentia.
8 exposições de 8 segundos empilhadas no DSS. depois vista ao  PhotoShop.




quarta-feira, 9 de abril de 2014

Saturno Dança com a Lua

            Saturno dança com a Lua no próximo dia 17.
            Durante o amanhecer do dia ele passará a menos de 20 minutos ( Rio de Janeiro) do Limbo Lunar.
            Será uma grande oportunidade para a astrofotografia.
             Uma rápida simulação feita com o Stellarium apresenta o evento . O período apresentado é entre 5:00 e 6:00 horas da manhã do dia 17 de Abril de 2014. 
            Na verdade não pesquisei se o evento já foi cantado em prosa e verso por aí.  Mas como o ócio ,as vezes, nos leva a descobertas interessantes e nos permite ficar brincando com nosso programa planetário favorito achei de bom tom avisar.

             Boa sorte e boas fotos..

quinta-feira, 20 de março de 2014

Saturno, Selene e Simone


No Nuncius Australis sempre  se fala em coincidências que são tão surpreendentes que devem ter algo ha ver com as leis mais fundamentais do Universo.
 Uma delas seria que o nosso lugar no universo não deve ser muito diferente de qualquer outro local no universo.
 Entendam isto como uma liberdade poética sobre o Princípio da Invariância de Galileu que nos diz:
"Denomina-se invariância de Galileu o princípio de relatividade segundo o qual as leis fundamentais da Física são as mesmas em todos os sistema de referência inerciais, isto é, a forma das equações físicas não podem depender do estado de movimento de um observador, uma vez que o movimento é relativo. Em outras palavras, "dois observadores que se movem com velocidade uniforme, um relativamente ao outro, devem formular as leis da natureza exatamente da mesma forma. Em particular, nenhum observador de inércia pode distinguir entre repouso absoluto e movimento absoluto, com apelo exclusivo às leis da natureza. Não existe pois movimento absoluto, mas apenas movimento relativo (de um observador relativamente a um outro)"
O mês de março foi muito duro por aqui. Assim sendo deve ter sido muito duro em outros locais do universo. 
Mas a morte de um ente querido no equinócio de outono e simultaneamente no dia de uma rara ocultação de Saturno pela Lua não me parece ser um lugar comum nem mesmo para a Humanidade.Quanto mais para o Universo.
O equinócio em 2014 aconteceu em 20 de março.  O dia e a noite terão a mesma duração  (não exatamente mas a intenção deste post não é discutir esse assunto). Ele marca o inicio do outono em minha terra de estações pouco definidas. Marca o momento que o sol cruza o chamado ponto libra e o hemisfério sul adentra o outono. Parece-me mais um evento de caráter astrológico ( arghhh!!!) que astronômico. Este ano o sol cruzou o Ponto libra as 13:57 . 
Pouco antes minha sogra desceu em seu tumulo.  Começou o outono e as folhas devem começar a amarelar e cair.
Simone gostava de passarinhos e estrelas.
As 21:15 sigo rumo a praia com a esperança de conseguir algumas fotos da ocultação. Mesmo com o céu muito nublado  a esperança é a ultima que morre.
Caminho até o Arpoador. Sei que não farei fotos. Mas mesmo assim insisto até  o Posto Seis na esperança que por uma daquelas leis fundamentais do universo e por um milagre meteorológico o céu em Copacabana se encontre menos encoberto.  Afinal a meteorologia é uma ciência sem leis fundamentais. Só o  bater de asas de borboletas...
Nem um sinal de Selene ou de Saturno. Só as nuvens e o abafado ainda de verão.
 Caso isto não fosse o suficiente para impedir meu registro fotográfico acabo por descobrir que deixei as baterias da câmera carregando ... Na volta me dou um presente em um dia tão triste. Uma refeição no  "T.T. Burguer". Uma mistura de fast food com haut cuisine. 
Poderei contar para minha tão abalada filha que a Vovó Simone foi para Saturno e se escondeu atrás da Lua. Mais uma daquelas coincidências que nada tem haver com as leis mais fundamentais do universo.                 Saturno, Selene e Saturno. São três esses.
 Coincidências...

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Estrelas de Nêutrons, A Nebulosa do Caranguejo e o Fracasso

         
 M1 é um DSO que sempre me fascinou. Devido as mais variadas razões. Provavelmente sua posição no catalogo Messier tenha sido a primeira coisa a me chamar a atenção.
            A história da nebulosa localizada por Messier enquanto buscava pelo retorno do cometa Halley e que acabou por leva-lo a criar o primeiro Catálogo de DSO reunindo 109 objetos pelos quais não se deveria procurar foi uma das primeiras lendas astronômicas que eu tive contato. Como bom conquistador do Inútil não resisti e pouco depois comprei meu primeiro telescópio.
            A história da M1 é marcada por pódiums: Ela foi a primeira entrada do catalogo Messier, a primeira nebulosa de vento de Pulsar descoberta (um novo estagio ou um tipo atípico de  remanescente de supernova ...)., o primeiro Pulsar  descoberto e a Segunda Supernova registrada durante o período histórico (1057)1
            Com este invejável currículo ela foi um dos primeiros DSO que busquei em minha vida. Observa-la não foi tão fácil quanto esperava. Embora bem próxima de Zeta Taurus ela não se entrega facilmente.
            Quando observamos a nebulosa do Caranguejo com pequenos telescópios o que nós vamos perceber ( perceba que não usei o verbo ver...)  é uma  nevoa onde a densidade de matéria que podemos observar já foi descrita como " a coisa mais perto de nada ser e ainda assim ser alguma coisa.".
            Mas é muito mais que isto: é o que nós não podemos ver( em  pequenos telescópios) que faz dela  ainda mais fascinante. E o DSO perfeito para falar em um dois dos  assuntos favoritos aqui no Nuncius Australis, Evolução Estelar e astrofotografia.       
            Como já falei no nascimento e evolução de aglomerados diversas vezes e no ultimo "post" a respeito a capacidade deprocessamento dos computadores ainda  nãodava conta de condições mais extremadas de densidade e pressão de criaturas mais exóticas eu pulei a parte referente a Estrelas de Nêutrons...
            Já não é sem tempo de corrigir esta injustiça e também de eu tomar vergonha na cara e tentar fotografar este DSO que tanto estimo.
                  Vamos fazer assim:    primeiro Estrelas de Nêutrons e depois fotografia.
             M1 é um remanescente de Supernova e uma nebulosa de vento de Pulsar. Embora com uma origem comum são coisas diferentes. No meio da confusão do que restou desta explosão existe uma estrela de Nêutrons. 
            Para chegar ser uma estrela de nêutrons a matéria tem que percorrer um longo caminho.  Contei muitodesses processos em outros posts.
            Para se construir modelos teórico de estrelas - o único caminho para se realizar o retrato da evolução das estrelas  em uma  escala humana de tempo - os cientistas fazem uso de cinco equações básicas que expressam as leis da físicas necessárias para tal feito.
            São estas as "Equações de estrutura estelar".
            Primeiramente, já que a gravidade é o que mantém as estrelas unidas, existe  uma equação baseada na Lei da gravitação de nosso querido Isaac Newton que relaciona a pressão com a massa e a densidade da matéria dentro da estrela. Esta relação é  a " Equação do Equilíbrio Hidrostático".
          Depois existe uma equação simples que conta aos astrofísicos como a massa e a densidade da matéria dentro de uma estrela estão conectadas: " A Equação de Massa". 
            Já que as estrelas são quentes e irradiam luz há de haver uma equação que conta ao astrofísicos como a temperatura no interior da estrela esta relacionada ao "output" de luz da mesma. Esta é a "Equação do Transporte Radioativo". 
            Em adição , reações lá no fundo das estrelas  geram a energia que as faz brilhar. "A Equação da Geração de Energia". 
        E finalmente a "Equação de Estado"  contém as informações sobre  as propriedades e comportamento dos gases da estrela; relaciona a pressão do gás com sua temperatura , densidade e composição química.
              Isto soa muito complicado mas atualmente pode ser resumido da seguinte forma:
            Astrofísicos devem aplicar as leis da natureza para construir modelos de estrelas . Estas leis estão contidas em cinco equações que os astrofísicos possuem em seus computadores . Os seus computadores então obtém confissões em forma de magnitudes absolutas  e classes espectrais de "estrelas-modelos". Se  estas confissões batem com o que os astrofísicos vêem na cena do crime ( o céu) os astrofísico se cumprimentam e concluem que entenderam as propriedades destas estrelas.
            Em um rápido flashback vamos recordar que as estrelas se formam a partir de condensações em frias nuvens de gás intra-estelar. A gravidade faz a nuvem colapsar sobre si mesma. A pressão , temperatura e varias outras variáveis aumentam e finalmente surge uma proto estrela. Quando o hidrogênio, o equilíbrio hidrostatico, a massa o equilíbrio e mais alguns amigos atingem determinado ponto o Hidrogênio entra em ignição e as reações termo nucleares acontecem; temos uma estrela. Mas o tempo não para e a estrela acaba por fumar todo seu hidrogênio e as equações continuam seu trabalho e a matéria  precisa se reorganizar. A pressão que suportava a estrela não mais existe. A estrela deve colapsar sobre si mesma. Novas leis da física começam a operar para conter esta contração.
            Pense por um momento no que deve acontecer no interior de uma estrela moribunda e colapsante de mais ou menos uma massa solar. Conforme a estrela colapsa os átomos dentro delas vão ficando cada vez mais "espremidos". Conforme a estrela colapsa mais e mais os átomos começam a colidir violentamente e são escalpelados de seus elétrons. Logo todos os átomos estão completamente ionizados e a matéria dentro da estrela consiste de "núcleos carecas" boiando em um mar de elétrons ( adoro licenças poéticas...).
            Em condições "normais", átomos neutros são basicamente espaços vazios. Elétrons orbitam os núcleos em distancias especificas "autorizadas". Entretanto se os átomos de um gás estão completamente ionizados os elétrons e o núcleo pode ser comprimidos em um volume muito menor que se os átomos se encontrassem intactos.
             Muito antes de a matéria dentro de nossa colapsante estrela atinja um ponto onde núcleos e elétrons estejam " se tocando" certas leis da física entram em campo. Em particular uma importante lei da mecânica quântica,"O Principio de Exclusão de Pauli", que nos explica dois elétrons idênticos não podem ocupar o mesmo pequeno volume. Ou seja existe um espaço minimo onde podem ser empilhados determinados numero de elétrons. Algo que tornaria um ônibus na hora do Rush um espaço vazio... Se a estrela tentar agrupar mais elétrons por "metro quadrado" que o permitido por Pauli o "pau canta". E ela encontra uma tremenda resistência.
            O Principio da Exclusão de Pauli  e a mecânica quântica aplicada a matéria altamente comprimida  tem profundas implicações no mecanismo de " morte estelar". Quando uma estrela como o nosso sol "falece" a pressão e a temperatura na estrela sobe rapidamente  até que os elétrons estejam no  menor volume permitido para eles sob as leis da mecânica quântica. Neste ponto a matéria da estrela é dita "degenerada" os elétrons são um "gás degenerado". Este degenerado "mar de elétrons" produz uma enorme pressão que resiste vigorosamente  a mais compressão. E cada pequeno volume dentro da falecida estrela se encontra o maior numero de elétrons permitidos pelas leis da física. Temos uma anã branca.
            Para chegarmos até nossa estrela de Nêutrons a matéria ainda tem que ser submetida a mais um julgamento e a mais leis da natureza. Um processo longo.
            Outro nome que costuma habitar os textos respeito de "criaturas estranhas no zoológico cósmico" é o do brilhante astrofísico S. Chandrasekher . Foi ele que descobriu que quando uma estrela com a massa semelhante a do sol colapsa até o tamanho de uma esfera de aproximadamente 16.000 km de diâmetro temos uma anã branca.
            Mas Chandrsekhar descobriu também que anãs brancas não podem existir com massas superiores a 11/4 massas solares. É o "Limite de Chandrasekher".
            Até o final dos anos 60 , a maior parte dos astrônomos acreditavam que todas as estrelas terminavam seus dias como anãs brancas. Parecia existirem suficientes anãs brancas espalhadas pelo céu para darem conta de tantas estrelas mortas... Se acreditava que todas estrelas ,no momento de sua morte, conseguiam se livrar de material suficiente (seja como nebulosas planetárias  ou supernovas) para que seus núcleos mortos não passassem de 11/4 massas solares.
            Mas... suponhamos que uma estrela que depois de explodir como supernova ( estamos nos aproximando de M1) tenha em seu núcleo morto uma massa de 2 sóis. Ou seja: acima do Limite de Chandrasekher. Conforme esta falecida estrela com 2 massas solares se contrai sob seu próprio peso,  a pressão do " mar de elétrons degenerados"  não é suficiente para conter a contração. A estrela simples mente vai ficando cada vez menor. Como a estrela continua a encolher a pressão e a temperatura dentro da estrela se torna tão enorme que um processo digno de nota começa a acontecer. Quando a compressão do material no interior da estrela chega a um ponto onde cada centímetro quadrado pesa bilhões de toneladas de matéria as partículas atômicas começam a ser comprimidas umas dentro das outras. Em particular os elétrons são comprimidos dentro do núcleo dos átomos. Quando isto acontece os negativos elétrons se combinam com os positivos prótons para produzirem nêutrons, Muito rapidamente depois de iniciada a metamorfose "toda" a estrela se transforma em nêutrons.A estrela inteira se transforma em um gigante núcleo atômico. Uma estrela de Nêutrons nasceu.
            Graças a uma outra lei da física , chamada "Conservação do Momentum angular" que nos explica como coisas velozes giram ou rodam. Estrelas de Nêutrons   giram muito rápido.
            Para simplificar estas são algumas das caracteristicas da estrelas de Nêutrons:
- Uma estrela de Nêutrons é pequena, Seu diâmetro será de aproximadamente 25 Km.
-Uma estrela de nêutrons é densa. Um centímetro quadrado do material de uma estrela de nêutrons contem cerca de 1 bilhão de toneladas de matéria.
-Uma estrela de Nêutrons roda muito rápido. Logo após a sua formação ela gira pelo menos uma centena de vezes por segundo.
- Uma estrela de nêutrons tem que possuir um campo magnético muito forte . O Campo magnético de uma estrela de Nêutrons reside entre um bilhão e um trilhão de vezes mais forte que o atual campo magnético do sol.

            Para completar a saga de uma estrela de Nêutrons é necessário falar o que acontece na superfície desta estrela. A matéria na superfície não é ,nem de perto, tão densa quanto em seu interior. Ainda permanecem muitos prótons e elétrons que não foram esmagados uns dentro dos outros para formarem nêutrons e assim segundo a teoria eletromagnética estas partículas carregadas  (prótons e elétrons) serão acelerados para os pólos magnéticos da estrela. Finalmente chegamos a importante realização que dois fachos de luz devem emergir dos pólos da estrela. Como um farol . Como um Pulsar.
            Como falei M1 é uma Nebulosa de Vento de Pulsar. Chegamos até a estrela de Nêutrons , o Pulsar e a Nebulosa que pretendia fotografar desde o inicio do post. Reunidos são o conjunto da obra que formam e realizam a Nebulosa do Caranguejo.

            Estrelas de Nêutrons e Pulsares são a mesma coisa... E o Pulsar de Caranguejo foi um dos primeiros a ser descobertos. A estrela que alimenta a nebulosa foi "descoberta" em 1942 por Minkowski. Tratava-se de um espectro óptico muito incomum . As coisas seguiram seu rumo e em 1968 descobriu-se que a estrela emite sua radiação em pulsos rápidos. Nascem uma estrela de nêutrons e um pulsar. 
            Pulsares são fontes de radiação eletromagnéticas intensas e extremamente regulares. Sua regularidade levou a equipe que primeiro os identificou batizarem-lhes de LGM. "Little Green Men".Como se suas emissões fossem sinais enviados por uma outra civilização. A descoberta de uma fonte de radio pulsante no centro da nebulosa foram uma forte evidencia de que pulsares se formam em explosões de supernovas. Daí a ligarem os fatos e estrelas de nêutrons e pulsares serem associados foi um passo. Dado dentro de M1.
            Agora que já percorri todo o caminho até o coração da Nebulosa do Caranguejo e o ciclo de evolução de estrelas de massa acima do Limite de Chandrasekhar e abaixo do Limite de Volkhoff- Oppenheimer vou contar para vocês o ultimo pódium que M1 visitou.
            Não posso deixar de apresentar o belo paper realizado por J. Jeff Hester "The Crab Nebula: An Astrophysical Chimera". É um trabalho que vai apresentar M1 com todas as honras. Você pode acessa-lo aqui.  
            Finalmente astro fotografia. E o fracasso.
            Ela foi o primeiro DSO do ano que não fotografei. Com este post escrito a mais de um ano eu esperava ansioso pela oportunidade de fotografa-la. O plano era perfeito. E assim falhou de forma retumbante.
            Aguardei a época certa e fui de mala e cuia para Búzios. O plano começou a falhar ainda no Rio de Janeiro. Já havia observado M1 com diversos equipamentos. Mas a verdade é que somente como Newton ( meu refletor de 150 mm) consegui realmente a perceber sem o uso de subsídios do tipo visão periférica, hiper oxigenação, balançar o telescópio e imaginação. Como sabemos a família aumentou e eu resolvi levar apenas o Galileo ( um refrator de 70 mm). Acreditando que o sensor C-mos de minha câmera faria o truque e garantiria a aparição magica da nebulosa nas fotos. Erro crasso.
            Búzios no ano novo apresenta um poluição luminosa digna de cidade grande    e assim até mesmo mirar o pequeno refrator em Zeta Tauri foi difícil. Em uma casa recém "detonada" por uma enchente , minha esposa atacando de Rainha-Má e a mosquitada fazendo festa em meus tornozelos comecei a perceber que a tal foto estava ficando para o ano que vem...
            Usando a buscadora calculava um "hop" aproximado de onde deveria estar a Nebulosa.
            Depois partia para a ocular na esperança de estar no local exato.
             Como o tempo e o espaço são bem mais complexos do que parecem nem escaneando a região durante horas consegui vislumbrar a nebulosa.

            A tarefa se revelou acima do instrumental e do instrumentista. Mas todas as vezes que consegui observar de fato M1 foi seguindo este rumo e essa mesma forma. Com o Newton não chega a ser tão difícil como possa parecer por esta experiência. Com minha ocular de 25 mm calçada no Refletor eu parto em busca de M1 a partir de Zeta Tauri. Calculando o hop diretamente pela ocular M1 se revela mais cedo ou mais tarde para minha velha e cansada vista. Com o refrator não adiantou nem reza forte...
            Mas astronomia até quando é um fracasso nos ensina e assim prometi voltar com o Newton e fotografar M1 um outro dia. E fiz todo o dever de casa e estudei bastante sobre a nebulosa propriamente dita. Esta é a parte que vocês vão poder utilizar deste post. Quanto a astrofotografia.... Desta vez os créditos vão para o Hubble.

Fotos feitas posteriormente . Acho que expressa bem o apelido. Parece definitivamente a carapaça de um Caranguejo...  É fruto dsa mesma captura da foto abaixo. Mas esticada no PixIn Sight 1.8.




P.S. Quase um ano depois acabei conseguindo fotografar M 1 . Com o auxilio de uma nova cabeça equatorial e e m noite de lua nova em Buzios . Ainda assim de forma discreta e com muio ruído....