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quarta-feira, 12 de junho de 2013

Ngc 5316- Um Aglomerado que Não Gosta de Luz

         

          Existem certos DSO´s que são uma pedra no sapato de um cidadão. Já falei aqui que a expressão cidadão surgiu  para designar aqueles indivíduos que habitavam a cidade.  Estes DSO´s de apelo mais rural são em geral pequenos e tênues. E bichos do mato que são, não gostam de cidadãos curiosos.  
            Se você vem acompanhando as aventuras e  desventuras do Nuncius Australis deve saber que esta época do ano a parcela Sul da Via Láctea (ao sul de Escorpião) apresenta-se diante de sua janela. Com isto a região ao redor de a e b Centauro é bastante frequentada.
            Assim Ngc5316 é uma pedra no sapato que vem se mostrando bastante incomoda. Outro dia saí em busca da mesma e acabei indo parar em Ngc 5281.  Embora com magnitude semelhante dois aglomerados dificilmente poderiam ser mais diferentes. Enquanto 5316 se espalha por 15´ e 6ª magnitude o outro ( 5281) se esparrama somente por 5´ e apresenta-se com uma magnitude levemente mais brilhante . 5.9. Com isto o brilho de superfície de 5281 é muito superior e este sobrevive muito melhor que Ngc 5316 a poluição luminosa que vem se tornando insuportável graças às obras para o Metro.

            Obras as quais tem me levado a desenvolver pensamentos nefastos envolvendo as figuras do Governador Sérgio Cabral e do Prefeito Eduardo Paes. De tal forma nefastos que comentários recentes deste mesmo prefeito me levaram a cogitar a hipótese de torcer pela Argentina na Copa do Mundo.
            Depois de atacarem meu direito de ir e vir, cortarem varias figueiras quase sexagenárias e atentar contra a lei do Silêncio eles finalmente acenderam um refletor apontado para minha janela.
            Este post vai mostrar que o improvável não é impossível e mesmo sofrendo este atentado eu acabei por conseguir retirar a tal pedra do meu sapato.

            Apesar do maldito refletor apontado para minha janela eu estava brincando com minha T3 (câmera) e acabei tirando uma foto do meu quadro favorito na sala. Um daqueles prismas que o Ivan Freitas explorou a exaustão. Mas o tema combina em tudo com a astronomia e eu gosto de chamar o mesmo “Optica”. A foto do quadro, duas garrafas de vinho e o “Newton” montado e motorizado junto à janela me levaram a esquecer de todos os livros e conselhos e assim fui lá eu desafiar o governador, o prefeito e o maldito refletor de 2000 W que atacava a minha janela.
            Sem maiores pretensões faço o meu alinhamento polar pelo método do chute. Chuto um pé do tripé para um lado e o outro para o outro e voilá.
            As fotos de da grande nebulosa de Carina que apresento abaixo deverão servir como um termômetro (ou seria colorímetro?) dos níveis absurdos de poluição luminosa com que tenho vivido...  Estas ficam como mais algumas fotos da Série “Astrofotografia por Miró & Pollock”...

Nebulosas sofrem muito com a poluição luminosa. Eta Carina é muito discreta pela ocular ..Me lembro que  ha alguns anos a percebia claramente a olho nu aqui de casa...
            Depois disto eu continuo em voo cego pela região entre Carina e Centauro e acabo esbarrando em um velho conhecido. Ngc 3766. Mas como este post não trata do “Pearl Cluster” e, portanto vou apenas apresentar a foto que fiz deste que é um dos mais tradicionais abertos do hemisfério sul.
Ngc 3766- canon T3 7 exp.X 15 seg Rot n´stack  asa 3200
Newtoniano 150 mm x 1200 mm  f8


                 Seguindo a Via Láctea eu vou me deparando com os diversos aglomerados abertos.
            Aglomerados abertos são grupos de estrelas fisicamente relacionadas e mantidas juntas por sua mutua atração gravitacional.
            Aglomerados abertos são objetos de grande interesse cosmológico por apresentarem quadro propriedades que permitem testar diversos modelos e teorias. São elas:
1.      As estrelas de um aglomerado se encontram (aproximadamente) a mesma distancia.
2.      As estrelas tem aproximadamente a mesma idade
3.      As estrelas possuem a mesma composição química fruto da nuvem que as criou todas...
4.      Elas apresentam diferentes massas.

Desta forma estas estrelas são uma excelente amostragem para o estudo da
Estrutura e evolução estelar. Mais em evolução estelar clique aqui  .  Ou aqui.
            Mais de 1100 aglomerados são conhecidos na Via Láctea. E eu como eu já estava passeando por perto de b Centauro e tinha um acerto de contas com um deles achei que deveria aproveitar a péssima oportunidade para dar uma caçada naquele que vinha se recusando a se apresentar para mim há vários meses...

            Ngc 5316 é uma descoberta de James Dunlop em 1826. Com um refrator de 9 polegadas. Ele passou invicto pelo levantamento de Lacaille e de John Herschel. Muito próximo dele habita Ngc 5281. Este uma descoberta de Lacaille. Se o Abbe descobriu este ou o mais discreto 5316 já foi alvo de discussão.  Devido a seus pequenos instrumentos me parece que 5316 estaria acima das capacidades do afrescalhado Abade francês. Posso afirmar que 5281 é um alvo muito mais fácil e minhas buscas pela região me levaram não ter nenhuma duvida sobre estes eventos. Já falei deste mistério celestial e sobre confusão causada devido a descrição feita pelo Abbe em outro post dedicado ao “Aglomerado de Cheshire” Ngc 5281.
            Ngc 5316 é bem discreto pela buscadora. Apenas uma suspeita no céu carioca. Com a ocular de 25 mm é percebo apenas quatro estrelas cercadas de uma leve nevoa que parece resolver mais algumas estrelas com visão periférica. Com a 17 mm calçada no “Newton” pouca coisa muda. M pouco mais de definição, mas não o resolvo plenamente com nenhuma combinação que tenha tentado... Ele parece gostar ainda menos que eu das luzes providenciadas pela administração publica. Um timido que não gosa da ribalta...No caso uma senhora ribalta . Mais de 1000 watts de lampada apontando para o céu. 
          Resolvo fotografar o bruto. Mesmo com o alinhamento polar deixando a desejar o registro fotográfico resolve muito mais coisas que minhas retinas cansadas deste meu viver e um tanto enevoadas pelo vinho...
                Abaixo os registros fotográficos e o tanto de processamento a que foram submetidas às fotos.
Aqui foram 10 exposições de 15 segundos empilhadas no Rot and Stack e posteriormente "croped" no photoshop onde também utilizei " Levels" para aumentar um pouco o contraste e a saturação.   A foto inicial utilizou o modo " Mean" do Rot n´stack.


 
Aqui as mesma 10 fotos fora, empilhadas no Rot n Stack . Desta vez utilizei a foto gerada pelo modo "Sort". Reduzi o gradiente do fundo no IRIS e posteriormente ampliei e 'croped" no PhotoShop. depois ainda uma rapida visita ao Noiseware para reduzir o ruido  de tanta tecnologia...
            
Uma unica exposição de 15 segundos . Nenhum tratamento. Muito parecido com o que se percebe com  a ocular 25 mm.

            Ngc 5316 não é um aglomerado dos mais estudados e após muita pesquisa consegui descobrir alguns fatos cosmológicos fundamentais. O Aglomerado se encontra há aproximadamente 3815 anos luz de nós (1170 PC +- 0,15). É assim como eu um cidadão de meia idade com aproximadamente 120 milhões de anos. Suas gigantes vermelhas o denunciam assim como minhas rugas...  Ele se encontra, etariamente, entre as Plêiades (100.000.000 de anos) e Ngc 2516 (150.000.000). Descobri tudo isto no único paper  foi publicado a respeito do bruto.  

              A quem interessar possa:



               Ngc 5316 é um aglomerado aberto difícil de achar no céu e na terra. Ainda bem que o achei. .

                   Na tarde seguinte fui atrás do Mestre Jeferson ( chefe do canteiro de obras) e com um pedido delicado consegui que aquela maldita "luz de ribalta"  fosse virada em direçaõ ao solo e para a obra que deveria iluminar e não mais para dentro de minha casa. Cada um sabe onde é que aperta o seu sapato..



domingo, 2 de junho de 2013

Mestre João e o Cruzeiro do Sul


O mês de maio foi bastante ingrato para a astronomia. Fui transferido para um universo paralelo cheio de luzes e sombras. Uma espécie de “Wonderland” onde não existia Alice.  Realizando um comercial pra uma grande marca esportiva eu e uma imensa equipe fomos parar no mundo dos espelhos. Uma gigantesca tenda com 400 m² cheia com estes entes reflexivos nos mais variados formatos e tamanhos. Um espaço muito louco e com horários de funcionamento determinados pelas vontades de um craque de bola que não nos dava muita pelota...  Foi assim por 20 dias (ou noites). Tudo isto em um estádio “condenado”. E nunca por menos de 18 horas em cada 24...
“Voltar para casa” foi muito bom. Olhar pela janela e avistar o Cruzeiro do Sul foi extremamente reconfortante. Realmente me senti de volta ao Brasil...
A história do Cruzeiro do Sul é intimamente relacionada à história do próprio Brasil. A menor das constelações é também uma das mais famosas. Com seu característico formato de cruz ele é conhecida e cantada nos dois hemisférios.

Cruzeiro do Sul e Saco de Carvão 

Mas até ser o Cruzeiro do Sul muitas navegações foram necessárias. E segundo as lendas a primeira vez que esta teve sua forma característica identificada foi durante a viagem de Pedro Álvares Cabral. A mesma que “descobriu” o Brasil.
Embora mais famosa a carta de Pero Vaz de Caminha é aqui ofuscada pela carta de João Faras. O Mestre João. Esta deve se tratar do mais importante documento astronômico de toda expedição de Cabral. Não só ela apresenta o primeiro esboço de céus austrais, identifica a forma do Cruzeiro e levanta a lebre de que as terras visitadas por Cabral não eram novidade nenhuma...
Mas fugindo das conspirações ela não deixa duvida de que foi o Mestre João o primeiro a atribuir o Nome de Crucis (Cruz) para a constelação que agora chamamos de Cruzeiro do Sul.  Suas observações são muito mais claras e evidentes que as realizadas pelo navegador italiano Américo Vespúcio.
Há pouca informação sobre este tão esquecido explorador, coomólogo, cientista, médico, piloto e etc... Em um site de origem suspeita descobri somente o seguinte:
João Emeneslau, Johannes Meister, Meister Johanne, o Mestre João de Fares ou João Faras – conforme registro na Torre do Tombo em Lisboa – astrólogo (?), médico e piloto da esquadra de Pedro Álvares Cabral, batizou e fez o primeiro levantamento oficial das estrelas que compõe a constelação do Cruzeiro do Sul. Registrou as coordenadas de Porto Seguro e a 1 de maio de 1500, em carta a Dom Manoel, o Venturoso, rei de Portugal à época dos descobrimentos, relatou suas descobertas.
Descobri ainda, agora graças ao grande Ronaldo Rogério de Freitas Mourão, que ele era também um dos dois únicos judeus conhecidos na frota de Cabral.
Em sua carta ele fala:
“Senhor, ao propósito, estas guardas nunca se escondem, antes sempre andam em derredor sobre o horizonte e ainda estou em duvida que não sei qual de aquelas duas mais baixas seja o polo antártico; e estas estrelas, principalmente as da Cruz, são grandes como as do Carro; e a estrela do polo antártico, ou sul, é pequena como a do Norte e muito clara, e a estrela que esta acima de toda Cruz é muito pequena”.
No texto podemos perceber certa confusão. Mas de qualquer forma a referencia a Cruz e ao Cruzeiro são claras. Parece-me evidente que Mestre João talvez tenha avistado Sigma Octans (estrela polar sul) nestes tempos pré-telescópicos. E quais seriam as guardas que ele se refere também é difícil afirmar de quem se tratem. Afinal Alpha e Beta Centauro não são circumpolares da altura de Porto Seguro.  Mas sua comparação ao Carro (uma parte da Ursa Maior) e aos guardas (estrelas no Carro que apontam para a estrela polar Norte) deixa claro que ele realmente esta falando do cruzeiro e das cercanias do Polo celeste Sul.
È provável que o piloto de Cabral tenha avistado Nu Octans. E acreditado que esta trata-se da estrela polar Sul. Eu mesmo já fiz isto... E com Buscadoras, Binóculos e telescópios a meu dispor.
De novo graças ao Prof. Ronaldo Rogério de Freitas Mourão as únicas estrelas circumpolares facilmente visíveis a olho nu e logo ao alcance de Mestre João nas latitudes baianas seriam Beta e Gamma Hydra. As estrelas de Octans são bem discretas... E As estrelas do Cruzeiro não são circumpolares nas Latitudes por onde andava João quando pela Terra Brasilis.
Ainda em seu livro “A Astronomia na época dos Descobrimentos” o Prof. Mourão apresenta a poesia de Gerardo de Melo Mourão, na “Invenção do Mar” apresentando nosso herói:
“Mas na terra de Cabral
Elas foram primeiro reveladas
E nominadas por Mestre João-Mestre João Alemão-
Johannes artium et medicinae bachalaurius
descobridor de estrelas
e o físico-cartografo nelas viu o signo santo
                                              seu pentestrelo persignado
                                       desde a a estrela ao pé da cruz
                                                           até à g na cabeça.
Alpha e Gama crucis
Medidas em seus graus, chamadas por seus nomes.”

Em meio a esta carta de enorme valor ele apresenta o que é o primeiro mapa celeste do Brasil. E levanta algo da bruma que seu rebuscado texto causa aos modernos leitores... O piloto, cientista, médico e etc. parece que possuía uma visão muito desenvolvida.


Pelo desenho se deduz que o Mestre João de Farras identificou as seguintes estrelas: Delta Crucis, Acrux, Gacrux, Beta Crucis, Beta Centauri, Alpha Centauri, Alpha Circini, Beta Triangulo Austral, Gamma Triangulo Austral, Alpha beta Triangulo Austral, Épsilon Apodis, Xi Pavonis, Delta Apodis, Gamma Apodis, beta Apodis, Nu e Sigma Octans. É importante ressaltar que as modernas constelações austrais só foram definitivamente estabelecidas no século XVIII com o trabalho de Lacaille.
Se o antigo astrônomo localizou, de fato, a estrela polar sul permanece um mistério. Assim como se os antigos navegadores sabiam ou não de terras por estas bandas...

Com as histórias de Mestre João ou João Alemão na cabeça e com saudades de observar algo, tirar a poeira do “Newton” (meu refletor) e mais ainda de fazer algumas fotos eu me preparo para visitar as estrelas que formam o meu hospitaleiro Cruzeiro que, nesta época do ano, fica bem de frente para a minha janela na “Stonehenge dos Pobres”.
Nunca tinha fotografado todas as principais estrelas do Cruzeiro. E com meu corpo antigo e cansado deste meu viver no “Pais da Maravilhas” acho que seria um programa legal e fácil. Usando de exposições relativamente curtas e com alvos facilmente visíveis pelo LCD da câmera eu poderia ter uma calma e tranquila noite de astrofotografia e ainda visitar a “Cruz de João” e as estrelas que o mesmo batizou. Depois poderia ainda fazer umas fotos com minha zoom 18-55 mm do conjunto da obra. De novo sem alinhamento polar, mascaras de Bathinov, duvidas sobre o foco e contorcionismos junto a ocular. E ainda me sentido de volta ao lar.
Alpha Crucis ou Acrux é um belo sistema binário facilmente separável. Mesmo as mais modestas lunetas serão capazes de resolver este belo par. Ambas com uma cor esbranquiçada. Trata-se de um sistema binário verdadeiro e ambas as estrelas dividem um centro de massa comum. Na verdade trata-se de um sistema triplo com a componente c muito próxima para ser percebida de forma ótica (apenas 1 UA). Ambas as componentes visíveis são da classe B e muito quentes. Encontram-se à aproximadamente 321 anos luz de nós e sua orbita é bastante longa ao redor do dito centro de massa. Mais de 1500 anos. É também conhecida como a “Estrela de Magalhães”. Foi a Primeira estrela dupla que observei. E creio que a primeira que fotografei...
Depois de fazer algumas exposições de 4 segundos desta eu parto para Beta Crucis ou Mimosa. 
Esta é também uma dupla. Otica e espectografica. A estrela que voce ve a sua esquerda não é relacionada a ela fisicamente. Não chega ao esplendor de sua irmã maior, mas ainda assim é um espetáculo a parte. É uma estrela do tipo B e uma variável do tipo Beta Cephei. Apesar de jovem já consumiu a maior parte do hidrogênio em seu núcleo. É possivelmente a estrela de 1ª magnitude mais quente conhecida. 27.000 k. É uma daquelas que prefere viver dez anos a mil que mil anos a dez. Se encontra há 280 anos luz do Sol. Ela serve como marco para se chegar Ngc 4755, a Caixa de Joias. O DSO mais famoso do Cruzeiro do Sul.

Seguindo o sentido horário chego até Gama Crucis. A Rubiácea. Minha favorita. Uma bela dupla ótica de esquisito colorido. Sua principal merece o nome. Parece um grão de café cereja. Maduro e pronto para a colheita. O colorido da dupla garante o espetáculo. Também conhecida como Gacrux é a gigante vermelha mais próxima do Sol. 88 anos luz. Sua companheira ótica se encontra a 400 AL...






A próxima parada é Delta Crucis . A Pálida. Já mais apagada que suas colegas ela chega a sumir em noites de lua cheia e de forte poluição luminosa. Com um brilho branco azulado ela merece seu nome. Uma beleza pálida. Seu colorido me lembra de alguns filmes de vampiro. Ela já se encontra saindo da sequencia principal e esta se desenvolvendo rumo a tornar-se uma gigante vermelha. Seu tipo é B2 IV (subgigante) e ela se encontra a 345 AL da terra. Ela também é candidata a ser uma variável do tipo beta Cephei



E finalmente a Intrometida. A estrela que não devia estar lá. Apagada e avermelhada ela é difícil de perceber a olho nu aqui no Rio de Janeiro. Ela é uma gigante laranja da classe K3 III. Encontra-se há 228 anos luz da terra.









Como já vem se tornando um habito apresento abaixo as fotos realizadas e devidamente empilhadas tanto pelo Rot n Stack como pelo Deep Sky Stacker. Nem sempre consigo me decidir sobre qual é o melhor resultado. Embora saiba que o DSS é mais poderoso...
 
DSS - 50 exp. X 20 Seg  Canon 18-55 @ 35 mm f5


 
RnS- 50 X 20 seg Canon 18-55 @ 35 mm f5 ( Modo Mean)

Novamente percebo mais detalhes no DSS . Mas mais cores no RnS. Achei que tinha descoberto um meio de aumentar a saturação das fotos no proprio DSS. Mas desta vez não funcionou...

As fotos não sofreram grandes processamentos. E o resultado é "pretty much" o que sai do resultado de empilhamento. No DSS eu apenas ( como sempre é necessario) "desço na curva" RGB. No Rns (como sempre) faço um pequeno crop no Photo shop. 
As fotos das estrelas são apenas uma exposição de 4 segundos em cada uma sem acompanhamento. 


sábado, 11 de maio de 2013

Rot n´Stack 1.2- A Nova Versão


            

            Saiu uma nova versão do Rot n´ Stack
O Rot n´Stack é um programa que , como diz seu nome, serve para girar e empilhar fotos. Vejam que eu disse girar e não rotacionar . A razão é simples. O verbo rotacionar  existe . Mas...
           O motivo deste post  é um freeware e foi criado Guillaume Dargaud.
            Nas palavras do próprio criador (ou quase):
“Este programa é similar a diversos programas astronômicos no qual o objetivo é obter diversas imagens e junta-las em uma única. Este processo é usado , principalmente, em imagens escuras para remover o ruído. A diferença entre ele e outros programas “mais profissionais”: ele é grátis , ele aceita imagens  no formato  Jpeg e PNG e assim compatíveis com a maioria das câmera digitais, e por fim é muito simples. Você pode tirar uma série de fotos com 30 segundos de exposição do céu noturno (mais que isto as estrelas deixarão trilhas) e depois empilha-las para realçar o contraste”.
            Sua primeira versão foi lançada em 2005 (1.0). Ainda neste ano foram corrigidos alguns pequenos bugs e lançou-se a Versão 1.1.
            Durante 2 anos usei esta versão.
            Apesar de não tão poderoso como o Deep Sky Stacker eu sempre gostei do Rot n´ Stack. Ele é mais “pé de boi” e apesar de certas limitações ele sempre foi garantia de que suas fotos seriam empilhadas. Mesmo  que a captura das imagens fosse realizada de forma estabanada e com um alinhamento polar abaixo da critica.
 O DSS muitas vezes se recusa a aceitar imagens com muitas trilhas ou outros problemas que nâo sei quais são. É mais fresco.
            Desta forma o Rot n´Stack sempre foi uma ferramenta fundamental aqui no Nuncius Australis...
            Seu uso é bastante simples.
            Primeiro faça o download dele - http://www.gdargaud.net/Hack/RotAndStack.html
                Abra o programa em seu PC (creio que não roda em Mac). Ele vai apresentar esta tela.

            Depois clique em “open” e na janela que ira se abrir escolha as fotos que você pretende utilizar. Todas as imagens devem estar na mesma pasta. 


                Clique em “Add” e dê “OK”. O Rot n´ Stack vai carregar as fotos e abrir a 1ª foto.
            Selecione duas estrelas usando o botâo esquerdo do mouse para a primeira e o direito para a segunda nesta primeira imagem. 


Depois ele pedirá para você fazer a mesma coisa na segunda imagem. E depois ele irá perguntar se você quer fazer isto manualmente ou automaticamente.
            Escolha manualmente e selecione as mesmas estrelas em todas as fotos que você carregou.  Com isto ele vai girar e alinhar as fotos da melhor forma possível.
            Na nova versão (1.2) lançada em 29 de dezembro de 2012 surgiram mais algumas opções na aba Advanced. 


             Com ela é possível se subtrair um Dark frame das imagens e assim se livrar de hot pixels e outras coisas nefastas . Ele pode utilizar um dark frame definido por você ou gerar um ele mesmo. Foi um grande avanço mas ainda é um recurso experimental.
            Uma vez feito isto pressione “Rot n´ Stack” na aba superior direita da barra de ferramentas do programa.
            E espere. Quanto mais fotos mais tempo...
            O Rot n´Stack vai gerar quatro arquivos com quatro resultados diferentes:
·         Uma imagem onde cada pixel é o mais brilhante das imagens originais. (modo Max)
·         Uma imagem onde cada pixel é o menos brilhante  das imagens originais (modo Min)
·         Uma imagem onde cada pixel é a média  de todas as imagens originais (modo Mean)
·         Uma imagem onde cada pixel passa por um algoritmo muito doido e que maximiza o contraste. Os resultados parecem arte pop ou surrealismo. Depende do dia... ( modo Sort)


O modo Max é interessante . Mas somente utilizando-se dark frame. Caso contrario se perceberá muito hot pixels.

O modo Min  não é exatamente o que se procura quando esta se empilhando fotos sub expostas... Mas em alguns DSO´s ele resolve

O modo Mean é o mais realista e o que eu acho que apresenta os melhores resultados.

O Modo Sort não gera imagens realistas mas pode revelar detalhes que não seriam percebidos de outra forma.  

Um dos maiores avanços da nova versão é suportar fotos maiores. Com o aumento do formato das fotos em câmeras mais modernas e com mais resolução  a antiga versão 1.2 não estava suportando. Quando troquei minha câmera Canon Rebel 350D pela Canon T3 ele alegava ( na maioria das vezes ) não possuir memória ( na verdade alegava ter que aumentar a memória da pagina...) para empilhar as fotos . Na nova versão isto foi solucionado.
O Rot n´Stack é um bom programa. Apesar de algumas limitações ele é bem amigável e com seus novos recursos ele consegue obter bons resultados e ajudar o amador na astrofotografia mesmo quando lutando contra recursos insuficientes para realizar captura de imagens “perfeitas”.
Vejam estes resultados em um rápido teste com um velho conhecido. Ngc 3766.

Primeiro foram escolhidas 16 de 24 fotos feitas com uma Cannon T3 acoplada a meu newtoniano de 150mm. Foi utilizada ASA 3200 e as exposições foram de apenas 10 segundos.  O alinhamento polar foi feito no chute. Dei um chute no pé esquerdo do tripé e um no direito e pronto...
Abaixo o modo Min. Sem  e com o uso de um dark frame auto-gerado.
Min

Modo Mean
Mean

Modo Max
Max

Modo Sort
Sort


Percebo que o uso do dark auto-gerado reduz o ruído, resolve em parte os hot pixels no modo Max e apresenta um certo desvio para o verde. Veja o Master dark gerado...

 O modo Sort é um exagero. Mas com o tempo aprendi que se passando por maciças doses de processamento pode revelar coisas que nenhum outro pode... Em um post futuro apresentarei uma das surpresas que ele me causou.
Mesmas fotos no Deep Sky Stacker

Ainda que achando o DSS “o programa” pare empilhar não posso deixar de elogiar o Rot n´Stack e suas características mais rústicas.Ele é  mais simples de se utilizar que o DSS mas também implica em muito mais trabalho manual (clicks e mais clicks de mouse para se marcar as estrelas que servirão pra o alinhamento de todas as fotos capturadas...) para se obter resultados bastante honestos. È amigável com iniciantes e sua interface é bem instintiva. É um excelente programa e a iniciativa de Dargaud em disponibiliza-lo gratuitamente é elogiável. Sua nova versão continua muito simples de se utilizar e possui mais recursos. Acredito que o processo de subtração de Darks, que ainda esta  na fase experimental, vai evoluir e que o RnS  possa melhorar mais ainda. Serve ainda para se empilhar fotos "terrestres". E aí não é necessário se marcar os pontos para alinhamento. 
P.S. O recurso de utilizar um dark frame realizado por você mesmo melhora muito o resultado sobre o dark frame auto gerado. O equilíbrio de cores se torna muito mais fidedigno. A unica ressalva é que você deve obter o dark frame em raw ou Jpeg (pelo menos na minha câmera...) e antes de utiliza-lo deve converte-lo para PNG no photoshop. O RnsS só aceita darks neste formato.  

domingo, 5 de maio de 2013

A Nova de 1066, Burnham´s Celestial Handbook e Dom Quixote


Com o outono se apresentando claramente a fim de me sacanear eu não tenho observado muito. Apesar de tentar tem sido uma luta constante contra a nebulosidade que insiste em apagar a vista de minha janela. Mas mesmo assim tenho tido algumas aventuras quixotescas junto a ocular e lido bastante.
Desta forma tenho visitado frequentemente meu exemplar do Vol. II do Burnham´s Celestial Handbook.
            A obra magna de Robert Burnham, Jr. É um dos maiores clássicos da astronomia amadora e merece a honraria.
            "Burnham´s Celestial Handbook- An Observer´s Guide to the Universe beyond the Solar System" é o nome completo do tratado. Se divide em 3 volumes “tijolescos” e o conjunto apresenta mais de 2000 paginas. Na verdade 2138 paginas...
            Em minhas Quixotescas lutas contra as nuvens eu não poderia ter melhor companhia. Burnham é, sem duvida, o Cavalheiro da Triste Figura da astronomia.
            Nascido em 1931 em Chicago e tendo se mudado para Presscot, Arizona em 1940 ele conclui o “High School” em 1949. Este foi o ponto culminante de sua educação. Tímido, duro e de poucos amigos ela passava a maior parte do tempo observando em um telescópio feito por ele mesmo.
            No Outono (olha ele aí de novo...) ele obteve um relativo sucesso tendo descoberto seu primeiro cometa. Por isto acabou contratado pelo Observatório Lowell em Flaggstaff, Arizona. Ele iria participar de um levantamento para determinar o movimento próprio de estrelas. Ele comparava “plates” fotográficos...  
            Durante este período ele descobriu mais cinco cometas e diversos asteroides.
            E depois de cumprir suas obrigações nosso Quixote estelar dedicava todo o seu tempo livre a seu livro.
            Este foi lançado de forma independente e descontinua (quase que mimeografado...) a partir de 1966. Em 1978 foi apresentada a sua versão revisada e definitiva e esta foi publicada pela Dover. Reza a lenda que Burnham (que nunca foi exatamente um cara bom em negócios) vendeu os direitos por US$ 10.000,00. E posteriormente viveu uma eterna luta com a Dover...
            Nosso Dom Quixote então sofre sua maior desgraça. Com o fim do levantamento no Lowell ele, que não possuía formação acadêmica, se vê sem emprego. O Observatório lha ofereceu um emprego de guia e ele declinou a oferta. 
            Com seu livro sendo alçado a um dos maiores clássicos da astronomia amadora ele vê suas condições financeiras indo de mal a pior. E ele se torna um recluso e por fim desaparece.
            O pior é que a comunidade astronômica o confundia com Robert Burnham, editor da Revista Astronomy.
            Ele termina seus dias abandonado e na miséria vendendo desenhos de gatos que ele fazia em um Parque em San Diego... Morreu e foi enterrado sem que nem mesmo sua família soubesse. Em 1993. Existe um tópico no Cloudy Nights onde ocorreu um debate acalorado sobre “as culpas” na história de Burnham Jr.
            Apesar de sua modesta formação acadêmica qualquer um que ler o seu Celestial Handbook vai perceber sua enciclopédica sabedoria sobre os mais diversos assuntos.
            Lutando com minha limitada área para observação e uma poluição luminosa na casa de  9  ( Escala Bortle de poluição luminosa-Mega cidade: Nelm 4.o ou menos, Todo céu é claramente iluminado, Diversas constelações familiares são invisíveis) devido aos sinais luminosos da nova obra da administração Eduardo Paes eu me identifico com Burnham e lendo o Segundo volume de seu tratado resolvo me lançar contra Moinhos de Vento.
            Em geral observar uma estrela sem maiores destaques não é uma das operações favoritas da maioria dos astrônomos. Mas com níveis alarmantes de poluição luminosa e nebulosidade achar Beta Lupus seria uma batalha. E a luta não era por ela, mas por algo ainda mais inalcançável. Minha Dulcinéia Del Toboso.  A história que Burnham me contara no capitulo sobre Lupus ( uma constelação) em seu livro me deixara fascinado com a ideia de procurar algo que eu não tinha nenhuma condição de ver.  Nem mesmo de fotografar. Mas o Cavalheiro da Triste Figura do Arizona tinha me fisgado. Eu tinha que buscar pela Nova 1006.

             Ela se encontra  muito perto de  Beta Lupi .
            Burnham, que é o Dom Quixote deste post, em seus delírios, me convenceu (Sancho Pança...) que esta seria a posição da primeira supernova historicamente autenticada.  E que eu ia ver algo que ninguém viu nos últimos 1007 anos...  Eu ainda não sabia que ela já tinha sido "fotografada em HD" pelo Chandra x Rays. É engraçado como um livro antigo pode apresentar novidades para quem está desinformado...
            Segundo o meu senhor ( e mais alguns estudiosos) o aparecimento desta brilhante “nova estrela” esta registrada na crônica em diversas fontes medievais. Seus registros estão na literatura da Europa, China, Japão e o Egito Islâmico.  
            Apesar de sua posição ser discutível ( nos tempos de Burnham...) os diversos registros não deixam duvida que este brilhante objeto- segundo Burnham  uma Supernova do Tipo II- apareceu nas proximidades de Beta Lupi na primavera de 1006 D.C.
            Com isto mais antiga que a mais famosa e menos discreta  supernova de Taurus de 1054 D.C. Esta deixou-nos M1, a Nebulosa do Caranguejo.
            Burnham nos conta que o estudo realizado por Bernard R. Goldstein (Yale University) estabeleceu que o objeto, de fato, existe além de qualquer duvida razoável.
            Entre os registros que sobreviveram as brumas do tempo se encontra o testemunho de um Astrólogo (isso mesmo...) egípcio de nome Ali ibn Ridwan. Ele a percebeu pela primeira vez na noite de 1º de Maio ou ainda na noite anterior.
            “Um espetáculo que observei no inicio de minha educação. Esta apareceu no signo zodiacal de Escorpião em oposição ao sol... Era uma grande estrela, redonda e seu tamanho era de 2 ½ a 3 vezes o tamanho de Venus. Sua luz iluminava o Horizonte e cintilava muito... seu brilho era como ¼ do brilho da Lua. Ela continuou a aparecer... até o sol chegar ao signo de Virgem... e desapareceu subitamente. Outros estudantes a observaram também”.
            Ibn Ridwan usou um raro termo arábico para descrevera o objeto. “Nazyak”. De origem persa o termo serve para descrever estrelas, meteoros ou cometas.
            Diversos são os registros de do objeto pelo oriente médio. Podemos citar ainda as Crônicas de Ibn Al-Athir. E o relato  no Bar Habraeus.
            Pela Europa os registros de Hepiddanus, um monge de St. Gall, (cidade mais famosa por sua cerveja que pela sua astronomia) também se referem a uma estrela de brilho incomum e visível durante três meses no extremo sul.
            Registros do oriente distante nos dão confirmação independente da “nova” estrela.
            Em um relato presenteado a um Imperador da Dinastia Sung em 1044 D.C esta escrito:
            “Ao inicio da noite, no segundo dia do quarto mês (Maio 1, 1006) uma grande estrela amarelada apareceu a leste de K´u Lou ao oeste de Ch´i Kuan. Seu Brilho foi aumentando gradualmente. Segundo os manuais estelares existem quatro tipo de estrelas auspiciosas, uma delas conhecidas como “Chou-po”, amarelas e brilhantes... estas anteveem prosperidade para o estado sobre o qual brilham.”.
            Existem diversos registros sobre a Nova na história oficial da Dinastia Sung.
            A fim de fechar o caixão com relação à existência da mesma Burnham ainda nos apresenta o relato encontrado no “Meigetsuki” de Fujiwara (1235 D.C);
            “No segundo dia do quarto mês no terceiro ano do reinado Kanko no período de Ichijo-In (adivinhem... 1 de maio de 1006) uma grande “estrela convidada” apareceu por sucessivas noites ao sul da constelação de Kikan”.
            Depois desta maratona medieval vamos a batalha propriamente dita.
           Para o observador moderno toda a história contada pelos antigos e por Burnham depois deles consiste na exata localização desta estrela e nos possíveis restos que esta deve ter deixado. Pelo grande brilho e pelo longo período de brilho evidente é muito provável tratar-se de uma supernova. E muito mais próxima ao sistema solar que as conhecidas “Estrela de Tycho” de 1572 ou da “Nova de Kepler” de 1604.
            Através de estudos, especialmente dos estudantes orientais, foi possível reduzir a área de nossa busca a poucos graus ao redor da estrela hoje conhecida com Beta Lupi.
            Eu, em minha "quixotada" particular, fui olhar. Passei ao redor de Beta durante uns quinze minutos. E confirmei que já sabia. Não tem nenhum resto de supernova na área. Pelo menos não para meu bico...
            Mesmo Baade (o de Janela...) com fotos realizadas com um Schmidt de 1200 mm não encontrou resíduos de nebulosidade na região.
            Minkovsky , em 1965, achou algumas estruturas filamentosas na região, mas ele mesmo confessou poderem se tratar de agrupamentos de estrelas muito tênues.
            Ainda na região um tênue anel nebuloso ao redor de uma estrela de 17ª magnitude foi reportada próxima à região . Acabou sendo identificada como uma nebulosa planetária. Não poderia ser a Nova de 1006.
            Mas apesar de toda certeza e das diversas paginas dedicadas a ela por meu querido Burnham Jr. ele não chegou a ver e ter a certeza que agora tenho..
            Uma fonte de radio foi detectada na área com o radio telescópio de Parkes, na Austrália. Em 1964. É daí a imagem abaixo...

             E a apenas 1º ½ de Beta Lupi e a menos de 1º de Kappa Centauri este era um sério candidato. Ainda mais que foram obtidas fotos com o refletor de 4 metros do Cerro Tololo no Chile onde se percebem filamentos nebulosos na área.
            Finalmente o Chandra, em Raio X, conseguiu imagens que comprovam  os contos de Burnham e as velhas histórias...  Com uma correção . Tratou-se de uma supernova do Tipo 1a. E aí a foto definitiva . Lembrando que esta se dá em raio X. Muito além do espectro visível. Na verdade para lá do ultravioleta... (ver espectro eletromagnético aqui)
         


            Eu admito que apanhei dos moinhos. Mas aprendi muito com O Cavalheiro da Triste Figura Astronômico. E isso só em um de seus capítulos. O tratado é sem duvida um dos mais belos livros de astronomia amadora que conheço. Me orgulho muito de meu exemplar (comprado usado) do Burnham´s Celestial Handbook- An Observer´s Guide to the Universe Beyond the Solar System.
            Não posso deixar de falar sobre o que vi lutando contra os moinhos e contra o Eduardo Paes.
            Beta Lupi com sua magnitude de 2,69 só foi visível com auxilio da buscadora. A coisa esta feia. Alem da poluição luminosa soma-se a poluição atmosférica. O Rio precisa de chuva...
            Ela é membro do grande grupo móvel de Scorpio – Centaurus. Encontra-se há 540 anos luz do sol.
            E depois localizei Kappa Centauro. Se você passear entre uma e outra usando uma ocular wide Field você "verá" a Nova de 1006. 
           Afinal a imaginação é guia e conselheira para Dons Quixotes, Astrônomos Amadores e outros Conquistadores do Inútil.
No optico e com um telescópio de 600 mm você não vai ver o que o Chandra achou...
As estrelas mais tenues desta foto são de 17a mag...