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quinta-feira, 18 de abril de 2013

Uma Comédia de Erros e Ilustres Desconhecidos


         
         Sempre estou tentando descobrir um jeito que me permita realizar um alinhamento polar digno e mesmo assim não ter que realizar o método do “Drift”. Afinal métodos de confirmada eficiência nunca me agradaram. Não só isso. Apesar da eficiência garantida ele é impossível de ser realizado sem possuir horizontes limpos e muito menos ainda sem poder avistar estrelas que se encontrem próximas do equador celeste. Como é o caso da janela de meu apartamento.
            Assim depois de ler um interessante post do “Uncle Rod” me ocorreu a possibilidade de utilizar uma “Estrela Polar Austral”.
            Normalmente Sigma Octans leva essa honra. Mas depois de varias consultas ao Cartes du Ciel (CdC) e ao Stellarium ( ambos programas planetários disponíveis de forma gratuita na web) eu cheguei a brilhante conclusão que o titulo seria melhor empregado em uma ilustre desconhecida. Tycho 9521-302-1 ou HIP 71438. São a mesma pessoa...
            Ela nunca se encontra a mais de 12´ do polo sul celeste. E com magnitude visual de 6.8 ou 7.06 (dependendo do programa...)  se encontra dentro do alcance de minha buscadora. Mesmo em condições extremas de poluição luminosa já que estou morando em um canteiro de obra (cortesia de Eduardo Paes, o pior prefeito que conheci)  e os níveis de poluição luminosa ao redor de minha casa poderiam ser considerados insalubres.
            Desta forma resolvo fazer um reconhecimento da região junto ao polo com um pouco mais de poder de fogo que o apresentando pela minha buscadora. A escolha, obviamente, recai sobre meu Skymaster 15X70 mm. Sentado em minha poltrona eu escaneio a região e rapidamente localizo Sigma Orionis, HIP 112355 e a ilustre desconhecida já citada.  Duas estrela, ainda mais tênues, apontam para Xhi Octans e me garantem ser este o asterismo que estou realmente procurando.

            Contar vantagem é fácil. Quero ver contar a derrota.
            Em uma infeliz ideia acho que  a buscadora montada no telescópio e a cabeça toda “no esquadro”  bastará utilizar os parafusos para o ajuste da cabeça equatorial e alinhar tudo com a ilustre desconhecida. Afinal já vai tarde e eu gostaria de ainda fotografar Ngc 5617. 
            Depois de consultar “as cartas e os programas” calculo o pequeno desvio que deveria a cruzeta da buscadora apresentar da “Estrela Polar Austral”. E vamos lá. Afinal Ngc 5617 (outro ilustre desconhecido) fica a pouco mais de 1º de Alpha Centauro e não deve ser difícil de ser localizado.
            Escuto dentro de minha cabeça a musica de abertura dos “Trapalhões”. ( Ta-na-na-na-na-nammmmm-nam).
            Não avisto nada obvio pela buscadora. Credito ao Eduardo Paes e parto para a ocular. Com a 25 mm calçada no “Newton” (meu refletor 150 mm) fico passeando próximo a Alpha Cen e percebo tênues estrelas. Me parecem mais estrelas de campo que um verdadeiro aglomerado. Mas, em tese, ele deve estar dentro do campo visual. Ainda mais quando eu colocar a câmera. O campo dela é mais como uma 30 mm ( talvez  35 mm...) do que a 25 mm.  Faço uma foto e não percebo nada. Aliás procuro não perceber. O fracasso é eminente. Faço mais algumas exposições e começo a acreditar em geração espontânea. Meu mantra: “Quando eu empilhar vai surgir algo do nada...”
            Nem com reza forte, Photoshop e Rot n´Stack. A foto abaixo deixa claro que não só não fotografei Ngc 5617 como o telescópio se encontra totalmente descolimado e que o alinhamento polar está uma...

            Melhor deixar para lutar amanhã.
            No dia seguinte resolvo colimar o telescópio (é uma atividade para ser feita durante o dia) e mexe para lá mexe para cá e eu não fico satisfeito. Resolvo inventar e com as sobras de uma embalagem de ocular eu facão uma espécie de colimador. Apesar de “rudimentar” ele se prova bastante eficiente. E me mostra que o meu secundário só não esta mais fora do esquadro porque não dá... Depois de colocar o secundário nos eixos o primário é moleza.

            Passo a tarde estudando e aguardando escurecer para fazer mais uma experiência. Estive muito criativo esta semana. Provavelmente devido a lei seca que estou tentando estabelecer em solidariedade com a gravidez de minha mulher.

            Com a buscadora presa diretamente a cabeça equatorial eu mimetizo uma buscadora polar. E parto de novo na caça de HIP 71438. A ilustre desconhecida promovida a estrela polar...
            Com um pouco de paciência e com uma transparência duvidável eu me dou por satisfeito após alguns minutos de ajustes. Depois coloco o telescópio na cabeça, a buscadora no telescópio e alinho tudo. Quem disse que observar é maior moleza não sabe o que diz. Eu, em geral, suo a camisa.
            
           Hoje meu objetivo é outro. Criei antipatia por 5617 e resolvo buscar outro ilustre desconhecido. O relativamente obscuro aglomerado galáctico Ngc 5316. Também em Centauro e desta vez mais próximo, mas não tão próximo de Beta Cen.  Navegando pela buscadora não chego a perceber nada. Mas desconfio e parto para a ocular (25 mm). Percebo um grupo de estrelas e apesar de inseguro decido tratar-se de 5316.
            O nome deste post inclui “Uma comédia de Erros...”. Foi quase nome e sobrenome.
            A foto abaixo é de um asterismo que se localiza próximo de Ngc 5316. Mas evidentemente não é ele. Não é nem aglomerado. Em poucas pesquisas vejo a clara diferença entre os dois.

Se percebe claramente a poluição luminosa como um bafo cor "vapor de sódio"...

Asterismos são agrupamentos casuais de estrelas. Este em particular é uma descoberta de José Eustaquio do Nascimento e Islas. Se chama o “ Aglomerado do Pescador”.
            E isto é tão verdade quanto uma história de pescador.
            Vocês sabem qual é o único animal que cresce depois de morto?
O mapa abaixo apresenta exatamente o que a foto mostra acima. E liquida a fatura...

O "Aglomerado do Pescador"

            Mas nas derrotas, eventualmente, se aprende mais que nas vitórias. E podemos perceber que o alinhamento polar melhorou muito nas fotos do fictício asterismo descoberto pelo imaginário astrônomo. Assim como a colimação do telescópio.
            A ilustre desconhecida HIP 71438 foi promovida a “ Estrela Poalrar Austral”. Pelo menos aqui em casa...

P.S. Fiz algumas testes capturando imagens em RAW. Não funcionou. O Deep Sky Stacker apresentou umas fotos muito doidas e completamente fora dos padrôes. embora as imagens me parecessem normais quando as abri no computador. Após o empilhamento elas ficaram assim:

            Fiz dark frames em RAW também. Tentei vários settings e sempre este estranho resultado. Continuo sem entender... 
          De qualquer forma gostei da possibilidade de poder "bater o branco" nas fotos depois da captura através do "Digital Photo  Professional". E assim me livrar daquela cor " Vapor de Sódio". O recurso só é oferecido para fotos capturadas em RAW.   

sábado, 13 de abril de 2013

Ngc 6242 - Escondido na Multidão




Ngc 6242 é mais um daqueles injustiçados celestes. É um brilhante aglomerado aberto que estivesse em qualquer outro lugar seria sempre lembrado com uma maravilha galáctica.  Mas para seu azar ele se encontra muito próximo e ao mesmo tempo suficientemente distante de uma das mais dinâmicas áreas da região de Escorpião na via láctea. Na verdade a região da cauda de Escorpião e seu vizinho Sagitário são lar de mais tesouros que qualquer outra no céu.  A região especifica que onde se esconde 6242 é conhecida como a associação OB1 de Escorpião. Esta esparramada família de estrelas jovens marca a locação da gigantesca Região H-II no Braço Galáctico de Escorpião-Carina.

Esta área inclui maravilhas como Zeta1,2(z1,2) Scorpio e o objeto que mais se parece com um cometa (a olho nu) em todo o céu: Ngc 6231 sendo seu núcleo e Trumpler 24 sua cauda.
Pouco mais de 1º ao norte desta maravilha reside Ngc 6242.  Suficientemente distante para você elimina-lo da paisagem em prol das atrações mais proeminentes.
6242 é outra descoberta do Abbe Lacaille durante seu pioneiro levantamento telescópico do céu austral realizado entre 1751 e 52. Ele é a entrada de numero 10 da classe I de seus objetos. Lac I 10. Isto faria dele uma nebulosa sem estrelas. Fica claro como eram modestos os telescópios de Lacaille. Mesmo com meu binóculo 10X50 eu resolvo algumas estrelas no aglomerado. 
Lacaille mesmo diz: “... é possível que todos os objetos nesta classe (I) sejam débeis cometas. O tempo não me permite, em procurando pelo céu, retornar a todos os objetos e verificar se eles permanecem no mesmo lugar.”.

Como não tenho problemas com o tempo posso me deleitar calmamente com Ngc 6242.  Em um primeiro momento ele se apresenta como um esfuminho oval no qual os membros mais brilhantes pipocam facilmente com pouquíssimo esforço em meu 15X70 mm. Percebo algo como uma dúzia de estrelas empacotadas que residem sobre uma névoa de sóis mais distantes.


Utilizando o  “Newton” (meu refletor de 150 mm) e 40X de aumento ele se resolve quase completamente.  Seu núcleo apresenta a forma de um “x” e a leve nebulosidade restante se resolve como vidro moído com o uso de visão periférica. Com mais ampliação ele se resolve plenamente e conto cerca de 70 estrelas.
Uma brilhante estrela amarela se localiza ao sudeste do aglomerado. Ela não é membro do aglomerado e se encontra 1000 anos luz mais próxima que suas companheiras. O Aglomerado em si se encontra 2500 anos luz mais próximo de nós que os mais famosos 6231 e Trumpler 24 que formam o falso cometa e que residem, de fato, na associação OB1 de Escorpião. Mas todos eles habitam o braço interior ao nosso na Via Láctea.
Ngc 6242 é “apagado” em cerca de meia magnitude pela poeira interestelar. Isto é comum devido a se localizar próximo ao plano galáctico.  Assim podemos situar Ngc 6242 a 3600 anos luz do sol e calcular que ele possua 9,5 anos luz de ponta a ponta.

Apesar de eu contar quase 70 estrelas o aglomerado possui apenas cerca de 23 membros. Os outros são estrelas de fundo
A idade calculada do aglomerado é de 50 milhões de anos. O que pode ser considerado bem maduro para um aglomerado deste tipo. Suas estrelas mais maciças já tiveram tempo para tornarem-se supernovas deixando para trás apenas o modesto grupo que citei.
Um mistério ronda nosso convidado e refere-se ao conflito entre as observações dos pioneiros (e armados de telescópios bem mais poderosos que o Abbe...). John Herschel e James Dunlop.
Herschel em sua segunda observação, com um refletor de 450 mm, reporta uma estrela avermelhada de 8ª ou 9ª magnitude no centro do aglomerado.
Dunlop anteriormente (1826) descreve o aglomerado como muito comprimido em direção ao centro, mas não nota nenhuma cor.  
Na sua terceira observação Herschel aponta novamente uma estrela central, mas desta vez não fala em cor.
Mesmo fotos a cores recusam-se a mostrar cor nas estrelas centrais de 6242.
Mais interessante ainda é que nenhum dos dois se refere a evidente estrela amarelada no limite sudeste do aglomerado.
É claro que olhos diferentes veem cores diferentes. Mas o caso nunca foi bem explicado.
Mas como já foi dito olhos diferentes vêem cores diferentes e localizei diversas observações de astrônomos respeitados (Steve Coe, Luginbuhl and Skiff) que não percebem cor em nenhuma estrela . O´Meara percebe o mesmo tom amarelado que eu na estrela sudeste.
Visite este belo aglomerado e veja as suas cores... Ou a ausência delas.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Astrofotografia em Familia





Semana Santa. A Lua ainda quase cheia...
Com meu irmão viajando a casa de Buzios vai estar vazia. E eu rapidamente começo a imaginar as possibilidades. Após um rápido dialogo estamos a caminho do posto avançado e dos céus mais escuros da Região dos Lagos. Mesmo com a lua cheia o céu em Geribá é muito mais generoso que o do Rio de Janeiro.
            Estamos dentro do carro eu, a cara-metade, minha filha, sogrinha e sogrão. Poderia dizer que será uma viagem “astronômico familiar”. E desta forma o “Newton” fica (um refletor 150 mm) e embarcam juntos “Galileo” (um reftator 70 mm) e meu binóculo 15X70 mm. Assim evito ter que amarrar o “Caixão de Newton” no teto do veiculo e mantenho a cara-metade na zona de conforto.
Ao contrario da previsão a estrada esta vazia e em pouco tempo chegamos ao destino. Depois de descarregar tudo começa o feriado.
Dizem que observação e “birita” não se misturam. É verdade. Mas também não devemos ser dogmáticos. Foi um encontro interessante o de meu binóculo 15X70 com uma garrafa de “Grants”. Depois de ter derrubado (com um grande auxilio de meu sogro) algo como metade da garrafa eu me encontro sozinho debaixo do céu. Este que se encontrava parcialmente nublado limpou na madrugada.
Saturno e planetas em geral não são grandes amigos de binóculos. Mas o Skymaster não faz feio. O planeta me faz lembrar Galileu, que descreve Saturno como se possuidor de orelhas. Percebo um disco acompanhado de alguns apêndices que recordam um formato discoide abaixo deste. Titã não se mostra. HIP 71469 e mais algumas estrelas de campo se apresentam emoldurando o Senhor dos Anéis. Faço um esboço no envelope de meu extrato bancario...
A coloração é bem mais amarelada...

Passeando pelo horizonte norte-nordeste eu me deparo com uma nebulosa bastante evidente. Mas aí começa a história de que álcool e observação não se misturam. O formato evidente era de uma nuvem. Ou eu estaria vendo  uma galáxia que depois de muitas pesquisas poderia ser Ngc 5812. Mas galáxias de 11ª magnitude não gostam de se apresentar para binóculos e muito menos em noite de lua cheia.
A madrugada ia avançada e eu me viro para o Sul. Já era bem tarde mesmo e eu começo a passear por campos que, em geral, se visitam mais a frente no ano. A fronteira Escorpião- Sagitário.
Pescar por essas águas é sempre sensacional. De binóculos então é sempre fartura. Nunca sei exatamente onde vou chegar.
Desta vez (e quase sempre...) começo por M7. Ele é um alvo binocular por excelência e começa o show. Se resolve em grande estilo.  Enche a rede e se não chega a transbordar é porque o 15x70 tem um campo de cerca de 3º. O “Aglomerado de Ptolomeu” não teme a Lua.
M6 é caminho obvio a partir daí. E o “Aglomerado da Borboleta” apresenta seu “shape” característico se resolvendo parcialmente. Adoro abertos que se resolvem parcialmente. As estrelas que não se resolvem dão um clima enevoado ao conjunto que é muito agradável ao olhar...
Eu sei que ao redor destes dois famosos aglomerados abertos habitam diversos outros menos populares. E assim fico escaneando pela região em busca de esfuminhos. Um me salta claramente aos olhos e se destaca da patuleia. É Ngc 6416. Um esfuminho grande e um pouco a oeste de M 6. Preciso me lembram de visita-lo com telescópio. Ele deve ser uma graça resolvido...
Depois é só seguir a Via Láctea. E diversos DSO´s se rendem ao 15X70 mm.
M8, M22, M21, M20 e diversos outros aglomerados (globulares e abertos) se apresentam. Uns mais discretos e outros menos. Esta região é sempre espetacular. E nem me dei ao trabalho de identificar cada um dos esfuminhos que compareceram a minha navegação etílica...
A ultima parada é um clássico: M11 “O aglomerado do Pato Selvagem”.  Finalmente sou vencido pelo cansaço e pelo goró.  Me retiro.
Já na sexta feira vai entardecendo e o céu se apresenta "empedrado” Não chega a ser inspirador ainda que permita algumas fotos de caráter mais artístico que astronômico...
De qualquer forma percebo que o horizonte sul vai se tornando mais claro e menos “empedrado”. E assim coloco o “Galileo” na montagem EQ 3-2 que se revela muito mais sólida com ele que com o meu telescópio maior (o que é obvio...). E preparo também a câmera em seu tripé. Com a família reunida eu não via me dedicando plenamente a “Arte Difícil”. E assim preparo-me para realizar algumas fotos de campos estelares e de constelações. E de quebra observar alguns “blockbusters” pelo “Galileo”.
Fiz um alinhamento polar seguindo mais os instintos que propriamente o bom senso.
Não sou um cara com paciência para o método do “drift”. E assim, em geral, utilizo Sigma Octans como minha guia. Deixo o telescópio e a montagem o mais no esquadro possível e utilizando a própria buscadora do telescópio alinho o conjunto. Centralizo Sigma na Buscadora e depois dou um pulinho para lá e dois para cá e voilá.  Às vezes fica melhor às vezes pior. Mas em todo caso estou com um setup que vai me permitir exposições entre 15 e 30 segundos sem muitos rabiscos no produto final. E não levo mais que 15 minutos para tal. Acho que nunca publicarei fotos na Galeria dos Leitores da Astronomy.
Faço varias fotos do Cruzeiro do Sul com a câmera no tripé. E depois do campo próximo a Alpha e Beta Centauros.  Por fim faço uma exposição da região onde reside Omega Centauro. Todas utilizando minha 75-300 mm @ 75 mm .
Fazer fotos desta forma é bem divertido e com a 70 mm consigo fazer exposições de até 20 segundos mantendo o rastro das estrelas aceitáveis.
Meu sogro fica curioso sobre o que estou fazendo. E porque de tantas exposições aparentemente idênticas. Eu explico que em astrofotografia as fotos , embora digitais, te que ser submetidas a “revelação”. E que estas serão  “empilhadas” e assim obterei mais detalhes.Ele parece não entender. Ou não dar a mínima. Ou os dois.
Ainda bem que não falei na tal  “razão sinal-ruido”...
. Na foto do Cruzeiro consigo perceber diversas estruturas. Ngc 4755 é evidente abaixo da Mimosa (Beta Crux). Logo acima de Acrux percebe-se claramente Ngc 4349. No canto da foto 3766 é claro. E se prestando atenção diversos outros DSO´s se escondem na paisagem. O Saco de Carvão é que não se apresenta.
Outro detalhe interessante nesta foto (na verdade fotos) é que elas foram “reveladas” de formas distintas. Em ambos os casos foram  empilhadas 15 fotos de 20 segundos de exposição (as mesmas fotos...). A diferença é o software utilizado. Na primeira foi utilizado o Deep Sky Stacker.. Este, em tese e também na pratica, mais poderoso que o Rot n´Stack. Mas novamente percebo que o RnS preserva melhor as cores. O DSS parece gerar uma imagem em escala de cinza. A Rubiácea (Gama Crux) é um excelente exemplo desta diferença. Repare nas fotos.
Deep Sky Stacker                                                                           Rot n´Stack

Omega Centauro se apresenta claramente em uma única exposição de 20 segundos com a zoom @80 mm.


Depois disto apresento a “Caixa de Joias” (Ngc 4755) para o sogrão com 52X de aumento: - Incrivel. Um triangulo perfeito!
 E rapidamente retorna para a garrafa de “Grants”.

Como já estou brincando de astrofotografia com minha "zoom barata" faço algumas fotos da região de Alpha e Beta Centauro.Com atenção e boa vontade você vai perceber Ngc 5662, 5316 e 5281. Todos aglomerados abertos discretos e entre 5a e 6a Magnitude. Vai perceber também que entrou luz pela lente adentro...

Logo resolvo tentar a sorte com meu alinhamento polar tabajara e faço algumas exposições de Omega Centauro através do “Galileu”. Ele definitivamente poderia estar melhor. Mas Omega é um gigante e é sempre um bom modelo. Uma dica: sempre que você conseguir perceber as Letras C e H impressa por sobre e em meio ao Gigante é porque o alinhamento polar não estava lá essas coisas. Já percebi isto em diversas fotos. Minha e de outros... Nas fotos individuais o efeito é claro. Na empilhada o erro se disfarça. Definitivamente o “Newton” tem mais poder de fogo e melhor qualidade que meu pequeno refrator.
Uma  exposição ( o efeito descrito não é claro devido a compressão do Blogger)
Muito semelhante ao que se vê na buscadora e em binóculos. A lua ainda vai bem cheia...

15 exp. de 25 seg. Rot n´´ Stack. É mais uma licençaa poética que um registro...

Depois disto não poderia deixar de fazer algumas fotos da lua. É fácil e sempre ficam bonitas. Desta vez as nuvens ainda brincavam e consegui diversos efeitos de luz e sombra por sobre a superfície lunar.





Depois disto me rendi novamente aos chamados de Baco e abri uma cerveja. E depois outra. E depois o “Grants”...
Já mais do lado ébrio da vida fiz algumas fotos da região que tinha visitado na madrugada da véspera (Sagitário-Escorpião) e com o céu “empedrado” consegui alguns resultados senão bons pelo menos diferentes. ( A compressão do Blogger novamente atrapaha um "pouco")

Sabadão choveu a cântaros...
Astronomia não tem que ser um fim em si mesmo. E tem de ser divertida. E desta forma o foi. Em um passeio com a família eu não poderia deixar a minha fixação dominar o ambiente e me tornar um cara antissocial. Um péssimo habito é querer manter todos no escuro. Mas mesmo sem realizar a operação “by the book” é possível obter resultados bastante interessantes e ainda apresentar a pratica astronômica a quem não é e nem deseja ser do ramo.
No domingo já nos preparávamos para entrar no carro. Sogrão e Sogrinha na maior água e o céu de repente abre. Não sei o que vejo. Depois descubro... faço uma rápida série de fotos do que deve ser o campo ao redor de Procyon. De novo com a 75-300 @ 75 mm. Não é exatamente um espetáculo. Com o Logaritmo do modo sort no Rot n´Stack ( já disse em algum lugar que este modo foi feito ou pelo Wharol ou pelo Miró) aparece algo no mínimo “estelar"...


Astrofotografia em familia...

terça-feira, 26 de março de 2013

Carl Sagan, Giordano Bruno e um Desafio


 
   Sempre quis falar, aqui no Nuncius Australis, a respeito de dois astrônomos que habitaram a minha infância e foram como heróis para mim. Mas como aqui não é a Wikipédia não encontrava razão para tal. O post iria ficar parecendo um verbete de dicionário. 
   Mas graças ao you tube tive a chance de juntar este desejo a um desafio observacional.  E assim vi o verbete completo...
   Carl Sagan foi um dos maiores divulgadores de ciência de todos os tempos e através do site já citado tive o prazer de rever seu testamento para a humanidade. A serie “Cosmos” foi provavelmente uma das maiores responsáveis pelo meu interesse em astronomia.
   Este post é cheio de lendas e de fatos não confirmados. Mas é exatamente assim que ele deve ser. Quase todos os seus parágrafos poderiam começar com um de meus bordões favoritos: “E assim reza a lenda”.
   Sagan conta-nos no episódio numero quatro de sua obra magna sobre diversos impactos cósmicos. O episódio se chama “Heaven and Hell” (Céu e Inferno).

   Reza a lenda que este episódio em especial se encontra bloqueado no you tube em diversos países. Não é uma informação confirmada. Mas pode ser verdade. 
   Ele começa falando sobre o “Evento de Tunguska”. Este um dos maiores mistérios astronômicos recentes e que voltou a moda com o bólido que derrubou casas pela Rússia. Nem tão distante de Tunguska...
   Posteriormente ele fala de um impacto na lua que serviria para confirmar a hipótese “cometaria” de tal evento. 
   Este evento que ele descreve se encontra entre “Os Contos de Canterbury”. O titulo  poderia também ser traduzido para “As Lendas de Canterbury”.  
    Reza a lenda (promessa é divida) que em 18 de junho de 1178 cinco monges viram algo muito estranho acontecendo na Lua. Em tempos em que o céu era imutável estes praticamente calaram. Seria uma grande perda para ciência. Mas estes, felizmente, descreveram sua “visão” (para eles só poderia ser uma visão...) para o cronista da Abadia, Gervase, que o “Chifre” superior da lua se dividiu em dois. Posteriormente este escreveu :
“De uma área central uma tocha flamejante lançou um brilho a uma considerável distancia, este envolto em carvões em brasa e faíscas. Entrementes o corpo da Lua tremeu como que se tomado por ansiedade. O que observaram isto com seus próprios olhos me garantiram que o fenômeno se repetiu algumas vezes e que a Lua tremeu. Posteriormente tudo voltou ao normal e a Lua escureceu...”.
    O evento e seu desenrolar é belamente descrito no vídeo. Eu recomendo que o veja...

    O fruto deste evento, que ocorreu em tempos históricos, me leva a falar de outro astrônomo que sempre habitou minha imaginação. Provavelmente devido a seu triste fim.
Giordano Bruno foi um homem a frente de seu tempo, mas também de seu tempo. Fiel seguidor da teoria Heliocêntrica ele foi um dos primeiros a pensar a respeito de um universo infinito e de vislumbrar a dimensão do Cosmos.  Ele antecipa a relatividade e considera em seu ideário a importância do observador na compreensão de fenômenos. Ele “pregou” um universo infinito e com uma multitude de estrelas planetas e a possibilidade de vida inteligente espalhada por ele.  
   "Nós declaramos esse espaço infinito, dado que não há qualquer razão, conveniência, possibilidade, sentido ou natureza que lhe trace um limite." (Giordano Bruno, Acerca do Infinito, o Universo e os Mundos, 1584).
    Ele não foi queimado por defender a ideia heliocêntrica como se pensa. 
   Bruno era crente que tudo possuía vida e que tudo possuía alma. E isto foi demais para o Século XVI... Terminou na fogueira. E no imaginário de todos os astrônomos e livres pensadores.
    Agora voltamos ao mundo presente. 
   O evento descrito nos “Contos de Canterbury” foi analisado posteriormente e com o estudo da superfície lunar se chegou à conclusão de que uma cratera que homenageia o pioneiro Bruno teria sido formada naquele evento observado pelos monges. O aspecto claro da ejeta que cerca a cratera Giordano Bruno leva a crer que se trata de uma formação muito jovem.
    Essa lenda foi primeiramente defendida pelo geólogo Jack B. Hartung e parece que a ideia foi encampada por Sagan.  É um bom fiador para mim.  O alto albedo da raiação que é centralizada na cratera também é um forte indicio de haver algum fundo de verdade. Este sistema de raios se estende por mais de 150 km.

    Giordano Bruno é uma cratera de impacto de 22 km de diâmetro no lado distante da lua. Exatamente logo após o Limbo nordeste.
   Sua posição é que a faz um grande desafio para os observadores situados na Terra (como Giordano Bruno já dizia: tudo é relativo ao observador...).
   Habitando a zona das librações ela é, em teoria, visível (em parte) para observadores na terra. Não espere perceber detalhes. Se perceber suas encostas já será um feito. Em um tópico do Cloudy Nights é discutido se é ou não possível observa-la. A mesma consta dos objetos disponíveis na lista da Série Nexstar de telescópios GO-TO (Celestron). Imagine que você deve busca-la numa libração super favorável.  
    Situada entre as Crateras Harkebi ao noroeste e Szilard ao sudoeste e com a cratera Fairy ao norte sendo a maior coisa por perto Giordano Bruno é um grande desafio.
"The Pale Red Dot" indica a posição de Giordano Bruno
Perceba que a libração tem que ser muito especial... 

    Segundo o Virtual Moon Atlas a mesma pode ser observada (em uma libração excelente) dois dias depois da Lua Nova e um dia após a Lua Cheia. E a mesma estaria ao alcance de telescópios de 50 mm. Eu duvido... 
    Tentei a sorte duas vezes e não vi nada. Gauss é uma cratera grande e que pode te ajudar no caminho. Só cheguei até ela.  Imagino que nunca tentei em uma libração favorável.  E pelo que vi esta tem que ser muito especial...

   Se você conseguir observa-la é possível que voc~e veja uma das poucas, senão a única, cratera na superfície lunar que surgiu durante a presença humana na Terra...

PS Libração, é um balanceio da Lua, fazendo com que mostre parte de sua face oculta. Notadamente, o nome refere-se ao balanceio da Lua em relação à Terra, mostrando partes de sua face oculta. 





sábado, 23 de março de 2013

Ngc 3293 e um T-Ring "Envenenado".


Minhas sessões de astrofotografia me recordam muito ao planejamento de uma derrota.
Derrota é um termo náutico. Já falei nisto por aqui, mas para refrescar a memória vamos lá:
 “Em náutica, a derrota é o trajeto que percorre uma embarcação desde um ponto “A” até outro ponto “B”. Na carta náutica se traça a rota que se pretende seguir; a derrota é o trajeto que <<na realidade>> se segue, devido a correntes, ventos, erros instrumentais e etc. em razão destas se realizam modificações no rumo da embarcação”.
E assim começo minha derrota astronômica; Será uma longa derrota...
Carta da Região 

Escolho o tal do ponto “B”. Em geral um DSO que se encontra na janela observacional de meu observatório. E neste caso janela é um termo bem literal...
Então abro a carta celeste e escolho como será a aproximação. Algo como: “ Se eu sair desta estrela e pular para esta estrela eu vou ter “B” na buscadora.
Então me dirijo para o telescópio e começa a derrota. A estrela “A” não esta visível a olho nu, o vizinho “x” está com tudo aceso e por aí vai. Desta forma é muito comum à derrota planejada, em vez de me levar até o ponto “B” desejado, me leve a “C”.
Em geral a localização de algum DSO brilhante por perto do porto desejado é suficiente para que você determine derrota restante. Às vezes, caso o DSO no caminho seja interessante, é fim do caminho.
Neste momento eu vou colocar a câmera no T-Ring e fotografar o que achei.
Parece até um naufrágio. Uma derrota que encontrou uma pedra. Mas às vezes é uma ilha perdida cheia de delicias...
Para ser sincero, em geral, planejo duas derrotas para as sessões de fotos.
 Uma quase utópica, como ir até as ilhas Sandwich do Sul. Em solitário e em um veleiro de 23 pés fabricado em 1973 e sem quilha... Outra mais como um passeio até as ilhas Cagarras.
A primeira em geral envolve um obscuro DSO de origem extragaláctica ou uma desconhecida nebulosa planetária que seriam mais viáveis em céus super escuros e com um telescópio bem maior que o meu. A outra é sempre um aglomerado aberto com no máximo 6ª magnitude.
Assim garanto pelo menos um porto seguro. E mantenho o projeto para fotografar todos os objetos Lacaille até o fim do ano em andamento.
Para a noite de 22 para 23 de março eu tinha em mente navegar até Ngc 3201. Um Aglomerado globular que brilha com magnitude 6.8. Não chega a ser um projeto completamente descabido. O aglomerado é bastante brilhante e próximo a Upsilon Velorum. Encravado no meio da vela da extinta embarcação celestial, Argos.
Mantendo o aspecto náutico deste post a minha segunda opção seria Ngc 3293. Este um “aglomerado aberto com nebulosidade envolvida” e que se mostra com magnitude 4.7. E que se esparrama por 40´ de céu. E de quebra na constelação de Carina, a quilha do mesmo mitológico barco acima citado.  Um Lacaille original. Lac II . 8.
Logo que escureceu começou a operação. Um rápido ajuste na buscadora na luz de top do Hotel Marina e uma afinada no alinhamento polar e começa a derrota.
Ngc 3201 começa aprontando. Sua posição não é exatamente vantajosa. Devido a diversos fatores como o pouco espaço do observatório, a posição da janela, o alinhamento desta com o universo, o eixo polar, a rotação da terra e etc. ele não é viável. Para piorar há uma forte bruma apagando o céu.
Março tem sido ingrato para observar.
 A derrota ocorre. Mas eu chego de bote salva-vidas. O Globular se apresenta para meu binóculo 15X70. Como uma discreta condensação e mesmo assim somente com visão periférica. Nada de fotos e nem apresentações. O globular merece mais dignidade, uma segunda chance e um post só seu.
Neste momento a derrota toma clima de tempestade. Chega minha filha e esta planeja ir para a casa de uma amiga. Para-se tudo e lá vou eu levar a criança para o passeio.
E mais - Liga a cara metade e pergunta:
- Qual vai ser?
 Assim minha derrota tão bem planejada faz água.
Depois de deixar a criança e estabelecer um horário para busca-la (23h00min) eu vou encontrar a esposa em um restaurante.
Litros de chopp  mais tarde e bem atrasado no cronograma eu chego de volta ao lar. Após um pouco de discussão e de falar que minhas vontades ficam atrás até das do gato de casa consigo voltar ao meu rumo.
Agora parto, a todo pano, em direção a 3293. Ele se localiza bem próximo a s Vel. Esta com magnitude 3.8 se encontra no limite do que é visível a olho nu no observatório. É dura a vida com um céu na zona 9 da escala Bortle de poluição luminosa.
Quando navego pela região de Carina, especialmente na área próxima a fronteira com Vela e com Centauro, eu geralmente navego pela buscadora. Como um Mestre Arrais faço uma navegação de cabotagem e também me vou guiando pelas lajes do caminho. E assim minha derrota se inicia pelas Plêiades do Sul e seguindo a corrente passo por Eta Carina e alguns abertos discretos que me conduzem a 3293. Este se faz perceber mesmo com 70% da lua iluminada.   O percebo claramente pela buscadora e finalmente o observo com a 25 mm. Ele, embora pequeno, se apresenta como um destaque de escola de samba.
Não tento mais ampliação e com uma câmera nova, parto logo para as fotos.
Fiz algumas modificações em meu T ring que se revelam um achado. Substitui os parafusos de fixação, que necessitavam de uma chave Allen para serem arrochados pelos parafusos que acompanham minhas barlows. Assim fixar a câmera ao anel do T ring se tornou muito mais fácil.
O T- ring "envenenado"- Os parafusos das barlows dispensam o uso de ferramentas. 

Para realizar astro fotos em minha modesta montagem eu primeiro localizo o DSO com a 25 mm (que em um campo um pouco menor que das fotos.) e depois acoplo a câmera com o objeto já centrado. O foco é sempre difícil. Consigo perceber um borrão pelo finder e nada no LCD. Assim coloco o focalizador na marca de foco que ele já possui e afino o mesmo por tentativa e erro.
Com o novo set up o acoplamento se tornou bem mais simples. Não preciso de chaves Allen e consigo fazer este no escuro sem problemas. Um macete dos bons.  
De novo a derrota. Aparece uma barata na cozinha e a esposa acende todas as luzes da casa. Acho que vou desistir.
Render-se nunca. Retroceder jamais.
Depois de tudo resolvido e a barata desaparecida retorno a ocular e começo, de novo, a batalha de localizar o esfuminho na buscadora.
Hoje estava difícil. O vizinho estava inspirado e deixara a luz do banheiro acesa. É a pior de todas...
Mas consigo centralizar 3293 e com o novo set up do T ring tenho a câmera em posição rapidamente. Faço seis fotos. resolvo melhorar o foco e quando consigo consertar a besteira que tinha feito   e  me aproximar do foco que tinha anteriormente o tempo nubla...
Nublando...
 

O alinhamento polar fica a desejar. Mas no meio de tanta derrota eu acho melhor não tentar nada mais preciso.  Não estamos na NASA...
3293 possui duas estrelas bem vermelhas que o tornam inconfundível. Mesmo com a 25 mm ele se resolve quase na integra. Apesar de ser considerado um aglomerado acompanhado de nebulosidade eu não a percebo. Creio que com mais exposições ela se revele em fotos.
Depois de fotografa-lo fiz um passeio pela região, driblando nuvens. A fronteira Centauro-Carina é uma das regiões mais impressionantes do céu. Um céu austral... Um cartão postal...  E com o 15X70 revela dezenas de DSO´s...
A derrota foi tempestuosa.
Ngc 32993 é o porto de chegada.
Conhecida também como a “Pequena Caixa de Joias” (em comparação a Ngc 4755) é um dos abertos mais bonitos do céu austral. Residindo em Carina é uma das joias da coroa austral.
Residindo próximo ao coração de Eta Carina e todo o complexo instalado ele passa, às vezes, despercebido.
Um erro...
Foi descoberto, é claro, pelo Abbe Lacaille e foi apresentado em 1755 com a publicação do catalogo.
John Herschel (o filho) o descreve:
“Um aglomerado interessante, bem brilhante e não muito grande.”
Para encurtar a historia:
 O aglomerado consiste em mais de 50 estrelas em um campo de 10´. Sua estrela mais brilhante é uma gigante vermelha de 6.5 mag. Ela esta “arrodeada” de areia branca (ou azul...). A mais quente de suas companheiras é uma B0. Existe ainda alguma nebulosidade na região..
Localizado a 8.000 anos luz da terra e com apenas 10.000.000 milhões de anos de idade é um aglomerado bem jovem.
Um belíssimo aglomerado aberto que pode ser ignorado em uma área tão rica.
            Depois da captura das imagens resta o pós processamento. Nas fotos abaixo você pode perceber os diferentes resultados obtidos em cada um dos tratamentos. (veja os softs utilizados nas legendas)
1 exposição 30 seg -Asa 800


5 exposições 30 segundos Empilhadas no DSS. Perceba o forte gradiente do fundo


DSS+IRIS+Photoshop+Noiseware



Rot n´Stack Maximo
Rot n´Stack Minimo

Curiosamente o Rot n´Stack obteve resultados mais fidedignos que o Deep Sky Stacker. Ele preservou as cores do aglomerado que no DSS foram praticamente totalmente lavadas no processo de stacking.
Apesar de todos os problemas Ngc 3293 foi um bom modelo e gostei dos registros obtidos.
E sem duvida o maior acontecimento da noite foi o melhoramento obtido no T Ring com a troca dos parafusos. Fixar a câmera ao telescópio se tornou uma operação bem mais simples e evita deslocamentos do tubo que tornava o enquadramento dos DSO´s uma tarefa bem árdua. 

P.S. O RnS também pode tomar liberdades poéticas . É sempre divertido ver o que ele vai aprontar no seu modo "Sort"...

Modo Sort do RnS com o gradiente do fundo corrigido no IRIS. Pop Art...