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sábado, 23 de fevereiro de 2013

Canon T3 : Primeiras Impressões



Finalmente chegou minha nova câmera fotográfica. Foi uma longa espera.            Minha Canon 350 D se “afogou” no final de janeiro em uma viagem ao litoral sul do Rio.  Contei os seus últimos momentos aqui noNuncius Australis.

Depois de uma rápida pesquisa me convenci que a Canon T3 seria uma excelente opção para substituir a já velha e antiquada 350 D. Evidentemente que um dos principais motivos da escolha foi o preço. Afinal é um compromisso (e uma necessidade agora mais acentuada ainda com a gravidez) manter os custos do hobby os mais baixos possíveis...

Gostaria de dizer que a entrega transcorreu de forma rápida e fácil. Não posso.

A EGD Eletro demorou exatamente um mês (30 dias) para entregar o produto. No inicio do processo o combinado era 10 dias.

 Existe atualmente um tipo de loja que é muito comum na web. Elas não possuem nada em estoque. São na realidade importadoras nas quais seu pedido dispara o gatilho que vai fazer com que o produto comprado inicie seu trajeto do exterior para sua casa. O produto pode estar saindo da China, dos EUA, ou do Paraguai.

 Já realizei compras assim e em geral o importador nos conta o sistema e pede até um mês para a entrega. Muito justo.

 A minha impressão é que a EGD tenta apresentar uma imagem de firma mais séria. Não é. È exatamente igual às tantas outras importadoras da web. Mas no querendo ser o que não é se enrola, atrasa e inventa varias desculpas. Além de ter um atendente no SAC muito do mal educado.

Em sua defesa posso dizer apenas que depois de mudar a data diversas vezes e contarem muita história acabaram enviando minha encomenda via SEDEX. Eu paguei por PAC.

Creio que devido a uma pratica da justiça. Depois da primeira notificação (que aconteceu em 23 de Janeiro) a empresa responsável tem até 30 dias para entregar o produto. Depois perde o processo. Se mandassem pelo PAC a câmera não chegaria a tempo de livra-los da lei.

Mas enfim, depois deste parto a fórceps, a câmera chegou (provavelmente do Paraguai) em bom estado.

Uma surpresa que me deixou bastante feliz. O Kit que comprei acompanha uma lente EF-S 18-55 mm 3.5-5.6. Chegou uma EF-S 18-55 mm IS II. Ou seja, uma lente mais nova e com imagem estabilizada.  

A Canon T3 é a DSLR no “low end” da serie EOS. Evidentemente que ainda assim é um grande upgrade sobre a antiga 350 D. No mercado europeu ela é denominada 1100D.   O set-up com a 18-55 mm saiu, com frete incluso, por R$ 1352,00. . Inclua aí mais 85 reais que paguei em um novo cartão SDHC de 8 GB (serie 10).

 Na B&H o mesmo kit sai por US$ 549,00. Ou seja, quase o mesmo preço. Se colocar o frete sairia até mais caro.  O preço mais baixo que achei foi US$ 449,00.

É inevitável que este post apresente um caráter comparativo entre minha falecida 350 D e a nova 3T. Mesmo sendo uma tremenda covardia.

Minha antiga câmera tinha um sensor CMOS de 8.0 MP. Já a T3 apresenta um CMOS de 12.2 MP.

Mas confesso um detalhe que realmente faz uma bárbara diferença (especialmente para astrofotografia) é a possibilidade de se focalizar utilizando o LCD nas costas da câmera. Na minha falecida só se podia enquadrar e focar pelo view finder. É claro que este é um auxilio fundamental para uma câmera que pode realizar vídeos. A 350 d era uma câmera exclusivamente Still.

Outro avanço é sua maior sensibilidade. Enquanto a velha XT só possuía ASA entre 100 e 1600 a T 3 possui um leque bem mais amplo e muito maior sensibilidade. Vai de 100 a 6400.  

As comparações com a 350 D devem terminar por aqui. A Canon 350 D foi lançada em 2006. A T3 em 2011. Assim sendo é infrutífera qualquer comparação entre as mesmas. Na verdade ela vem para substituir a Canon XS (1000D).

Vamos tornar as coisas mais justas.

O processador de imagens da T3 é o Digic 4. O mesmo de suas irmãs maiores T3i e T2i. A T3 é a irmão mais pobre destas.

O LCD da T3 não é móvel. E possui 2.7 polegadas.

Sua única vantagem sobre suas irmãs mais nobres é sua autonomia. Ela é capaz de tirar até 700 fotos com um ciclo de bateria. As outras não excedem 550. Sem utilizar o LCD. Utilizando este continuamente não espere mais que 220 fotos.   

Possui ainda Live View e sua velocidade de obturador vai de 1/4000 até 30 seg. mais modo Bulb (para exposições mais longas). É necessário comprar um disparador para operar em Bulb. Ou operar via PC.   

De uma olhada nas especificações técnicas da moça comparada a algumas outras companheiras da série EOS... (todas mais avançadas que a falecida)

Canon EOS
Rebel XS
Canon EOS Rebel T3
Canon EOS Rebel
XSi
Canon EOS Rebel T1i
Canon Eos
Rebel T2i
Canon EOS Rebel
T3i
Sensor



Resolução
Efetiva
10.1-megapixel CMOS
12.2-megapixel CMOS
12.2-megapixel CMOS
15.1-megapixel CMOS
18-megapixel CMOS
18-megapixel CMOS
22.2 x 14.8mm
22.2 x 14.7mm
22.2 x 14.8mm
22.3 x 14.9mm
22.3 x 14.9mm
22.3 x 14.9mm
Processador de
Imagem
Digic III
Digic 4
Digic III
Digic 4
Digic 4
Digic 4
 Escala
Sensibilidade
(ASA)
ISO 100 - ISO 1,600
ISO 100 - ISO 6,400
ISO 100 - ISO 1,600
ISO 100 - ISO 3,200/12,800 (expandido)
ISO 100 - ISO 6,400/ 12,800 (expandido)
ISO 100 - ISO 6,400/ 12,800 (expandido)
Disparos
Contimuos
3fps
5 raw/ilimitada JPEG
3fps JPEG/2 fps raw
5 raw/830 JPEG
3.5fps
6 raw/53 JPEG
3.5fps
6 raw/53 JPEG
3.7fps
6 raw/34 JPEG
3.7fps
11 raw/34 JPEG
Viewfinder (mag/ effective mag)
95% cobertura
0.81x/0.51x
95% cobertura
0.80x/0.50x
95% cobertura
0.87x/0.54x
95% cobertura
0.87x/0.54x
95% cobertura
0.87x/0.54x
95% cobertura
0.87x/0.54x
Autofocus
7-pt AF
n/d
9-pt AF
all cross-type; center dual cross to f5.6
9-pt AF
center cross-type
9-pt AF
center cross-type
9-pt AF
center cross-type to f2.8
9-pt AF
center cross-type to f2.8
Velocidade
Obturador
1/4,000 to 30 segs; bulb; 1/160 x-sync
1/4,000 to 30 segs; bulb; 1/200 x-sync
1/4,000 to 30 segs; bulb; 1/160 x-sync
1/4,000 to 30 segs; bulb; 1/160 x-sync
1/4,000 to 30 segs; bulb; 1/160 x-sync
1/4,000 to 30 segs; bulb; 1/160 x-sync
Medição
35 zonas
63-zonas iFCL
35 zonas
35 zonas
63-zona iFCL
63-zona iFCL
Live View
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Video
Não
H.264 QuickTime MOV 720/25p/30p
Não
H.264 QuickTime MOV 1080/20p; 720/30p
H.264 QuickTime MOV 1080/24p/ 25p/30p; 720/50p/ 60p
H.264 QuickTime MOV 1080/24p/ 25p/30p; 720/50p/ 60p
Controle de
Abertura e obturador –Video
n/d
Não
n/d
Não
Sim
Sim
Audio
n/a
Mono
n/a
Mono
Mono;Ent mic
Mono; Ent mic
Estabilização Imagem
Optical
Optical
Optical
Optical
Optical
Optical
LCD
2.5 inches fixed
230,000 pixels
2.7 inches fixed
230,000 pixels
2 inches fixed
230,000 pixels
3 inches fixed
920,000 pixels
3 inches fixed
1.04 megapixels
3 inches articulated
1.04 megapixels
Memória
1 x SDHC
1 x SDXC
1 x SDHC
1 x SDHC
1 x SDXC
1 x SDXC
Wireless flash
Não
Não
Não
Não
Não
Sim
Autonomia
500 fotos
700 fotos
500 fotos
400 fotos
550 fotos
440 fotos
Dimensões
(polegadas)
5.0 x 3.8 x 2.4
5.1 x 3.9 x 3.1
5.1 x 3.8 x 2.4
5.1 x 3.8 x 2.4
5.1 x 3.8 x 3.0
5.1 x 3.8 x 3.0
Lançamento
Agosto 2008
Março 2011
Abril 2008
Abril 2009
Março 2010
Março 2011


A câmera chega e vem acompanhada de uma bateria, uma alça, carregador, cabo USB para conectar ao PC, dois CDs de instruções e um CD com diversos softwares para ajudar na operação da câmera (EOS utilities) e na edição de imagens.  Vem ainda o manual impresso que serve para referencias rápidas. Os manuais em Cd são bem completos. O manual de instruções sobre os softwares que acompanham a câmera é importante ler. Mas não é neste post que vou tratar disto seriamente. Em uma rápida olhada descobri possibilidades que, tenho certeza, vão levar minhas fotos para outro patamar. Mas preciso estudar um pouco e elaborar um setup que, tenho certeza (cheio de certezas. Sei não...), vai ficar muito bacana. Os próximos meses prometem...

De volta a terra...

Abri a caixa e em poucos minutos estava com a câmera montada. Ela lembra a minha velha 350 D e não apresenta nenhum mistério insondável. Uma das maiores diferenças é que utiliza cartões de Memória SD, SDHC, SDXC. Bem menores e mais práticos que os antigos CF da falecida.  O cartão não vem incluído. Felizmente eu possuo um de 2 GB na minha velha “saboneteira” (uma Casio EX100) que vai fazer o truque até que eu compre algo maior.  Capturando em JPEG o pequeno cartão suporta 413 fotos. Em RAW 103.  

Outra coisa que se faz necessária comprar é ao menos mais uma bateria. Esta deve ser modelo LP-E10.

Como o brinquedo é novo e eu sou homem começo a ler o manual impresso calmamente. Adoro ler manuais.  Conforme vou me adiantando na leitura percebo que poucas coisas mudaram em (pelo menos na interface) relação a minha velha conhecida. Todos os “modos” continuam lá close-up, esportes, paisagem, automático e etc...

 Existe uma novidade o Modo CA.  Creative automatic. É um modo para iniciantes que vai permitir que você controle a “ambiance” da cena sem precisar saber o que significam termos como profundidade de campo ou velocidade do obturador...

E possui modo filme que era ausente na falecida. Ou seja, ela também filma. E em HD.

Outra grande melhoria, embora em nada astronômica, é com a possibilidade de se determinar o ponto do auto focus no Live view de uma forma muito simples. Através dos botões de direção você direciona um pequeno quadrado para o ponto da imagem onde quer o foco. Bem pratico. Quando o quadrado fica verde esta em foco. Infelizmente demora um pouco.

Para a obtenção de um foco perfeito é melhor usar o foco manual, ampliar a imagem e fazer o foco você mesmo. Para fotografia astronômica não existe auto foco...

Alguns outros recursos foram introduzidos e ainda estou me familiarizando com tantos novos menus.

Um dos recursos que me chamou logo a atenção se chama Lighting Optimizer. É uma espécie de auto brilho. Ou auto contraste. O recurso só funciona em JPEG. Em RAW não.  Acho melhor desabilitar...

Mas chega a hora de me preparar para testar a câmera em sua principal função. Fotografia astronômica.

 Preparo o telescópio. Para esta primeira experiência acho uma boa ideia reabilitar o “Galileu”. E Assim coloco o velho refrator de 70 mm na montagem EQ3-2. É necessário um pouco de Silver Tape e um pouco de criatividade mas apesar de parecer meio tosco o “rig” é bem eficiente . E muito leve.


Aproveito a brincadeira para fazer algumas fotos com o brinquedo novo do brinquedo velho. Tudo no automático. Acredito ter percebido algo que já tinha lido a respeito em uma review sobre a T3 na web. Com o White balance standard (default) as áreas mais sombreadas da imagem podem apresentar um leve desvio para o azul. É muito discreto, mas acredito ter percebido isto na panorâmica que fiz da janela. Tudo em modo automático.
Desvio para  o azul nas sombras?


 Afino a buscadora assim que o Hotel Marina se acende.

Para adaptar o a câmera com foco direto basta utilizar a barlow do Skywatcher .Mas somente o barril, que se rosquea no T- Ring . Sem a lente barlow propriamente dita. Este sistema é muito pratico.

Eu tinha feito uma preview do céu na véspera com meu Zenith 20X50 mm. E sabia que teria vários DSO´s bem brilhantes na cara do gol do “Stonehenge dos Pobres”.

Quando vem chegando o fim do verão a parte sul da Via Láctea começa a se apresentar bem defronte a janela no meio da noite.

E assim meu plano não era em nada ambicioso.  Eu pretendia fotografar IC 2602. As Plêiades do Sul.

É um DSO visível a olho nu mesmo em uma megacidade e com a lua com mais de 90% do disco iluminado. Eu adoro observar com “Full Conditions”. Os ingleses aplicam a expressão na pratica do montanhismo. Significa que esta frio, nevando, ventando muito e sem nenhuma visibilidade. É claro que as encostas estão também apresentando risco de avalanches... 

Curiosamente IC 2602 é membro do catalogo Lacaille, facilmente visível de minha janela e eu nunca o tentei fotografar. Mas acho que vai fazer um bom par com o Galileu. Com 900 mm ele tem um campo maior que o 150 mm (que tem uma distancia focal de 1200 mm) e sendo bem brilhante não será problema para os modestos 70 mm do refrator. 

Com tudo pronto o Paradoxo de Newgear e a maldição do padre começam a rondar. O vento esfria e vem do sudoeste. O céu começa a fechar...

Mas eu não esmoreço. O alinhamento polar a partir da janela de casa é, na teoria, fácil. E eu vou em frente e monto o motor apenas no eixo de RA.  Deixo tudo pronto e só me resta esperar.

Se a terra não parar por volta das 23h00min estará tudo no lugar. E as luzes da vizinhança já terão dado um descanso. Assim espero. Curiosamente sextas feiras costuma ser um bom dia (ou noite) para se fotografar. Os vizinhos costumam sair e as luzes no prédio em frente estarão apagadas.

Claro que com tudo tão planejado as coisas não aconteceram exatamente como o esperado.

Por razões ergonômicas desisto de IC 2602 acabo fazendo algumas fotos da Caixa de Joias. Também chamada de Ngc 4755 é bem menor que as Plêiades Austrais. Vamos ver o que o pequeno telescópio poderá conseguir. .

 O alinhamento polar a partir de casa não é tão fácil como gosto de acreditar. Eu mexi na cabeça em Itaipava e agora não esta como deveria. Alinhamento polar é um saco...    

Mas depois de mexer com a cabeça um pouco para lá e para cá eu me dou por satisfeito, Ficou uma porcaria. Mas eu quero testar a câmera e o tempo vai se tornando cada vez mais nebuloso.

Assim vou testar o foco com Acrux.  

Pânico!!!

Não consigo ver nada nem no finder nem no LCD. Mexe dali mexe de cá. E nada. Começo a desesperar. Mas aí resolvo testar a câmera apontando ela para uma lâmpada. Nem assim. Porra tem algo quebrado.
Finalmente retiro o T- Ring e a Barlow e olho para eles. A barlow esta com sua tampa... Não podia dar certo. Retiro a tampa.

O resultado deste estresse foi  um tremendo suadouro. A sensação térmica no Rio tem batido 50 graus diariamente. Mas agora vai...

Descubro a maravilha que é fazer foco utilizando o LCD. Não preciso mais ficar caçando o finder da Câmera em posições kama sutricas.

O seeing esta horroroso. Não é só o alinhamento polar que esta ruim. Quando amplio a imagem para focar melhor Acrux pula mais que pipoca no LCD. Isto é um péssimo seeing.

As nuvens apagam a estrela. Alguns minutos depois deixam-na brilhar...

 Divido Acrux e faço a primeira foto da nova câmera.

Acrux- Repare na Terceira estrela no canto direito . Acrux é um sistema triplo...

Marco a cremalheira com uma fita para guiar o foco.

Coloco a 25 mm e me encaminho para o DSO. Com ele centralizado troco a ocular pela câmera e tiro a primeira foto. O foco esta ruim. Faço um pequeno ajuste. E tiro outra. 15 segundos de exposição será o suficiente.
Rapidamente descubro algo que eu sempre soube e procurei esquecer. A qualidade ótica do Galileu é fraquinha. É um refrator da serie firstscope da Celestron que faz o seu serviço. Mas só isso. Com uma câmera sensível e pela primeira vez fotografando DSO´s ele manca. Muitas distorções, aberrações, e outras doenças se apresentam. Ainda mais acentuadas por um alinhamento medíocre e por um seeing ridículo. Definitivamente o 150 mm faz fotos muito melhores. Mesmo exigindo muito mais da montagem.
 Faço apenas cinco fotos antes das nuvens começaram a me boicotar para o deleite de Newgear.  O resultado das fotos é muito semelhante ao que se observa pela ocular. Percebem-se algumas estrelas mais tênues. O pequeno 70 mm só revela, para a visão, as mais brilhantes. 

Ngc 4755 - A Caixa de Joias 

Mesmo sem ter ainda feito uma sessão digna percebo diversas qualidades na nova câmera.

Ela é infinitamente superior a 350 D. Um detalhe que percebo logo de cara é a menor quantidade de hot pixels nas imagens. Mesmo sem dark frames e empilhadas de forma estabanada no Rot ´n Stack eu não percebo as tradicionais trilhas de hot pixels que o Rot apresenta no modo Max das series de quatro fotos que ele (o Rot n´stack) faz para cada set de empilhadas. Como sempre o modo Mean dele é o que me parece mais fiel.
Os "logaritmos" do Rot n´stack: Minimo, Mean , Maximo e Sort.


Com relação às fotos é interessante perceber que apesar de usar asa 3200 o ruído é menos acentuado que com 1600 na velha câmera.
Repara na foto da esquerda os "rastros de hot pixels".A foto foi feita na 350 D com 1600 asa. 

 Isto permite reduzir o tempo das exposições. Sempre útil quando não se é possível fazer o drift para alinhar o eixo polar...
Infelizmente o LCD só consegue apresentar as estrelas mais brilhantes. Assim como no finder. Então para realizar o foco continua valendo o método de focar em uma estrela mais brilhante próxima e depois centralizar o DSO que será fotografado. Com o campo enorme o 70 mm torna isto mais fácil que no 150 mm. A afinação da buscadora se torna um pouco menos critica.  
Espero que o tempo permita e assim que a lua der uma pequena trégua quero fazer um jogo mais sério com o 150 mm. Deixo tudo no lugar para atacar as Plêiades na próxima noite.

   Embora longe das potencialidades do novo equipamento fico feliz com o resultado. Primeiros encontros são sempre delicados. E no final foi feliz.
Abro uma garrafa de Colorado Indica. É uma India Pale Ale. Uma cerveja. Feita em Ribeirão Preto. Graduação: 8%

 E volto para o manual do EOS Utilities... .

P.S. Fiz as primeiras experiências utilizando a câmera plugada ao computador e operada de forma remota pelo EOS Utilities. A interface é simplíssima e não tive problema nenhum . Você  consegue controlar todos os parâmetros da exposição e ainda operar em BULB ( exposições com mais de 30 segundos) sem ter necessidade de comprar um disparador. O programa ainda oferece a possibilidade de colocar duas exposições em over lay e assim saber se o acompanhamento vai bem... Muito bom. Além de que o driver funciona perfeitamente com o Win 7 . Na 350 D era necessário utilizar o XP e mesmo assim a operação não era tão simples e não apresentava metade do controle possível na T3. Possuindo uma montagem com go-to você pode observar pela tela do PC.
 Estou ficando velho... 

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Focando uma Buscadora.

     
      
      
       Buscadoras são fundamentais para uma boa sessão de observação. 
     São ,na verdade, pequenas lunetas. Atualmente muitas vezes mais poderosas que os instrumentos usados por muitos dos pioneiros da astronomia. Sendo equipamentos muito simples não parecem poder apresentar nenhum tipo de problema.
         Eu possuo algumas.
      Uma delas usei pouquíssimas vezes. Uma 6X30 mm. Esta veio junto com meu Refletor, o Newton. Como já possuía uma 10x50 mm substitui e a guardei em um canto. Usei algumas poucas vezes. Sempre como uma luneta em carreira solo.
         O tempo se passou e ao avista-la resolvi brincar com a mesma. Queria comparar as duas e ver qual o campo que cada uma cobria. As paredes “anos 50” de meu prédio são ótimas para essas coisas. E só contar quantos “tijolos” cabem em cada campo. Aí percebi que a minha “pequena abandonada” se encontrava completamente fora de foco. Eu sabia que isto poderia um dia acontecer.

         Agora é só focar. Afinal algo tão simples. Parece uma das Lunetas que o Lacaille usava.
         Foi aí que a porca torceu o rabo.
Eu sabia onde era o “anel de foco”. Mas este não se movia.
Rapidamente estava com a buscadora toda desmontada.
È um péssimo habito que eu tenho.
 Quando algo não funciona eu vou lá e desmonto para ver se entendo como é que aquilo funciona. Em geral dá certo.


Às vezes não dá para montar de novo. Mas buscadora são uma coisa bem simples e assim rapidamente descobri como se focaliza uma.

 Ou pelo menos um jeito de fazê-lo.

    1-     Primeiro certifique-se que a ocular (a parte de trás, por onde você olha...) esta totalmente atarraxada. Qualquer folga pode causar o desfoque. Você pode ajustar o foco rosqueando e/ou desenrosqueando a "ocular" . Confie em mim, este não é o jeito certo....





    2-     Agora coloque o anel de foco (supondo que você, assim como eu ,já desmontou a buscadora inteira...) e se certifique que a rosca esta para o lado certo. O lado certo é o que permite que ele percorra toda a rosca do tubo ótico. Olhe a foto e pense que não tem como errar... O lado com a rosca do          anel de foco deve ficar “para cima”.



    3-     Agora comece a atarraxar a “lente” (a parte da frente da bagaça, que inclui a lente e um “dew shield” ou para-sol.) Atarraxe um pouco e olhe pela “ocular” para ver se “deu” foco.









4-     Não deu? Gire mais um pouco e olhe de novo.













   5-     Conseguiu o foco?  Se sim vá para 6. Senão retorne para 4.  












     6-     Gire o anel de foco até travar o conjunto e voilá.












Utilizando uma luneta ainda mais modesta  que a 6X30 mm que vimos neste tutorial o Abbe Lacaille criou diversas constelações, desmembrou uma e ainda escreveu  um catalogo de nebulosas com 42 entradas com diversas entradas originais... 

E elas são muito praticas para fazer fotos por método afocal... Funcionam como uma tele para essas cameretas “tipo saboneteira”. Tudo bem que as fotos saem de cabeça para baixo.   Nada que o Photo Shop não resolva... E um excelente jeito de se fazer composições "artísticas".

Janela Indiscreta , O Hotel Marina já aceso e o Vidigal...
Casio EX 100 e Buscadora 6x30...


Na 10x50 mm o anel de foco é mais evidente. Mas o processo é rigorosamente o mesmo...
10x50 mm 


terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Ngc 104 ou Tuc 47- O Globular "Blonde"



Quando trabalho com velhos fotógrafos ingleses é um pedido recorrente em suas listas de equipamento uma espécie de refletor que se não em extinção eu diria pelo menos fora de moda. Eles sempre pedem uma meia dúzia de “Blondes”. São refletores redondos e sem lente com uma lâmpada de 2000 w de tungstênio. Seu nome vem da cor amarelada da luz que emitem. Uma luz dura e “quente”. Quente no sentido poético já que sua temperatura de cor deve estar apenas pela casa de 4200 Kelvins ou menos dependendo da idade da mesma. Algumas lampadas, assim como estrelas ,ficam mais vermelhas e frias  com a idade... No Brasil são chamados de “2000 abertos”.

Ngc 104 ou Tuc 47 é o segundo maior globular e o segundo mais brilhante na Via-lactea.  Ele só é ofuscado pelo gigante Omega Centauro (Ngc 5139).

Ngc 104 apresenta (pelo menos para mim), apesar de dominados pelas gigantes vermelhas típicas de um aglomerado com mais de 13 bilhões de anos,  um evidente tom amarelado. Como a luz  que caracteriza os “blondes.
Como revela seu nome (Tuc 47) ele foi registrado como uma estrela.  A estrela 47 da constelação austral de Tucana. Mas ao contrario do que possa parecer seu numero não é original do tradicional catalogo de estrelas organizado pelo astrônomo inglês John Flamsteed e publicado ainda no século XVII em seu livro póstumo “Historia Coelestis Brittanica”. Ele é originário do catalogo "Allgemeine Beschreibung und Nachweisung der Gestirne nebst Verzeichniss" elaborado por Johann Elert Bode e compilado em 1801.
 Bode foi um astrônomo alemão e carrega entre seus não poucos louros a reformulação da hoje conhecida Lei de Titius- Bode, a determinação da orbita (e o nome que colou...) de Urano, a descoberta da galáxia M81 (a galáxia de Bode) e mais algumas homenagens astronômicas. Não esquecendo seu lindíssimo atlas também de 1801 “Uranographia”.   
De volta a Ngc 104. Sua real natureza de DSO foi revelada pelo favorito aqui da redação do Nuncius Australis, O Abade Nicolas Louis de Lacaille. O Abbe Lacaille.  Em 1751. Mas parece que este fato foi ignorado pelos amigos acima citados.
O globular é a primeira entrada do catalogo de nébulas do hemisfério sul feito pelo Abbe nos anos de 1751/52 durante sua jornada a Cidade do Cabo. Assim sendo Lac I. 1 . Isto implica que o Abbe o inclui como uma nebulosa sem estrelas (a categoria I de seu catalogo). Sua descrição é bastante modesta: “Recorda o núcleo de um pequeno cometa.”.
Posteriormente foi registrado e catalogado por James Dunlop em 1826 e por John Herschel em 1834. Recebe também as designações Dunlop 18 e Bennet 2. 
Sir Patrick Moore o inclui em sua lista observacional conhecida como o "Catalogo Caldwell". É a entrada de numero 106.
O globular esta situado entre 13.400 e 16.700 anos luz da terra dependendo da fonte consultada. Encontrei também o valor de 15.000 anos luz em uma terceira fonte...
Todas elas concordam que suas estrelas se espalham por uma área de 120 anos-luz.
Tuc 47 é um globular muito estudado e pesquisas  intensas realizadas pelo Hubble Space Telescope revelam a ausência de planetas pelo menos nas estrelas junto a seu denso núcleo. A baixa metalicidade das mesmas é considerada como maior responsável por isto. Mais mesmo que a sua grande densidade.
Em seu núcleo existe ainda um grande numero de estrelas exóticas e de grande interesse cosmológico.
Foram detectadas pelo menos 21 “Blue Stragglers” junto a este. Blue Stragglers são estrelas na sequencia principal que se apresentam mais azuis e mais luminosas que deveriam em comparação aos outros membros do mesmo aglomerado. Se quiser saber mais clique aqui...
São comuns também fontes de raios-X (mais de uma centena).
Como foi dito apresenta diversas maravilhas do zoológico cósmico e assim se apresentam estrelas de nêutron, pulsares na casa dos milissegundos, variáveis cataclísmicas e etc... Não há indicio de buraco negro junto a seu núcleo. 
Possui milhões de estrelas. Comparável a uma galaxia anã.
Ahh! E ele se aproxima de nós a 19 Km/s.  
Localizar Tuc 47 é uma tarefa bastante simples e o mesmo é facilmente percebido a olho nu exceto nas piores condições de poluição luminosa que se possa imaginar (Mag. 4,0). Eu o percebo mesmo no Rio de Janeiro. Em local um pouco mais escuro se percebe claramente sua natureza “esfumaçada”.  
Em geral localizo Achernar e abaixo ( sul) no horizonte Beta Hyidra (Mag. 2,8).  Da segunda é fácil acha-lo pela buscadora. Ela esta menos de um campo de buscadora  a Leste do aglomerado.
É um alvo fácil para binóculos de qualquer tamanho e com meu 15X70 chego a perceber alguma granulosidade na imagem.
Resolvem-se muitas estrelas em seu “em torno” no meu refletor 150 mm com 120X. Com 240X ele enche o campo da ocular.
É um globular bem denso (classe III) e assim é difícil resolver seu núcleo mesmo em grandes telescópios amadores.

Venho organizando minhas fotos astronômicas e localizei alguns registros do mesmo. Acima apresento um feito com diversas fotos de 15 e 30 segundos e empilhadas no Rot and Stack. E abaixo apresento outro registro feito também com fotos de 15 e 30 segundos (são  as mesmas  fotos...) e utilizando Black frames e processado no Deep Sky Stacker.  Ambos realizados no Rio de Janeiro. 


 Apresento ainda mais algumas de pedigree desconhecido e que estavam pelo HD. Todas fotos realizadas com uma Canon 350D




Mais em umas e menos em outras percebo a luz amarelada de um  velho  “Blonde” em todas...

P.S.  Novas fotos já com a Canon T3. Curiosamente a foto como menos frames empilhados é a que mais gosto. E a Luz de um "Blonde" continua presente....


2 light Frames + 2 Blacks 20 Seg. DSS




9 Frames

11 Frames




         Na verdade o que acontece ( acredito eu...) é que conforme se abaixa o valor do valor Limite nas configurações avançadas do Deep Sky Stacker mais fotos são aceitas. E  qualidade é melhor que quantidade. Com um Limite de 15 % o DSS só aceitou empilhar as duas melhores fotos. Já com o Limite em apenas 3% ele empilhou as 11. Mas não houve uma melhora na razão Sinal Ruido. E é por isto que empilhamos fotos....  Embora as diferenças sejam sutis eu achei que com dois frames foi aonde a razão foi melhorada. Além e que as estrelas de campo estão mais pontuais.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Ngc2516-" The Running Man Cluster"



Ngc 2516 é um dos meus aglomerados abertos favoritos. Bem colorido e facilmente localizável ele é um renegado. Dificilmente entra em alguma lista de favoritos e raramente é lembrado nas revistas de astronomia.  Uma injustiça.
Acredito que isto se deva a sua posição muito ao sul no céu. E como o céu austral é lotado de espetáculos inimagináveis para nossos companheiros boreais este  permanece esquecido na maioria das vezes.  Fosse ele localizado mais ao norte no céu e seria cantando em prosa e verso.
Facilmente percebido a olho nu em locais de céu bem escuro (mag. 3,8) este belo aglomerado é facilmente localizado e é um belo alvo para telescópios de qualquer tamanho. E também se resolve em binóculos.
Para localiza-lo basta prolongar a linha que liga Kappa Velorum e Avior (Épsilon Carina). Estas formam o eixo mais longo do conhecido asterismo do Falso Cruzeiro.
Foi primeiramente registrado no catalogo elaborado pelo Abbe Lacaille durante sua viagem a Cidade do Cabo realizada nos anos de 1751/52.  E foi registrado como Lac II 3. Isto significa que o Abbe o considerou um aglomerado associado com nebulosidade. OAbbe possuía lunetas bem modestas...
Sir Patrick Moore prestou um tributo a esta beleza austral e a inclui na sua lista, o catalogo Caldwell, como a entrada de numero 96.   Foi catalogada ainda como Cr 172, Mel 82, Lund 411, GC 1619, h 3111 e OCL 776.
Ngc 2516 é um aglomerado jovem com uma idade estimada em 150 milhões de anos sendo esta  atribuída devido ao estado que se apresentam suas estrelas de maior massa.
Ngc 2516 apresenta algumas peculiaridades e já foi alvo de diversos papers. Um dos mais interessantes se refere a uma estrela membro e que apresenta um dos maiores campos magnéticos conhecidos em uma estrela não degenerada. A estrela em questão se chama HD 66318 e ainda encontra-se na sequencia principal. De uma olhada aqui http://adsabs.harvard.edu/abs/2003A%26A...403..645B.
Ngc 2516 foi um dos primeiros desenhos astronômicos que realizei. E também uma dos primeiros DSO´s que fotografei. É incrível como dois registros de um mesmo objeto podem ser tão diferentes. Mas como o desenho foi feito com um 70 mm e com uma ocular Kelner das mais vagabundas eu relevo e apresento para vocês este mau momento do desenho astronômico.

Já a foto é também um registro feito em condições bem extremas. Realizada através de uma janela com tela de proteção (possuo um gato com tendências suicidas) e em local de fortíssima poluição luminosa acredito que seja uma amostra fiel do que você deve esperar observar em ambiente urbano com um refletor de 150 mm. A foto é antiga e se me recordo é uma coleção de cerca de 10 exposições de 15 seg.  e de alguns Black frames. Tudo empilhado  no Deep Sky Stacker. Posteriormente a foto também foi submetida ao Photo Shop que permitiu realçar mais as cores... A câmera é minha falecida Canon 350 D. 

Steve Gotlieb descreve o aglomerado quando observado por um telescópio de 350 mm:
“1/30/06 Costa Rica- Um aglomerado visível a olho nu muito brilhante localizado a 3º SW de Épsilon Carina (estrela oeste da Falsa Cruz). Aparece parcialmente resolvido na buscadora 9X50 e é excelente por um binóculo 15X50. Preenche mais da metade do \campo de uma Nagler 20 mm, ~35´ diâmetro com mais de 100 estrelas resolvidas. Seu perímetro é bem irregular ainda que bem definido com baixa magnificação. Uma estrela laranja de magnitude 5,5 repousa a NE do Aglomerado (HD 66342). A região central é mais concentrada e uniforme. Inclui diversas estrelas amareladas e alaranjadas. Uma bela tripla esta do lado oeste e uma excelente dupla repousa do lado leste do aglomerado...”.
Este belo aglomerado é apelidado de “The Running Man Cluster”. “O Aglomerado do Corredor”. 
Cada um vê o que quer...